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Review: "My Friend Pedro" é um jogo para diversos tipos de Pedro

Em "My Friend Pedro" você ouve ordens de uma banana no combate ao crime - Divulgação
Em "My Friend Pedro" você ouve ordens de uma banana no combate ao crime
Imagem: Divulgação

Bruno Izidro

do START, em São Paulo

23/06/2019 04h00

Todo mundo conhece um Pedro. Ou vários. Pode ser o Pedrinho do colégio, aquele Pedro da internet ou o tio Pedro lá do interior. Eles podem ser alegres, tímidos, engraçados... ou simplesmente uma banana com tendências assassinas. Em "My Friend Pedro" (Devolver Digital - PC, Switch), Pedro é essa banana.

Ela voa, conversa comigo, às vezes entra na minha cabeça e me ajuda no combate ao crime. Dá instruções sobre como pular, descer de rapel e disparar um gazilhão de balas que saem ricocheteando pelo cenário. Pedro, a banana, torna o jogo especial, e me faz lembrar de alguns amigos Pedro que vão curtir "My Friend Pedro".

Simon Plestenjak/UOL
Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Meu Amigo Pedro dos games

Pedro é apaixonado por "Hotline Miami", e "My Friend Pedro" tem muito em comum com o jogo de 2012 que também foi lançado pela Devolver. Ação com bastante violência, tiros e sangue, um humor sarcástico e trilha sonora retro-pop estilosa. Mas "My Friend Pedro" também tem personalidade própria.

A perspectiva lateral 2.5D casa muito bem com a principal mecânica do jogo: a câmera lenta à lá "Matrix" e "Max Payne". Os dois aspectos é que proporcionam os vários momentos dignos de compartilhamento no Twitter, e o jogo faz o favor de capturar alguns gifs pra você no final de cada fase.

Se eu quiser convencer meu amigo Pedro a jogar, é só mostrar uma sequência em que o personagem desce de uma tirolesa quebrando uma janela, atirando com duas pistolas em bandos de inimigos, destruindo janelas e caixas por tabela.

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A perspectiva lateral 2.5D casa muito bem com a principal mecânica do jogo: a câmera lenta à lá "Matrix" e "Max Payne"

Qualquer jogada besta fica muito mais legal em câmera lenta: pular por cima de uma caixa e sair rolando por um duto de ventilação, dar um "wall jump" e sair esquivando das balas inimigas com a leveza de um bailarino do submundo. É a estética que anda junto com o gameplay, um balé de pulos e tiros e chutes que faz você parecer muito mais habilidoso do que é.

Esse meu amigo Pedro também está dando os primeiros passos como criador de games. Por isso ele vai gostar de saber que "My Friend Pedro" foi desenvolvido pelo DeadToast, um estúdio-de-um-homem só chamado... Pedro? Brincadeira, o nome dele é Victor Agren, ele é da Suécia.

A história de desenvolvimento é, no mínimo, inspiradora, já que Victor largou o emprego no famoso estúdio Media Molecule (de "LittleBigPlanet") e fez a primeira versão do game em flash, para jogar no browser de internet (e que está acessível até hoje).

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Meu Amigo Pedro frenético

Meu amigo Pedro não sabe ficar parado. E "My Friend Pedro" tem um ritmo bem acelerado, com fases curtas e rápidas de completar. Se eu não demorei mais de 15 minutos em cada uma, é o tipo de coisa que ele gosta.

As fases normalmente seguem uma estrutura padrão: ir do ponto do A até o B matando tudo o que se vê pela frente, o que geralmente significa: agentes do tráfico operando em negócios suspeitos.

Isso poderia ficar repetitivo logo, mas o jogo sempre acrescenta pequenas novidades para não deixar a monotonia vencer.

Em algumas fases, aparecem itens como cordas, panelas que ricocheteiam as balas e até um skate para deixar os tiroteios mais radicais. Em outros, são os inimigos que se diferenciam e exigem uma tática um pouco diferente para serem mortos.

My Friend Pedro" tem um ritmo bem acelerado, com fases curtas e rápidas de completar

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Meu amigo Pedro só pode se frustrar em alguns desafios de plataforma mais perto do final do game. Elas parecem se inspirar em um "Celeste" da vida, exigindo pensamento e reflexos um pouco mais ligeiros, mas não são tão interessantes e acabam não empolgando tanto.

Botar tudo em câmera lenta, afinal, é mais legal quando se atira nos inimigos do que quando se tenta desviar de feixes de laser no teto.

Simon Plestenjak/UOL
Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Meu Amigo Pedro competitivo

Simon Plestenjak/UOL
Imagem: Simon Plestenjak/UOL
Meu amigo Pedro é um libertino que gosta de jogar "Free Fire" nas horas de folga, então a violência gráfica e as fases rápidas de "My Friend Pedro" vão cair bem.

Ele vai achar hilária a banana Pedro? Com certeza. Entre as diversas piadas de cunho sexual por causa da fruta, ele também vai pirar no elemento arcade de atribuir um ranking para o desempenho ao fim de cada fase.

Aspectos como tempo de conclusão e número de mortes (suas e dos inimigos) são a diferença entre receber um C de "Caído", B de "Bacana" ou S de "Superfantástico", tudo em português brasileiro.

O meu amigo Pedro também é competitivo e não vai cansar até aparecer na leaderboard mundial de cada fase. O que, parando pra pensar, é uma ótima forma de não largar do jogo após terminá-lo, o que pode durar umas três ou quatro horas. "My Friend Pedro" também não possui nenhum modo multiplayer, seja online ou local, o que é uma pena.

B de Banana

Simon Plestenjak/UOL
Imagem: Simon Plestenjak/UOL

O subtítulo de "My Friend Pedro" é "Blood, Bullets e Bananas", e apesar de recomendarmos cuidado ao manusear os dois primeiros itens na vida real, queremos ressaltar a importância do terceiro. Compostas de 75% de água e ricas em potássio, as bananas são ótimas para os ossos, nervos e músculos do corpo, principalmente para quem passa muito tempo sentado.

Além desses benefícios, em "My Friend Pedro" a banana é responsável por guiar o jogador e explorar o mínimo da narrativa existente. A história é fraca, mas ninguém vai se importar muito com isso. Só o que faz falta é o jogo não revelar as origens de Pedro, e nem dizer que tipo de banana ele é.

Seria uma banana prata ou nanica? Acho que só vamos descobrir em um possível "My Friend Pedro 2".

My Friend Pedro
Nota: 4/5 bananas

Divulgação
Imagem: Divulgação
Lançamento: 20/06/2019
Plataformas: PC e Nintendo Switch
Preço sugerido: R$ 37,99 (Steam)
Desenvolvimento: Deadtoast
Publicação: Devolver Digital
Na mesma vibe de: "Hotline Miami", "Katana Zero"

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