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"Aritana and the Twin Masks" é continuação corajosa que falha na execução

Aritana and the Twin Masks é exclusivo para Xbox One - Divulgação
Aritana and the Twin Masks é exclusivo para Xbox One Imagem: Divulgação

Makson Lima

Colaboração para o START

27/08/2019 04h00

"Aritana and the Twin Masks" foi lançado no último dia 16 de agosto exclusivamente ao Xbox One (e em algum momento do ano que vem ao PS4) e marca um momento decisivo para o estúdio paulistano Duaik Entretenimento.

O game é continuação de "Aritana e a Pena da Harpia", de 2014, e abraça a plataforma 3D e o mundo aberto, abrindo mão da simplicidade de proposta do jogo anterior. Uma mudança admirável, sem dúvida, mas que também causa uns tropeços.

A Árvore da Vida

A apropriação de elementos folclóricos para se contar uma história é recurso literário dos mais antigos e "Twin Masks" segue nessa direção. Quando o equilíbrio está em risco, Aritana (que pode ser um avatar masculino ou feminino) é despertado. Os espíritos protetores da vida precisam de ajuda mais uma vez.

A trama é contada por meio de cutscenes curtas, porém pontuais, e não mais artes estáticas como no jogo anterior. Algumas chegam a impressionar e o novo visual do Aritana adulto, com apetrechos e pinturas que representam sua tribo e tradições, conversa com esse amadurecimento de proposta.

Apesar de ser uma continuação, o jogo é fechado em si, mesmo que ainda que leve em consideração o primeiro game e até a HQ lançada recentemente. Já dentro do game, é também possível conhecer mais daquele universo ouvindo os ecos de cristais espalhados pelo mundo. O roteiro até faz questão de apontar o significado de termos e conceitos indígenas mais específicos, o que funciona bem

Uma nova arma para um novo jogo

Aritana não precisa mais do cajado do primeiro jogo e agora usa o arco e flecha. A arma se torna importante por ser como o personagem interage com o mundo, o que pode ser tediosamente simples a longo prazo. Suas flechas são infinitas e o esquema de mira travada funciona até demais, atenuando quase que por completo a dificuldade.

Atrelado a isso está a falta de variedade de inimigos, que, na verdade, são só modificações de um mesmo conceito, as tartarugas, torres modulares que disparam projéteis e explodem ao contato. Pontos fracos são passíveis de trava, assim como os tais projéteis. O fôlego de Aritana (que pode ser evoluído, assim como a vitalidade) é sua capacidade de desacelerar o tempo, ajudando a facilitar ainda mais os combates. Quando o obrigatório pulo duplo é adquirido, então, é possível acessar o ponto fraco das tartarugas de forma ainda mais rápida. E para um jogo que abre mão de qualquer tipo de combate corporal, a total ausência de inimigos voadores não faz muito sentido.

Aritana agora usa Arco e Flecha - Divulgação
Aritana agora usa Arco e Flecha
Imagem: Divulgação

Também é estranho que não há sensibilidade de pulo, ou seja, não importa a pressão colocada ao pressionar o botão, Aritana executará o mesmo movimento, o que deixa as sequências de plataformas não tão divertidas. Até mesmo quando prontifica seu arco e sua movimentação se torna lateral, focada num ponto específico, o salto não se torna contextual. Uma decisão, mais uma vez, estranha.

Suas flechas são infinitas e o esquema de mira travada funciona até demais, atenuando quase que por completo a dificuldade

As animações do personagem, pouco fluídas, também colaboram com a esquisitice de se observar as respostas aos nossos comandos. Mas que fique claro o seguinte: os controles são responsivos, só é preciso um certo tempo de assimilação por parte do jogador, por mais simples que tudo seja.

Mira certa

Os pontos altos no design de fases de "Twin Masks" andam de mãos dadas a característica mais sobressalente do jogo: a trilha sonora. A escolha do dinamismo nas músicas, que se alteram de acordo com os cenários e perigos iminentes, corresponde ao amadurecimento do personagem e da franquia. As cavernas e florestas se tornam ainda mais mágicas e misteriosas por conta da música.

"Twin Masks" também oferece certa liberdade de exploração e, no mapa, há sempre um curso e objetivos bem definidos. Atalhos conectam partes periféricas ao centro do Templo de YpY e a ausência de viagem rápida não se faz problema justamente por conta desses caminhos bem planejados.

A navegação por essas partes é dinâmica e divertida por conta dos teleportes, acessados pelas flechas e posicionados de forma a quebrar o ritmo convencional, oferecendo certa dificuldade, o que acaba fazendo deles uma ferramenta e um obstáculo, ao mesmo tempo. Aliás, as torres de plataforma chegam a formar quebra-cabeças até instigantes e poderíamos ter visto mais delas.

O combate em Aritana não é nem um pouco desafiador - Divulgação
O combate em Aritana não é nem um pouco desafiador
Imagem: Divulgação

O jogo só brilha de verdade mesmo ao usar a câmera lenta, suspensos no ar, para acessar teleportes e novas áreas no processo. Some isso a ideia de que as plataformas são partes de um ser colossal, sobrevoando o templo voador, e a experiencia é até gratificante. É bonito de se ver e gostoso de se jogar, pena haver repetição, como no Mapinguari em "A Pena da Harpia".

Coletar frutas, como guaraná, açaí ou maracujá, para confeccionar poções, é meio que o oposto dessa ideia aventuresca. É a parte cansada do já cansado formato da sobrevivência em jogos. O unguento de cura é essencial, já os outros, com capacidades como escudo ou invisibilidade, estão lá para oferecer alternativa aos combates que, na verdade, não pedem tanto por isso, já que são simples e fáceis demais.

Corajoso, mas inocente

"Aritana and the Twin Masks" faz questão de se inserir num gênero onde habitam alguns dos maiores clássicos da história dos videogames, como "The Legend of Zelda". Comparações são inevitáveis, mas também é importante contextualizar. A proposta do jogo é corajosa, ao mesmo tempo que parece inocente também. E, particularmente, não consigo deixar de admirá-lo justamente por isso.

A proposta do jogo é corajosa, ao mesmo tempo que parece inocente também

Foi uma experiência breve, cerca de cinco horas, com momentos de frustração imediatamente interligados a outros, bons, até marcantes. É aquele tipo de jogo interessante de se debater sobre suas decisões de design e objetivos. Ainda assim, ele consegue ser uma evolução do "Aritana" de cinco anos atrás.

Aritana and the Twin Masks

Divulgação
Imagem: Divulgação
"O novo 'Aritana' consegue impressionar e decepcionar em iguais medidas"

Lançamento: 16/08/2019

Plataformas: Xbox One

Preço Sugerido: R$ 54,95

Desenvolvimento: Duaik Entretenimento

*O Review foi realizado com uma cópia do jogo cedida pela Duaik

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