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Review: O nome é "Bloodstained", mas pode chamar de "Castlevania 2019"

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Rodrigo Lara

Colaboração para o START, em São Paulo

27/06/2019 04h00

"Bloodstained" teve uma trajetória emocionante desde que foi anunciado em 2015: bombou no Kickstarter e bateu recordes, depois passou por adiamentos que deixaram os "backers" preocupados.

Chegamos em 2019, e a expectativa era grande. Será que esse "filhote de Castlevania" sofreu com os atrasos? Será que conseguiu criar identidade própria? A resposta não é tão simples, então vamos por partes.

Metroidvaniamaníacos

Koji Igarashi e seu inseparável chicote, na E3 2008 - Renato Bueno
Koji Igarashi e seu inseparável chicote, na E3 2008
Imagem: Renato Bueno
Quem curte um bom "metroidvania", gênero que pega trechos do DNA de "Metroid" e "Castlevania", não tem muito do que reclamar nos últimos anos. Jogos excelentes, como "Hollow Knight" e "Axiom Verge", estão aí para matar a vontade e fazer a alegria.

Nenhum deles, no entanto, está envolvido na aura de "Bloodstained: Ritual of the Night". E por uma razão extremamente simples: Koji Igarashi está por trás do projeto.

Igarashi, que sempre aparece por aí de chapéu e chicote, trabalhou na programação de "Castlevania: Symphony of the Night" - um dos clássicos supremos do gênero - e depois se tornou produtor chefe da série durante a década passada, quando os excelentes "Aria of Sorrow" e "Dawn of Sorrow" foram lançados.

"Bloodstained" foi financiado via Kickstarter, com uma campanha que começou em maio de 2015. O nível do "hype" era tão grande que, em apenas um dia, ele arrecadou US$ 1,5 milhão. Em cerca de um mês, esse valor chegou a US$ 5,5 milhões, o que colocou o jogo como o game mais bem sucedido da plataforma de financiamento coletivo - pelo menos até "Shenmue III" alcançar os US$ 6,3 milhões alguns meses depois.

Inicialmente previsto para 2017, "Bloodstained" atrasou. Quer dizer: atrasou MUITO e também perdeu algumas das versões prometidas, para Wii U, PS Vita, Linux e macOS. Restaram PC, PlayStation 4, Switch e Xbox One.

A boa notícia é que, ao menos em maior parte, as preocupações sobre o resultado final foram exageradas.

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Lá vem história

Em "Bloodstained", você controla Miriam, uma garota que teve cristais com poderes demoníacos implantados em seu corpo por alquimistas. Esses alquimistas, por sinal, utilizaram pessoas como Miriam para invocar hordas de demônios para o mundo e, com isso, tentar manter sua relevância e influência que diminuíram consideravelmente após a Revolução Industrial.

Após a situação ter sido contornada, Miriam ficou em um sono profundo por alguns anos, mas acordou a tempo de impedir que uma nova invasão de demônios ocorra.

Achou parecido com "Castlevania"? De fato é, principalmente se você considerar que o jogo se passa no Bastião Infernal, um castelo que, veja só, apareceu do nada. "Bloodstained" é recheado de "homenagens" do tipo, o que gera aqueles momentos "peguei a referência".

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Seguindo a cartilha

A jogabilidade também é bem similar à de "Symphony of the Night" - um tremendo elogio, que fique claro. Há vários tipos de armas, que mudam consideravelmente a forma como você vai encarar as situações. Enquanto pistolas permitem combate à distância, portar um espadão ou um chicote exige uma abordagem mais corpo a corpo.

O legal disso é que o jogo incentiva essa troca constante de armas, tanto que há um sistema específico que permite alternar entre conjuntos de equipamentos pré-definidos, algo útil considerando que há inimigos com tipos diferentes de vulnerabilidades. É um bom toque de complexidade que tende a ser aproveitado por jogadores mais criativos - e se você for do tipo curioso, vai perder um tempão experimentando combinações diferentes.

