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Superliminal é um jogo cheio de perspectivas malucas e influência de Portal

Superliminal é meio Portal, meio The Stanley Parable - Reprodução
Superliminal é meio Portal, meio The Stanley Parable Imagem: Reprodução

Makson Lima

Colaboração para o START

01/12/2019 04h00

O jogo de estreia do estúdio Pillow Castle levou metade de uma década para ficar pronto e é uma experiência cheia de mensagens. "Superliminal" quer que você pense em "Portal", relembre GlaDOS, e até pede que "The Stanley Parable" faça parte de seu acervo recente.

É só quando todas essas partes estão postas à mesa, quando as comparações fazem parte do passado, que algo deslumbrante toma forma. É como entrar no estado de REM (sigla que significa Rapid Eye Movement, ou Movimento Rápido dos Olhos), em que costumam acontecer os sonhos lúcidos: o corpo pede, mas nem sempre o cérebro obedece.

Percepção é realidade

"Superliminal" é dividido em sequências de sonho. "ACORDE!" não poderia ser mensagem mais direta - o ruído contínuo e ensurdecedor do despertador às 8 da manhã é aquela agulha em brasa tímpano adentro. Partimos em mais uma sequência de testes, e o jogo faz um papel incrível em se explicar e se reinventar.

A ideia é de alcançar novas alturas, aceitar novos desafios. É preciso sair dessa piscina vazia e aquela boia em formato de castelo é minha única salvação. Como transformar as duas realidades em uma só? Não consigo segurar essa maçã, mas tocá-la faz com que ela se multiplique, só que existe um ventilador gigante no meio do caminho.

Discorrer mais sobre os obstáculos existentes em "Superliminal" seria como bagunçar todos aqueles sinais de "saída", meticulosamente posicionados nos corredores e cômodos da clínica – acho que eu até já fale demais!

A perspectiva forçada pode transformar pinturas no chão e paredes em algo real, e tal pensamento se torna tão natural quanto a mais básica das ideias de videogame de se posicionar sobre um botão para abrir uma porta.

"Superliminal" não é tão exigente em seus quebra-cabeças, e os fundamentos de aumentar e diminuir objetos pode ficar cansativo conforme o jogo progride, mas os momentos de pura "eureka!" serão muitos. E com o adicional de termos Salvador Dali sempre à espreita.

A saída e a chegada, tal qual ouroboros - Reprodução
A saída e a chegada, tal qual ouroboros
Imagem: Reprodução

Há regras, no entanto: não posso carregar um tijolo amarelo por entre salas, pois os artifícios de uma sequência de sonho não podem invadir a próxima, e conforme mergulhamos mais e mais fundo no subconsciente do paciente, maior o nível de loucura. De repente, basta abrir a janela para conseguir tocar a lua (e utilizá-la como o sonho convém).

Cobaia onírica

Somos apenas matéria dentro dos limites de "Superliminal", apenas um paciente genérico e sem identidade em busca de respostas a seus distúrbios de sono. Contratos são assinados, há consentimento, e os experimentos têm início.

O doutor Glenn Pierce, o responsável pelo lugar e criador dos métodos nada ortodoxos aplicados, até tenta colocar em palavras o que se passa em sua mente acelerada e desordenada - tocar as fitas nos rádios espalhados pelo caminho, é como encontrar migalhas de pão indicando a direção, mas a voz onisciente e onipresente de uma inteligência artificial com voz feminina, tão sarcástica quanto aquela em "Portal", confunde e ludibria em momentos inoportunos. Ou seriam estimulantes?

Ah, os absurdos da mente - Reprodução
Ah, os absurdos da mente
Imagem: Reprodução

Tudo bem, enquanto os truques de mágica continuarem a funcionar, não é preciso dar ouvidos a ela. Afinal, há como "sonhar errado"? Como supostamente deveria ser o conteúdo de um sonho? Há meios de controlar isso? Não tenho ideia, mas que aquela peça de xadrez se tornou gigantesca quando a afastei e a posicionei acima da altura dos olhos, isso foi a mais pura realidade.

Obrigado por sonhar

As tentativas falhas do Dr. Pierce e as alfinetadas nada estimulantes da IA até tentam traçar uma narrativa para "Superliminal", mas não funciona tão bem quanto os domínios dos sonhos em si.

De determinado ponto em diante, só queria mesmo chegar até a próxima sequência, tentar desvendar o próximo mistério com meu ilusionismo incrivelmente funcional.

É legal essa realidade onde espelhos e fumaça são tão verdadeiros quanto uma cesta de maçãs. Ninguém perguntaria algo como "você acredita em maçãs?" É absurdo sequer cogitar, mas no momento histórico no qual vivemos, onde terraplanistas se proliferam como catapora, é sempre bom reforçar o primordial.

"Acorda, menina!" - Reprodução
"Acorda, menina!"
Imagem: Reprodução

Como de praxe em tantos projetos independentes, a coisa toda pende ao dramático em suas sequências finais, repletas de metalinguagens e mensagens altruístas e positivas, mas num esquema passivo-agressivo piegas e cansado.

A mensagem existente nas entrelinhas, no entanto, aquela que desafia os fundamentos básicos de regras impostas em videogames, lá do princípio da própria ludologia, essa, sim, é marcante e conversa diretamente com a premissa de "Superliminal" - obrigado por sonhar, só não se esqueça de acordar.

Reprodução
Imagem: Reprodução
Lançamento: 12/11/2019
Plataforma: PC (Epic Games Store)
Preço sugerido: R$ 37,99
Classificação indicativa: Para maiores de 17 anos
Desenvolvimento: Pillow Castle
Publicação: Pillow Castle

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