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'Completo' desde o lançamento, "Marvel Vs. Capcom" acerta onde "SFV" errou

Divulgação/Capcom
Imagem: Divulgação/Capcom

Pedro Henrique Lutti Lippe

Do UOL, em São Paulo

18/09/2017 12h00

Em 2016, a Capcom mirou os jogadores competitivos, e lançou um "Street Fighter V" esquelético, sem nenhum dos modos que o público comum curte além do online. Errou. Até hoje, um ano e meio depois, o game não alcançou a marca das 2 milhões de cópias vendidas, que a empresa esperava quebrar em pouco mais de um mês.

"Marvel Vs. Capcom: Infinite" é uma correção de curso. O marketing deixa claro: este jogo vem, de fábrica, com uma campanha cinematográfica nos moldes de "Injustice", além de modos arcade, missão e treinamento, e uma série de bônus destraváveis.

É o que faltava: afinal, como "Street Fighter V", "Infinite" é um ótimo jogo de trocar porrada. Mas, diferente de "Street V", "Infinite" já está 'completo'.

Heróis e vilões saem no braço em "Marvel Vs. Capcom: Infinite"

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Seguindo a tradição da lendária série "Versus", "Marvel Vs. Capcom: Infinite" preza pela pancadaria em grupo. Os jogadores entram na arena no controle de duplas (e não mais trios) de guerreiros, que podem ser selecionados livremente a partir de uma lista de 30 heróis e vilões dos quadrinhos e dos games.

Apesar dos gráficos 3D, a ação ocorre no plano bidimensional. Personagens voadores e o comando de 'super salto', porém, dão às lutas muito mais verticalidade do que é comum no gênero.

"Infinite" muda muita coisa em relação a "Marvel Vs. Capcom 3", mas há uma constante: ainda trata-se de um jogo de luta para quem gosta de 'combar'. Quem é pego de guarda baixa pode ser carregado de um lado da tela para o outro levando porrada, mas a sensação de ser o algoz em um momento desses é deliciosa.

Mas vamos às novidades.

Game foi avaliado no PlayStation 4 - Arte/UOL Jogos
Game foi avaliado no PlayStation 4
Imagem: Arte/UOL Jogos

"Infinite" descarta o sistema de assistências de seu antecessor por uma mecânica chamada 'Active Switch'. Jogadores podem alternar entre os dois lutadores em qualquer momento do combate, inclusive durante saltos e no meio das animações de golpe. Com isso, a ação fica mais variada: quem é habilidoso consegue montar combos complexos autorais misturando os dois personagens.

A outra nova grande mecânica gira em torno das Joias do Infinito - os MacGuffins que movimentam o Universo Cinematográfico Marvel desde o primeiro "Thor". Antes das lutas, jogadores escolhem uma das seis pedras, que concedem diferentes habilidades.

Cada Joia do Infinito tem um poder de uso livre - o 'Infinity Surge' -, como o empurrão da Joia do Poder ou o teletransporte da Joia do Tempo; e um efeito especial - o 'Infinity Storm' -, que consome uma barra própria ao ser ativado e tem grande impacto no ritmo da ação. A Joia do Espaço, por exemplo, prende o rival em uma caixa que o impede de se movimentar livremente por certo tempo.

Divulgação/Capcom
Imagem: Divulgação/Capcom

O pacotão de novidades muda bastante o ritmo da série. As Joias do Infinito, em especial, servem como ferramentas para que jogadores iniciantes se defendam e até revidem em lutas contra quem é mais experiente.

Com tantas explosões e combos na casa dos dois dígitos, "Marvel Vs. Capcom" sempre foi uma experiência mais intimidadora para leigos do que "Street Fighter". E "Infinite" tenta mitigar esse problema com algumas medidas simples, como o acréscimo de um comando de 'auto combo' (pressione o soco leve várias vezes e o boneco conecta um combo aéreo básico) e um outro que ativa um especial ('hypercombo') que consome uma barra.

São atalhos que facilitam a vida de quem está aprendendo, mas que não chegam nem perto de serem vantagens no cenário competitivo.

Divulgação/Capcom
Imagem: Divulgação/Capcom

Pela primeira vez na série, "Infinite" mergulha fundo no conceito da colisão entre os universos Marvel e Capcom com o modo história.

Trata-se de uma experiência visivelmente inspirada por "Injustice" e "Mortal Kombat", em que combates contra outros personagens jogáveis e soldadinhos aleatórios são intercalados por cenas animadas nas quais coisas legais fora do controle do jogador acontecem. A trama passeia por cenários divertidos, como uma mistura entre os mundos de Pantera Negra e "Monster Hunter", e apresenta inimigos criativos, a exemplo de um simbionte fundido a um monstrão de "Resident Evil".

É claramente neste modo que a maior parte do orçamento de "Infinite" foi injetado - o que parece inteligente, já que o público está apaixonado por modos de história em jogos de luta, mas que me deixa com um gosto amargo na boca.

Isso porque "Infinite" parece fazer concessões demais na lista de personagens. Além de termos o menor número de lutadores na série desde o primeiro "Marvel Vs. Capcom", ainda precisamos lidar com o fato de que alguns deles são versões recauchutadas de bonecos com os quais ninguém se importa, como Haggar e Nathan Spencer.

Apenas cinco novos desafiantes aparecem no jogo, e três deles estão lá por mera associação com os filmes Marvel ("Vocês vão ter que me engolir," avisou a Capitã Marvel). E isso tudo sem falar na ausência dos X-Men, que foram empurrados para fora da franquia que eles ajudaram a criar por uma rixa entre executivos.

Divulgação/Capcom
Imagem: Divulgação/Capcom

"Marvel Vs. Capcom: Infinite" é um sopro de alívio para uma base de fãs que, por alguns anos, temeu nunca mais ver um game da série por causa de tretas contratuais. O jogo é bom e, ao contrário de "Street Fighter V", parece muito mais alinhado com os anseios das massas.

Mas o game também causa estranheza. Afinal, ele joga seguro demais para uma série que nasceu de um conceito absolutamente insano.

Torço para que dê certo, nem que seja só para que, na próxima vez, a empresa que um dia concebeu "Tatsunoko Vs. Capcom" tenha mais liberdade para ser doida de novo.