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Apesar de progressão, "Trials Rising" diverte até quando você leva tombos

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Daniel Esdras

Do GameHall

18/03/2019 04h00

"Trials" é a série que você teria orgulho de mostrar para o seu professor de física na escola, em uma daquelas aulas complicadas de Cinemática ou Dinâmica. Com uma premissa que à primeira vista parece simples: acelerar, frear e se posicionar em cima de uma moto - pesando um dos seus lados -, o jogo utiliza conceitos da física para possibilitar uma série de técnicas que podem demorar centenas de horas para serem dominadas.

O novo título da franquia é "Trials Rising", que de pista em pista mantém toda essa base que fez a série divertida e introduz novos elementos que mostram uma dedicação ímpar com os novatos, mas que também acabam deixando a desejar em sistemas importantes para a diversão.

Até cair é divertido em Trials

A jogabilidade está bem familiar para os fãs de longa data da série. Com a física divertida de sempre, cada fase é percorrida em duas dimensões e contabiliza o seu tempo para uma possível medalha de bronze, prata ou ouro.

O jogo em diversos momentos é muito desafiador e é preciso repetir para aprimorar as habilidades necessárias para avançar. Para isso o jogo permite que você reinicie a corrida ou a última etapa da pista antes da queda - basta pressionar um botão, coisa de um segundo mesmo, sem nenhum loading. Como o personagem se arrebenta de verdade a cada erro, com gritos exagerados e cômicos, você se pega rindo mesmo nas situações adversas. Isso faz com que o desafio e até mesmo as frustrações sejam bem mais toleráveis.

Com o passar do tempo, novas motos e até uma bicicleta são disponibilizadas, todas com suas próprias características. Pilotar cada uma delas é um desafio à parte e para vencer em todos os cenários é preciso praticar muito com todas elas.

Até bicicletas fazem parte de "Trials Rising" - Reprodução
Até bicicletas fazem parte de "Trials Rising"
Imagem: Reprodução

Tutorial Brilhante

Todas as corridas serão escolhidas a partir de um mapa-múndi, que indica diversos campeonatos de acordo com seu progresso. Os desafios são propostos por patrocinadores, que te oferecem contratos assim que sua popularidade, que é basicamente seu nível, aumenta.

Dentre as marcações no mapa está a "Trials University", que contém uma série de lições sobre as principais técnicas do jogo, desde controlar a sua aceleração para a moto não empinar demais, até pousos perfeitos em uma rampa íngreme.

Até aí seria um tutorial comum, mas o cuidado que tiveram aqui é algo que poucas vezes vi. Antes de a lição começar, é dada uma instrução narrada pelo professor, com exemplos bem detalhados sobre como se posicionar na moto, o quanto acelerar e a hora de modificar qualquer uma dessas variáveis. A partir daí é a sua vez. A pista é dividida em uma série de desafios que começam bem simples e vão sendo dificultados a cada acerto. Ao seu lado vai o professor, mostrando exatamente como fazer para não se esborrachar no chão. É possível inclusive mudar a câmera somente para o tutor e ver como ele utilizou os controles para executar a manobra.

O cuidado com os novatos em Rising é exemplar - Reprodução
O cuidado com os novatos em Rising é exemplar
Imagem: Reprodução

Quanto melhor você fica no jogo e a cada novo nível alcançado, novas lições serão liberadas. Conseguir um A+ nesses modos é difícil, mas garante uma melhora visível na sua habilidade. Títulos focados puramente nas mecânicas de jogo, como os MOBAs e Battle Royales, deveriam se inspirar no que foi feito aqui para conseguir novos jogadores.

Criatividade de sobra nas pistas

Ao todo são mais de 100 níveis diferentes na campanha de "Rising", que tem algumas das melhores fases da franquia. Em cada local a ambientação ajuda a manter o clima de novidade. Em Hollywood a pista passa por dentro de estúdios de cinema, onde filmes estão sendo gravados ao fundo. Na Itália a pilotagem é dentro de uma vinícola, arrebentando tonéis cheios de vinho e pulando estátuas antigas. Ainda existem os níveis absurdos, como os feitos em aviões em pleno voo ou em uma base militar abandonada, repleta de explosivos.

