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"Mortal Kombat 11": a maturidade de uma série que continua fascinante

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

26/04/2019 04h00

No hall da fama dos jogos de luta, a série "Mortal Kombat" ocupa lugar de destaque, e não é de hoje. Ela surgiu em 1992 como contraponto a "Street Fighter", tanto em jogabilidade quanto em representação gráfica de violência. Rendeu filmes, jogos que influenciaram gerações, e marcas registradas que você reconhece de longe: clima sombrio, abundância de sangue e Fatalities que exploram o lado oculto da anatomia humana.

"Mortal Kombat 11", que chegou em 23 de abril (PC, PlayStation 4, Switch e Xbox One), bebe na fonte de "MK9", o reboot de 2011, e ao mesmo tempo arrisca mudar aspectos da jogabilidade de "MKX", de 2015. O novo Mortal é mais lento e estratégico, o que rende lutas interessantes e abre janela para viradas. Apesar de se perder um pouco ao tentar agradar a gregos e troianos com diversos modos de jogo, Mortal Kombat continua brutal e fascinante.

Mais lento, sempre brutal

Além de um combate mais lento que do jogo anterior, outras diferenças vão aparecendo. Avançar em direção ao seu oponente de maneira impulsiva tende a trazer mais problemas do que benefícios, já que há diversas formas de punir um ataque desastrado.

Uma das principais são os chamados "golpes esmagadores" (Crushing Blows), que consistem, basicamente, de golpes encaixados na forma de contra-ataque. Por exemplo: se você conseguir acertar um gancho em um oponente que esteja dando um soco em pé, o seu golpe será considerado um "golpe esmagador". Além de terem uma animação especial, que lembra a dos extintos golpes "raio-x", os golpes esmagadores tiram muito mais energia do seu oponente e também abrem espaço para iniciar um combo.

Outra mecânica nova são os chamados "Fatal Blows". Eles funcionam como supergolpes e podem ser ativados com o simples apertar de dois botões sempre que você estiver à beira da derrota - há a limitação de um uso por luta. Como esses golpes tiram cerca de 30% da barra de energia do oponente, podem virar uma luta que parecia perdida. A consequência disso é que os finais de round tendem a ser tensos: quem está ganhando pode ter tudo pronto para concretizar a vitória, mas um movimento errado pode colocar tudo a perder.

Por fim, há duas barras adicionais, que limitam o uso de técnicas de ataque (como os golpes amplificados) e de defesa (alguns tipos de contra-ataque). Elas se enchem automaticamente e podem acumular até dois níveis.

Apenas mais uma troca amigável entre Baraka e Raiden, lutadores veteranos da série - Divulgação
Apenas mais uma troca amigável entre Baraka e Raiden, lutadores veteranos da série
Imagem: Divulgação

Jogue como quiser

Ficou perdido? Não se preocupe: "MK11" conta com um ótimo tutorial que ensina não apenas essas novidades do sistema de luta, mas também outros detalhes mais complexos, como os bloqueios perfeitos e contra-ataques, além de técnicas dignas de jogadores profissionais, como contagem de frames para determinar quais golpes serão mais eficazes em cada situação. Uma dessas técnicas, em especial, foi criada para evitar uma das principais reclamações sobre "MKX": os combos "aéreos" excessivamente longos que tiravam parte da graça de assistir lutas de alto nível. Agora, desde que você tenha dois níveis da barra de defesa, é possível escapar dessa situação com um comando.

Com todas essas mudanças - que também incluem combos de sequências de botão em menor quantidade e mais simples de serem usados, e um plantel de personagens bem balanceados, ter um bom plano de ação é tão importante quanto mostrar habilidade. Isso acaba incentivando os jogadores a encontrar um jeito próprio de encarar os adversários, sem seguir, necessariamente, determinadas fórmulas prontas.

Ajuda bastante nisso a possibilidade de personalizar os lutadores, criando perfis distintos não apenas em aparência, mas também em lista de golpes. Há ainda a possibilidade de equipar itens que melhoram os atributos dos personagens, mas isso só se aplica nas lutas contra "o computador".

Johnny Cage, como não poderia deixar de ser, marca presença com seus golpes tradicionais - Divulgação
Johnny Cage, como não poderia deixar de ser, marca presença com seus golpes tradicionais
Imagem: Divulgação

Nostalgia e linhas temporais

As cerca de seis horas do modo história são divertidas e trazem uma trama bem amarrada, com atuações convincentes. A presença de personagens clássicos, como Scorpion, Johnny Cage e Sonya, dá um sabor especial e deixa você na expectativa de "o que será que vem agora?".

De forma superficial, sem estragar surpresas: a trama de "MK11" segue diretamente os eventos de "MKX". Lembra de Raiden? Depois da derrota de Shinnok, o deus do trovão deixou de ser aquele sábio e justo guardião do plano terreno para se tornar um ser implacável que ataca qualquer um que ele julgar uma ameaça à Terra. O problema é que tem muita gente insatisfeita com essa postura - inclusive uma deusa ancestral chamada Kronika que tem o poder de controlar o tempo.

O que vemos adiante é uma bela salada de linhas temporais da série e diversas referências nostálgicas.

Jacqui Briggs, Sonya Blade e Cassie Cage em cena da campanha de "Mortal Kombat 11" - Divulgação
Jacqui Briggs, Sonya Blade e Cassie Cage em cena da campanha de "Mortal Kombat 11"
Imagem: Divulgação

Dois tropeços

Além do modo história, o game conta com as torres, que promovem lutas entre os jogadores e a inteligência artificial. Aqui, há modos de jogo mais tradicionais, mas também um modo chamado Torres do Tempo, que reúne lutas nas quais os jogadores entram com desvantagem, como, por exemplo, enfrentar um Scorpion com os punhos em chamas. Acaba sendo um modo mais estressante do que divertido.

Outro aspecto negativo de "MK11" é o modo Kripta. Nele, você comanda um personagem em terceira pessoa e explora a ilha de Shang Tsung, palco do primeiro game da série. A meta é abrir baús que podem dar diversas recompensas, desde itens cosméticos até Fatalities e Brutalities. O problema é que a tendência é que o jogador perca muito tempo nesse modo para obter recompensas longe das ideais.

Tudo isso piora uma vez que não há diferenciação entre os tipos de baú, o que impossibilita saber com o quê, exatamente, você está gastando o dinheiro do jogo - alguém lembra das infames lootboxes? O que é curioso, no entanto, é que você não precisa encontrar um Fatality na Kripta para usá-lo; basta saber o comando para ativá-lo. O que achar um movimento do tipo em um baú faz é deixar o comando visível na lista de golpes que aparece no menu de pausa do jogo.

Não tente fazer nada parecido com seus machados de gelo em casa - Divulgação
Não tente fazer nada parecido com seus machados de gelo em casa
Imagem: Divulgação

Um belo capítulo

As mudanças de jogabilidade fazem de "Mortal Kombat 11" um game divertido e acessível. Há uma grande variedade de modos de jogo, o que agrada tanto quem curte partidas offline quanto aqueles não dispensam as lutas no competitivo modo online - que funciona muito bem, aliás. Também merece destaque a parte técnica do jogo, que conta com animações fluidas, gráficos de primeira e uma ótima localização em português brasileiro. "Mortal Kombat 11" mostra que a série não perdeu o fôlego desde o seu recomeço, em 2011. Pelo contrário: entre muita pancadaria, sangue e tripas voando, "Mortal Kombat" continua melhorando sem perder sua identidade.

Nota: 9

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