PUBLICIDADE

Topo

Gravity Rush

Claudio Prandoni

Do UOL, em São Paulo

11/07/2012 16h46

No árido calendário de lançamentos do PS Vita, "Gravity Rush" brilha como uma proposta original e divertida. O que não significa que o jogo não tenha alguns problemas irritantes: a mecânica de mudar a gravidade é desajeitada , os combates repetitivos e sonolentos e a cidade de Hekseville, ainda que charmosa, não tem muitos atrativos para continuar explorando.

Ainda assim, a longa aventura de Kat em busca de sua memória e a luta contra contra os monstros Nevi já desponta como um dos melhores jogos exclusivos - e originais! - do portátil da Sony.

Introdução

Em meio a tantas adaptações e novas versões para PS Vita de jogos já lançados para PlayStation 3, "Gravity Rush" apareceu como uma inusitada e bem-vinda proposta original. O jogador controla Kat, uma garota com o poder de mudar a direção da força da gravidade e, assim, andar pelos tetos e paredes.

O game apresenta um mundo aberto para explorar na forma da pacata cidade de Hekseville e missões em que Kat enfrenta estranhas criaturas das sombras e, aos poucos, vai recuperando fragmentos de sua memória perdida e descobrindo sua grande missão na aventura.

Pontos Positivos

Gráficos charmosos

Logo de cara, o que mais chama atenção em "Gravity Rush" é o lindo visual. Hekseville apresenta elementos que lembram steampunk e cidades da Europa no início do século XX, resultando em um estilo agradável.

Os gráficos usam também o filtro de cel shading, para conferir aspecto de desenho animado, e cores vibrantes e o PS Vita segura bem o tranco ao mostrar uma enorme cidade se espalhando com seus prédios, casas e cidades, sem quedas de velocidade, mesmo quando Kat transita rapidamente pelo lugar.

História agradável

Apesar de Hekseville ser aberta para explorar, com pequenas missões paralelas, "Gravity Rush" apresenta um enredo linear que, apesar de lento para evoluir, empolga e prende a atenção. Kat acorda sem memória alguma de quem é e, aos poucos, vai descobrindo seus poderes e objetivos conforme conhece novos personagens.

Diferente da maioria dos jogos de ação da atualidade, "Gravity Rush" apresenta uma trama leve, sem grandes correrias, lembrando mais um desenho animado e alternando assim entre fases de pura aventura e momentos mais engraçados e descontraídos. O desenvolvimento da história poderia ser menos enrolado, mas não atrapalha muito.

Mecânica inovadora

Em "Gravity Rush" é possível controlar a força da gravidade. Com um sistema de mira, você define onde a heroína vai pisar, podendo rapidamente pular do chão para o teto e depois as paredes e assim por diante.

O sistema é inovador e divertido, mas poderia ser melhor. Ao navegar grandes distâncias, o controle sobre Kat é impreciso e desajeitado - fica difícil saber se a moça está virando para o lado ou não ao fazer uma curva. Em contrapartida, a navegação por ambientes estreitos também se complica ao confundir às vezes onde Kat pode ou não pisar.

São todas limitações fáceis de serem contornadas, mas ao longo das cerca de 10 horas de jogo podem irritar. Uma eventual continuação poderia refinar esses aspectos.

Pontos Negativos

Raso e repetitivo

Mecânica criativa e gráficos encantadores ganham a atenção, mas "Gravity Rush" apresenta problemas que podem afastar o jogador a longo prazo.

Em primeiro lugar, os combates pecam por repetição em excesso. Os monstros mudam e ficam maiores e mais bizarros conforme a trama progride, mas o esquema pra vencer não muda: basta correr ou usar o poder de mudar a gravidade para dar a volta na criatura e descer a porrada.

Além disso, faltam mais atividades. Fora as missões principais, "Gravity Rush" apresenta missões especiais de corrida e combate. No primeiro tipo você deve navegar pela cidade passando o mais rápido possível por checkpoints, enquanto o outro coloca você para enfrentar ondas de inimigos, também com o objetivo de detonar todos no menor tempo. Como prêmio você ganha pontos de experiência para evoluir as habilidades da heroína.

Talvez, mais tipos de missões e variedade maior de colecionáveis (aqui há só cristais roxos espalhados pela cidade, usados para evoluir golpes e poderes) tirassem mais o jogo da rotina.

Nota: 7 (Bom)