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Prototype 2

Rodrigo Guerra

Do UOL, em São Paulo

02/05/2012 08h00

“Prototype 2” não é uma continuação banal e faz sentido no universo criado pela New Radical que, aliás, teve culhões de colocar o herói do primeiro como principal vilão. James Heller é um bom personagem e que incentiva o jogador se aprofundar em sua história.

Mas não é apenas a história de “Prototype 2” que foi bem trabalhada, mas sim as mecânicas de jogo que evoluíram muito bem e não deixam a desejar. Este é um game divertido e com missões diversificadas o suficiente para manter o jogador ligado por dias a fio. Recomendado para quem gosta de super-heróis nada convencionais e diferente do que aparece nos quadrinhos da Marvel e DC Comics.

Introdução

James Heller é um soldado nova-iorquino que volta para casa logo após saber que sua cidade na munido com fúria e desejo de vingança. Sua esposa e filha estavam em casa quando o vírus Mercer se espalhou pela cidade e agora são dadas como mortas.

“Prototype 2” é uma continuação genuína que traz tudo o que era bom do jogo de 2009 com melhorias significantes em mecânicas, navegação e, principalmente na narrativa. Este é um jogo de super-herói que ultrapassa as expectativas sem cair em muitos clichês típicos do gênero.

Pontos Positivos

Uma boa história

Quando “Prototype” chegou às lojas em junho de 2009, logo foi comparado com “Infamous”, outro “jogo de super-herói” que também havia debutado há pouco tempo. Porém, o game da Sony ofuscou seu principal concorrente, que sofria de problemas de narrativa, estrutura de missões e até mesmo gráficos.

Entretanto agora a história é outra. A New Radical, a desenvolvedora de “Prototype 2”, aprendeu com seus erros e entregou um jogo melhor acabado, principalmente na narrativa. Heller é um personagem mais crível, com motivações mais plausíveis e com ações mais condizentes à sua personalidade.

Ele tenta entender como é que a cidade acabou sendo encurralada pelos soldados do exército, os soldados da Blackwatch e os mutantes infectados pelo vírus Mercer. Acaba descobrindo que todos os lados têm uma parcela de culpa e que ninguém acaba sendo uma fonte 100% confiável.

Alguns aliados, como o amigo e conselheiro Padre Guerra ou Dana Mercer, irmã de Alex Mercer, realmente são importantes para o desenrolar da história e dar um norte para o ex-soldado.  Entretanto o mais importante foi a coragem da New Radical se desapegar de Alex Mercer e transformá-lo no grande vilão do jogo.

Essas características provam que a produtora quis mesmo mostrar uma boa história para quem está segurando o controle e se importa com o que está acontecendo nos arredores do protagonista.

Equilíbrio entre missões e poderes

Pela natureza dos poderes de Heller, “Prototype 2” não poderia ser um jogo menos sangrento. Sua principal habilidade é conseguir se transformar seu corpo em qualquer coisa, desde criar garras afiadas até transformar seu braço em uma espada gigantesca.

Com esses poderes, ele pode encarar monstros, tanques de guerra ou helicópteros. Conforme os poderes vão evoluindo desafios mais cabeludos são apresentados, como acabar com um monstro gigante ao mesmo tempo em que lida com o exército e as forças da Blackwatch.

Nem tudo pode ser resolvido só na base da pancadaria. Heller tem habilidades que o ajudam se locomover pelo cenário e até absorver qualquer pessoa e depois assumir sua aparência. Com isso, são dadas missões para entrar em bases e laboratórios para descobrir planos dos inimigos bem no estilo do filme “Missão Impossível”, mas acabam sempre com um banho de sangue.

Para ajudar no senso de evolução, a cidade de Nova York foi dividida em três zonas distintas, cada uma com um nível de infecção do vírus Mercer. Nas primeiras horas de jogo as missões furtivas são apresentadas com mais frequência, mas ao avançar no game, vão sendo apresentados chefes e até mesmo batalhas insanas.

Além disso, as missões ponto-a-ponto são menos frequentes do que no primeiro game e também são menos abertas que no primeiro “Prototype”, isso ajuda o jogador a manter o foco – algo muito bem-vindo nos games de mundo aberto.

As missões paralelas são divertidas e podem ser feitas mesmo depois do jogo. Além de serem divertidas e  variadas, elas proporcionam mais pontos de experiência e habilidades que podem ajudar na campanha principal do New Game+.

No geral para fazer todas as missões  e terminar a história principal não é necessário passar mais do que 15 horas em frente à TV. Mas fique atento, desafio de verdade só na dificuldade hard ou insane – a normal será como um passeio no parque para quem jogou o primeiro game.

Pontos Negativos

Paredes invisíveis

Mesmo que “Prototype 2” seja um game de mundo aberto, ele tem limites – e esses limites são impostos com paredes invisíveis. As zonas do jogo são determinadas por ilhas e não existe uma ligação direta entre elas. Para acessá-las o jogador deve necessariamente pegar um helicóptero em determinadas áreas. Caso você tente atravessá-las ir de uma a outra a pé, logo vai dar de cara com uma parede invisível ou mesmo com uma morte abrupta.

Câmera maluca

Em algumas situações de estresse você se verá com problemas para encontrar o foco da ação. Isso porque a câmera nem sempre funciona bem em espaços apertados. O pior problema disso é que a grande maioria das batalhas contra chefes justamente ocorrem em instalações da Blackwatch ou do exército – justamente em lugares que nem sempre oferecem as áreas mais abertas do game.

Além disso o sistema de trava de mira, essencial para usar armas, não é inteligente o suficiente para mirar no alvo mais próximo – e potencialmente mais perigoso.

Nota: 9 (Excelente)