O design das pistas também é bem executado. Rampas, loops, crateras enormes, todas são colocadas de forma desafiadora, mas condizente com a dificuldade da fase. Isso cria uma vontade enorme de sempre ver o próximo nível e jogar mais uma vez para superar uma eventual dificuldade. Acredite, você irá gastar algumas horas sem nem se dar conta.

Progressão ruim atrapalha a diversão

O sistema de progressão é baseado no seu nível de popularidade, que é representado por um número. A cada contrato completado, uma quantidade de experiência e moedas são ganhos. Para liberar novos campeonatos, que guardam as desejadas pistas novas, é preciso vencer um desafio de três corridas em um estádio, que por sua vez só fica disponível depois que você atinge determinada popularidade.

A principal diversão do jogo é completar uma pista e descobrir na próxima que o desafio só estava começando. A progressão de popularidade atrapalha demais esse andamento. Para atingir o nível necessário para o campeonato, é preciso aceitar diversos contratos que se repetem em pistas pelas quais você já passou diversas vezes.

Progressão por níveis atrapalha a diversão - Reprodução
Progressão por níveis atrapalha a diversão
Imagem: Reprodução

Não bastando isso, alguns desafios são desbalanceados e dão poucas recompensas se não feitos no momento em que aparecem. Para exemplificar, deixei um desafio de acrobacias que dava uma enormidade de pontos naquele momento para trás, mas quando eu me senti mais preparado e disposto a enfrentá-lo, a recompensa já não compensava, pois as corridas comuns, bem mais fáceis, davam mais experiência que ele.

Esse sistema de níveis também barra alguns conteúdos, como novas lições na Trials University e desafios de habilidade em um estádio nas Américas. É o clássico coma os legumes para ganhar a sobremesa, onde a parte divertida é dada aos poucos ao custo de um grind muito chato.

Customização diverte, loot boxes não

O jogo conta com um sistema de loot box justo. Os itens não interferem na jogabilidade, são apenas cosméticos e é possível conseguir tudo apenas jogando, sem uma dedicação absurda para forçar compras com dinheiro real.

O problema mesmo ficou no conteúdo. A cada nível você ganha uma caixa que contém três itens. Muito provavelmente, todos eles serão adesivos para colocar nas suas roupas ou motos. De vez em quando pintam novas roupas ou parte de motos, o que torna o processo de abrir caixas tedioso com recompensas sem graça.

É possível escolher até as poses do seu personagem - Reprodução
É possível escolher até as poses do seu personagem
Imagem: Reprodução

A parte boa é que o sistema de customização é interessante. É possível modificar quase tudo no seu personagem e motos, com comemorações engraçadas, poses divertidas e milhares de adesivos para colar como você quiser em absolutamente tudo. Os itens modificados podem ser colocados à venda na loja e os criadores ganham parte das moedas da venda.

Áudio enjoativo

As músicas do jogo são todas licenciadas de bandas e cantores diversos. Embora a seleção seja bem eclética, indo do hip hop ao eletrônico, o foco mesmo fica no rock, especialmente no new metal. Se você gosta de vocais agressivos e guitarras pesadas vai se sentir em casa, caso contrário vai ter dor de cabeça.

Enquanto isso pode ser problema para alguns e ponto positivo para outros - eu gosto muito de música pesada -, é na repetição que mora o problema. Cada pista toca três músicas, que também são utilizadas em outras fases. Depois de horas jogando, principalmente tendo que voltar em níveis já visitados, você desejará nunca mais ouvir as músicas de "Trials Rising".

Com mais de uma centena de pistas muito bem construídas e uma jogabilidade simples no conceito, mas muito desafiadora e divertida de se dominar, "Trials Rising" mantém o que de melhor já foi mostrado na franquia. As novidades oscilam, com um tutorial brilhante, ideal para os novatos, e um sistema de progressão ruim, que atrapalha demais a parte divertida do jogo.

Nota: 8

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