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London 2012

André Forte

do Gamehall

08/08/2012 10h00

O visual de "London 2012" é muito belo e representa bem cada modalidade, mas o que mais incomoda é a inconsistência na mecânica dos diversos esportes.

Enquanto em algumas modalidades o controle funciona de maneira inovadora e divertida, em outras simplesmente não passam de meras cópias de jogos mais antigos como "Decathlete", da própria Sega.

Por fim, falta ainda uma maior profundidade a cada tipo de prova, já que não há campeonatos separados para cada modalidade, fazendo com que o jogador nem se esforce tanto para conquistar a tão sonhada medalha.

No geral, parece que a Sega australiana parou no tempo. Sem dúvidas, "Decathlete" foi muito divertido em sua época, mas até por se tratar de um jogo de fliperama, sua falta de profundidade e mecânica repetitiva se encaixava bem. Agora, nos consoles domésticos, isso não é tão divertido. E mesmo os poucos esportes que se destacam positivamente não conseguem prender a atenção do jogador por muito tempo.

Introdução

No vácuo das olimpíadas de 2012 que acontecem em Londres, "London 2012" é mais uma aposta da Sega em jogos para a popular celebração mundial das modalidades esportivas.

Dessa vez, a turma de Mario e Sonic ficou de fora para dar lugar a atletas mais realistas e representações mais verossímeis dos esportes.

Ao todo são 45 eventos de 12 tipos diferentes de modalidades, que podem ser disputadas em modo solo ou em multiplayer off-line e online. Entre alguns exemplos, há o vôlei de praia, atletismo, natação e caiaque. Alguns são bem divertidos, outros, nem tanto.

Pontos Positivos

Visual belíssimo

Se há algo em que "London 2012" se destaca positivamente, isso certamente é o visual. Todas as modalidades, sem exceção, contam com cenários belíssimos inspirados nas diversas arenas e estádios londrinos.

Além disso, os atletas, apesar de não serem baseados em esportistas reais, contam com um visual bem satisfatório, texturas e luminosidades que simulam com perfeição os tecidos das roupas e movimentos formados por animações realistas.

Modalidades divertidas

Poucos esportes de "London 2012" se destacam pela criatividade na mecânica, suficiente até para salvar o jogo de um desastre total causado pela repetição e falta de ousadia da maioria.

Entre os bons exemplos está o arco e flecha, que exige concentração do jogador para mirar e ao mesmo tempo, calcular a possível trajetória da flecha de acordo com a distância e a força do vento.

Da mesma forma, o tênis de mesa e o caiaque fazem bom uso dos analógicos e se tornam boas opções mesmo para quem não tem Kinect ou PS Move.

Por fim, as provas que exigem movimentos sincronizados, como o de saltos ornamentais exigem que o jogador movimente as alavancas analógicas e aperte os botões no tempo correto para não dar barrigadas na piscina.

Pontos Negativos

O massacre de botões

A começar, uma reclamação: a presença do vôlei de praia agradaria muito caso sua física não fosse tão esquisita e a dinâmica das cortadas e bloqueios fosse tão lenta, sem grandes emoções. É até irônico que a própria Sega no passado tenha criado Beach Spikers para Gamecube, que é um dos mais divertidos e agitados jogos desse esporte lançados até então.

Agora, vamos ao que realmente incomoda: o massacre de botões. Torturar botões até pode ser divertido para jogadores mais novos, mas para quem já conhece essa receita em jogos de olimpíadas desde "Decathlon" do Atari, detonar esse acessório nos consoles atuais não é muito interessante.

Ao invés de repensarem a forma com que esportes de atletismo, ciclismo e natação são oferecidos ao jogador, os produtores optaram por seguir exatamente tudo o que estamos cansados de ver em jogos olímpicos desde os anos 80.

Resumindo, a receita é quase a mesma para tudo: aperte freneticamente os botões de forma intercalada e, quando necessário, relaxe um pouco para recuperar as resistências. Assim mesmo, no plural: a do atleta, a do seu dedo, e a do botão.

Falta de profundidade

Nem mesmo as modalidades mais legais, como o tênis de mesa e o arco com flecha devem divertir por muito tempo.

O motivo disso é simples: Não há um desafio maior para o jogador se manter competindo. Para ganhar uma medalha, basta um jogo simples, que geralmente dura pouco mais de 10 minutos.

Ou seja, não há um campeonato longo ou algo que prolongue a vida útil do jogo. E isso é muito pouco para representar de maneira fiel todo o sofrimento e desgaste físico que os atletas se submetem para levar a tão sonhada medalha de ouro ao seu país.

Online povoado, mas deficiente

Não fique muito empolgado ao perceber que durante uma partida de tênis de mesa você esteja ganhando por muitos pontos à zero. Seu adversário pode estar sofrendo sérios problemas de lag em que a bola muitas vezes some e aparece repentinamente em algum canto da mesa.

O mais curioso é quando a bola nitidamente chega a pingar na mesa , pula para fora e, quando você pensa que ganhou o ponto, a bola ressurge –do nada – na mesa de sue oponente e ele te surpreende com uma cortada fulminante. Isso acontece também em outros esportes coletivos, como o vôlei de praia, mas em menor escala também em partidas de natação.

É uma pena, pois no geral, as salas de “London 2012” são bem agitadas e repletas de jogadores interessados em disputar medalhas. E tendo em mente que esses são alguns dos esportes mais interessantes para se jogar online, boa parte da diversão está comprometida.

Nota: 6 (Razoável)