Topo

Reviews


"SteamWorld Quest" é um RPG de respeito no Nintendo Switch

"SteamWorld Quest: Hand of Gilgamech" reúne RPG por turnos com combate de cartas - Divulgação
"SteamWorld Quest: Hand of Gilgamech" reúne RPG por turnos com combate de cartas Imagem: Divulgação

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/05/2019 04h00

A série "SteamWorld" é das poucas que não têm medo de arriscar e inovar. Ela foi criada em 2010 pelo estúdio sueco Image & Form, e desde então passeou por diferentes gêneros. Começou com a defesa de torres em "SteamWorld Tower Defense", virou um belo metroidvania com "SteamWorld Dig" (2013, com uma sequência em 2017) e se expandiu para a estratégia em turnos em "SteamWorld Heist" (2015).

Agora chegamos em "SteamWorld Quest: Hand of Gilgamech", jogo exclusivo (por enquanto) de Nintendo Switch lançado em 25 de abril. E, como parece ser uma tradição da série, a combinação aqui é peculiar: uma mistura entre RPG com combate em turnos e jogos de carta.

Sim, RPG com combate em turnos. Qual foi o último desses que você jogou? Se você curte novidades, provavelmente a resposta será "Dragon Quest XI" ou "Pokémon: Let's Go". Já se é fã de jogos indie, poderá lembrar de "I am Setsuna" ou "Darkest Dungeon".

Fato é que esse gênero já não faz tanto a cabeça dos jogadores como na década de 1990. Naquela época existiam representantes de peso, como a série "Final Fantasy", "Breath of Fire" e "Dragon Quest", entre outros títulos de extrema importância para consoles como o Super NES e o primeiro PlayStation.

Essa popularidade caiu não só por conta do crescimento dos RPGs de ação, mas também porque os RPGs de turno deixaram de inovar, acabaram se apegando muito às fórmulas tradicionais. E é justamente inovação uma das principais marcas de "SteamWorld Quest".

Personagens simpáticos, uma fantasia steampunk e a eterna luta do bem contra o mal  - Divulgação
Personagens simpáticos, uma fantasia steampunk e a eterna luta do bem contra o mal
Imagem: Divulgação

Reinventando a roda steampunk

O maior mérito de "SteamWorld Quest" é ter combates imprevisíveis, e tudo graças ao sistema de cartas.

Funciona assim: cada personagem do jogo possui um "deck" de cartas, que reúne todas as ações possíveis de serem realizadas durante uma luta. As cartas variam de acordo com o personagem - que têm "classes" distintas - e contêm habilidades únicas.

Antes das lutas, o jogador escolhe até oito cartas para cada personagem, o que implica, invariavelmente, em deixar algumas habilidades de fora. Algumas cartas, como ataques básicos, podem ser escolhidas mais de uma vez, e isso tem uma grande importância estratégica.

O bom humor da série vai desde os diálogos até os detalhes de cada carta - Divulgação
O bom humor da série vai desde os diálogos até os detalhes de cada carta
Imagem: Divulgação

Durante as lutas, essas cartas aparecerão aleatoriamente na base da tela - de seis em seis - e é por meio delas que os jogadores escolhem suas ações na luta. No início de cada turno, o jogo automaticamente distribui a mesma quantidade de cartas que você usou no turno anterior - normalmente são três usadas e três repostas, mas isso pode variar de acordo com habilidades específicas.

Essa é uma das razões pelas quais cada combate do jogo tem uma grande dose de imprevisibilidade.

Lembra que eu falei que algumas cartas podem ser repetidas na hora de escolher quais levar para as lutas? Pois bem: as cartas repetidas têm mais chance de aparecer dentre aquelas que podem ser usadas durante a batalha, e essa é uma forma de "manipular" o sistema aleatório com o qual o game embaralha essas cartas.

Com o tempo, você vai descobrindo combinações interessantes e poderosas de cartas - Divulgação
Com o tempo, você vai descobrindo combinações interessantes e poderosas de cartas
Imagem: Divulgação

Cartas com ações simples aumentam um medidor de engrenagens que, por sua vez, é usado para que o jogador possa ativar habilidades mais avançadas, como ataques mais potentes e ações que curam os personagens. Os inimigos, aliás, seguem esse mesmo esquema de jogo.

O maior mérito desse sistema de "SteamWorld Quest" é, justamente, não cansar o jogador. Com o tempo, você vai descobrindo combinações interessantes e poderosas de cartas, algo que se torna cada vez mais necessário com o decorrer da história. Você também descobre táticas mais avançadas, como fazer os personagens agirem em determinada ordem para potencializar ações e assim por diante.

História divertida

A cereja do bolo de "SteamWorld Quest" é, sem dúvida, o seu sistema de combate, mas o game se destaca também em outros pontos.

A exploração de cenários, por exemplo, é simples o suficiente para não quebrar o ritmo do jogo. A progressão é por salas, em um esquema que remete ao clássico "Valkyrie Profile", que estreou no PlayStation em 1999. É nesse modo que o jogador tem a chance de encontrar tesouros e outros itens, além de presenciar diálogos entre os personagens e também visualizar os inimigos a serem enfrentados.

A história mantém o tom bem-humorado da série e reúne personagens robóticos inicialmente despretensiosos. Do nada, a dupla inicial Copernica e Armilly se vê envolvida na "simples" missão de salvar o mundo de um exército do mal. Cumprir essa missão é algo que vai levar de 15 a 20 horas de jogo.

A história mantém o tom bem-humorado da série e reúne personagens robóticos inicialmente despretensiosos - Divulgação
A história mantém o tom bem-humorado da série e reúne personagens robóticos inicialmente despretensiosos
Imagem: Divulgação

Infelizmente, para entender a história - que mescla momentos descontraídos com outros bem mais sérios - e os diálogos curtos, mas recheados de sarcasmo e tiradas espirituosas, é necessário dominar a língua inglesa, uma vez que o jogo não está traduzido para o português.

A arte do jogo é inspirada, com cenários coloridos e bem feitos, enquanto o som traz músicas nada enjoativas e diálogos feitos por meio de onomatopeias no lugar de falas tradicionais.

Ainda assim, é inegável que o maior apelo de "SteamWorld Quest" está em seu sistema de combate. Ao unir diversão e profundidade, o game tem tudo para render boas horas de jogatina no Switch. E, mais do que isso, garante um bem-vindo sopro de novidade em um estilo de jogo clássico que, em muitos momentos, é esquecido pelas produções de grande orçamento.

Nota: 9

Mais Reviews