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Outro toque de nostalgia é que cada tipo de arma tem golpes especiais únicos, ativados por meio de comandos como em um jogo de luta. É um incentivo extra à experimentação.

"Ah, mas o jogo então é uma cópia descarada de 'Castlevania'?". Não que isso fosse um problema, mas há elementos que o distinguem da sua inspiração.

O principal deles é o papel determinante exercido pela magia, o que faz todo o sentido uma vez que Miriam é capaz de absorver a energia demoníaca dos inimigos. E tem uma porção delas, que vão desde a invocar morcegos para jogar contra os inimigos até disparar bolas de fogo.

O jogo incentiva a troca constante de armas, tanto que há um sistema específico que permite alternar entre conjuntos de equipamentos pré-definidos.

E, como um bom "metroidvania" não poderia deixar de ser, esses elementos de jogabilidade acabam se integrando à exploração. É aquele tipo de situação manjada, do tipo "você só vai conseguir alcançar aquela plataforma distante depois que conseguir o pulo duplo". Prepare-se, portanto, para idas e vindas.

Há quem não goste disso - e, convenhamos, esse é o tipo de pessoa que não vai gastar seu tempo jogando "Bloodstained". Eu, particularmente, adoro.

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Grandes acertos e um belo tropeço

É interessante ver que "Bloodstained" consegue um feito inusitado: o jogo é bastante colorido, mas isso não faz com que os cenários se pareçam com uma decoração de festa infantil. Essa pegada "gótica suave" se encaixa bem com a temática do game.

O popular "2,5D" se faz presente, uma vez que a ação ocorre em um plano chapado, mas os cenários são 3D. Há um momento em especial do jogo (que eu não vou falar aqui, claro) no qual essas perspectivas se misturam, criando um efeito bem interessante.

o jogo é bastante colorido, mas isso não faz com que os cenários se pareçam com uma decoração de festa infantil.

O design dos inimigos também é maneiro e eles são variados. É um refresco em um jogo que exige idas e vindas. Alguns desses inimigos, por sinal, são bem bizarros - você saberá do que eu falo quando enfrentar um certo cachorro.

Na parte musical, "Bloodstained" se vale do talento de Michiru Yamane que, bem, "só" assinou a trilha de "Castlevania: Bloodlines" e "Symphony of the Night", e também de Jake Kaufman, que tem "Crypt of the Necrodancer" como um dos seus trabalhos.

O jogo incluiu o retrato de apoiadores da campanha do Kickstarter em alguns cenários - Divulgação
O jogo incluiu o retrato de apoiadores da campanha do Kickstarter em alguns cenários
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Bugs à vista

Como nem tudo é perfeito, "Bloodstained" também tem alguns problemas. Alguns leves, como uma ou outra queda de frame em alguns momentos - mesmo a versão testada, em um Xbox One X, apresentou o problema em uma determinada sala.

Já um problema consideravelmente sério, e que, possivelmente, tem a ver com o desenvolvimento turbulento do jogo, é um bug experimentado por parte dos jogadores que faz com que alguns baús com itens-chaves para prosseguir no game apareçam abertos - e vazios, o que impede o avanço.

O lado bom é que há um patch (chamado 1.02) já lançado para a versão de PS4 (o "conserto" para Xbox One deve chegar nos próximos dias), que evita esse erro. A parte ruim é que quem começou a jogar antes desse patch terá que reiniciar a progressão no game, tendo sido vítima do bug ou não.

Com inspirações e homenagens que deixam claro as suas origens, "Bloodstained" facilmente teria "Castlevania" em alguma parte do seu título se a Konami não fosse a detentora dos direitos de uso do nome,

Bloodstained: Ritual of the Night

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Lançamento: 18/06/2019
Plataformas: PC, PS4, Xbox One, Switch
Preço sugerido: a partir de R$ 75,49 (Steam)
Desenvolvimento: ArtPlay
Publicação: 505 Games
Na mesma vibe de: "Castlevania: Symphony of the Night"

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