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XCOM: Enemy Within

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

02/12/2013 15h52

A Firaxis conseguiu tornar um dos melhores jogos de estratégia da atualidade em uma experiência mais profunda, ao adicionar novos elementos e unidades. A busca por um novo recurso torna as partidas mais movimentadas e seu uso rende uma camada adicional de decisões e microgerenciamento.

Seria fácil estragar o balanço delicado de "XCOM" com a adição de novas e poderosas unidades, mas a Firaxis mostra em "Enemy Within" porque é o maior expoente no cenário de jogos de estratégia ao dar complexidade e frescor ao jogo, sem deturpar seus melhores atributos.

"Enemy Within" é uma ótima porta de entrada para quem não conhece a franquia e um jogo obrigatório para os fãs veteranos.

Introdução

"Enemy Within" poderia ser muito bem apenas um DLC para o "XCOM" de 2012. De fato, no PC é possível adquirir o game como uma expansão por download, enquanto nos consoles PS3 e Xbox 360 é preciso comprar o jogo completo.

O game coloca você novamente como comandante da agência secreta XCOM, lidando com uma invasão alienígena sem precedentes. É preciso treinar soldados, gerenciar recursos - ainda mais agora, com a adição da matéria-prima alienígena XX - e encarar missões ao redor do globo, evitando o pânico mundial e aprimorando sua base e unidades.

Você conta com novas opções para sua tropa em "Enemy Within", com aprimoramentos físicos e psíquicos para os soldados e a construção de poderosas máquinas de combate. Gerenciar esse processo é um desafio a parte e perder uma dessas unidades torna a tensão da morte permanente, traço fundamental de "XCOM", ainda maior.

Pontos Positivos

Novos elementos de jogo

Em "Enemy Withim", a Firaxis incluiu um novo recurso para coletar nos mapas de "XCOM". A matéria-prima alienígena chamada 'Meld' é responsável por todas as mudanças deste jogo em comparação ao anterior "Enemy Unknown".

Coletar Meld durante as missões de campo é sempre um objetivo secundário, com uma quantidade limitada de turnos para ser realizado - o material se degrada se você não chegar até ele no tempo oferecido. Ele é usado na produção de MECs de combate e na implantação de componentes biônicos nos soldados.

A busca por Meld, por si só, muda a dinâmica do jogo: você deixa um pouco de lado a tradicional dobradinha "movimento" e "overwatch" de "Enemy Unknown" e passa a se mover mais em campo, explorando o mapa para conseguir o precioso recurso alienígena.

Na base, o Meld serve para criar novas camadas de planejamento estratégico e microgerenciamento: soldados podem receber melhorias biônicas, que resultam em mais precisão nos disparos, resistência ou capacidade de movimento superiores e até poderes psiquicos, por exemplo. Também pode ser usado na fabricação de robôs de combate poderosos, equipados com granadas, lança-chamas e pulsos eletromagnéticos.

O recurso é limitado e você deve decidir bem onde vai aplicar seus pontos de Meld entre as missões. E, mesmo quando você tem um soldado superpoderoso, ele ainda pode morrer permanentemente. O risco de perder todo o investimento por um descuido consegue deixar "XCOM" ainda mais envolvente e emocionante.

Para completar a lista de novidades, agora é possível atribuir medalhas para os soldados no quartel. Conforme progride no jogo, você ganha medalhas, escolhe o efeito de cada uma delas entre as opções disponíveis e então, determina quem vai receber aqueles bônus. Isso permite tornar dois soldados da mesma classe e nível diferentes, mesmo quando equipa as mesmas habilidades e arsenal em ambos.

Campanha reformulada

"Enemy Within" não é uma continuação para o "XCOM" de 2012. A história é tecnicamente a mesma, onde você é o comandante de uma agência internacional secreta encarando a primeira invasão alienígena em larga escala.

Mesmo assim, a Firaxis teve o cuidado de incluir novas cenas e elementos na narrativa, criando a sensação de que você está jogando outra história, ainda que bastante familiar para os veteranos da série.

A maior novidade é a entrada em cena de um novo inimigo, um grupo de humanos extremistas chamados 'Exalt'. Esses fanáticos acreditam que os alienígenas vão melhorar a vida da raça humana e devem ser protegidos.

Novos inimigos

Tanto os alienígenas quanto o Exalt trazem novidades significativa para o game, agregando frescor para as batalhas e exigindo novas táticas para garantir o sucesso dos seus soldados.

Os aliens contam com unidades robóticas inéditas, como os Seekers e os Mechtoids. A primeira é uma máquina voadora parecida com aquelas de "Matrix", cheia de tentáculos e capaz de ficar invisível. Seu ataque consiste em estrangular os soldados XCOM - ser pego em um canto isolado do mapa, sem suporte dos aliados representa morte certa em questão de turnos.

Os Mechtoids são a resposta dos alienígenas aos MECs da agência XCOM. São grandes e resistentes, com barras de energia maiores do que qualquer outra unidade. Seus ataques são feitos com canhões de ombro que podem disparar duas vezes por turno.

As batalhas contra os Exalt diferem bastante das lutas contra os invasores alienígenas: você encara unidades similares às suas, com snipers, fuzileiros e médicos inimigos, por exemplo. São times dotados de vantagens e estratégias variadas, como uma versão maligna dos soldados XCOM.

Pontos Negativos

Poderia ser uma expansão

Mesmo com tanto conteúdo inédito, "Enemy Within" reaproveita bastante coisa do "XCOM" anterior, inclusive todas as opções lançadas por atualização para o game apos sua chegada no final de 2012 e a campanha adicional "Slingshot".

Entre as opções importadas de "Enemy Unknown", existem as 'Second Waves', que permitem modificar o desafio do jogo, tornando a aventura ainda mais difícil. 'Damage Roulette' torna o dano de cada tiro aleatório, 'Red Fog' faz com que os atributos do soldado diminuam conforme os danos recebidos e assim por diante.

É bacana para quem não possui o game anterior, mas a impressão que fica é que "Enemy Within" poderia ser oferecido como uma expansão via DLC - coisa que acontece na edição para PC, por exemplo.

Faltam pequenos ajustes

Alguns detalhes que incomodavam em "Enemy Unknown" seguem intocados nesse novo "XCOM". A impossibilidade de escolher as classes dos soldados, embora acrescente um certo componente aleatório ao game, acaba trazendo problemas às vezes, quando demora demais para surgir uma unidade de determinada classe e seus antecessores já morreram.

Outro caso é o da cobertura exagerada que os alienígenas conseguem em alguns casos, mesmo quando estão claramente no campo de visão do soldado e com cobertura apenas parcial.

Nota: 9 (Excelente)

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