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Sonic Generations

ANDRÉ FORTE

Colaboração para o UOL

09/11/2011 09h00

Graças ao primor técnico e escolhas acertadas dos produtores, "Sonic Generations" une o que de melhor aconteceu na série ao longo de seus 20 anos. A Sega foi muito feliz na escolha dos cenários a serem recriados e na forma eficaz como a mecânica é utilizada em cada um deles.

No final, a certeza é que "Generations" cumpre com louvor sua missão de agradar tanto aos fãs do Sonic antigo e gorducho, quanto aos fiéis jogadores da versão moderna e magrinha do herói. E por incrível que pareça, todos se divertirão na mesma intensidade do início ao fim do jogo.

Introdução

Lançado em comemoração aos 20 anos desde que o primeiro "Sonic The Hedgehog" ganhou os corações dos donos de Mega Drive, "Sonic Generations" tem o intuito de resgatar boa parte das experiências vividas pelos jogadores com a série ao longo dos anos. Seria a Sega capaz de unir tantos jogos de mecânicas tão distintas em um único jogo?

Pontos Positivos

Nostalgia na medida certa

"Sonic Generations" é ótimo para todas as gerações de jogadores. Enquanto o primor gráfico dos cenários e dos diversos efeitos visuais chama a atenção e afasta qualquer preconceito contra os jogos do passado, é para os jogadores mais antigos que o game reserva suas surpresas mais agradáveis.

"Generations" presta um belo serviço para os fãs, com extras que incluem canções clássicas de jogos antigos, uma infinidade de ilustrações, aparições de personagens até o momento esquecidos - como o camaleão ninja Espio, de Sonic Chaotix -, e uma série de outras inclusões clássicas da mecânica como o gritinho de "glub" quando o ouriço pega uma bolha de ar para respirar na água.

História divertida

Como unir dois Sonics em uma só história e fazer isso parecer normal? A Sega decidiu criar uma viagem no tempo causada pelo vilão Time Eater que, sem qualquer cerimônia, invadiu a festa surpresa do Sonic moderno e, de quebra, confundiu a cabeça de todos ao levar Sonic e Tails do passado para umas férias fora de seu tempo de origem.

O encontro dos dois Sonics com os outros personagens da série garante uma série de situações divertidas, como piadas sobre a juventude eterna do ouriço, a paixão descontrolada de Amy e até brincadeiras com a saliente barriga do herói nos tempos de Mega Drive.

Além disso, a modernidade fez bem aos cenários antigos, já que a trama bem amarrada revela detalhes antes não explorados. Na fase Chemical Plant de "Sonic 2", por exemplo, Tails diz a Sonic que o local lhe era "familiar" devido ao forte cheiro de gases, algo nunca antes dito sobre esse cenário. E essa é apenas uma das diversas curiosidades sobre os cenários clássicos da série.

A trama ainda consegue incluir dois dos chefões mais legais das duas fases da franquia: o robô gigante Death Egg, de "Sonic 2" e o monstro de água Perfect Chaos, de "Sonic Adventure".

Trilha sonora inspirada

"Sonic" sempre foi sinônimo de boas trilhas sonoras e nesse quesito, os fãs podem ficar tranquilos: "Sonic Generations" dá um show.

A começar, todas as fases contam com 2 estilos de música, dependendo do Sonic escolhido. Enquanto o moderno é embalado por canções geralmente tocadas em um rock pesado, o gorducho do passado tem trilhas de música eletrônica com direito até a remixes com chiptunes dos tempos do Mega.

Além disso, não faltam clássicos como a inesquecível trilha de "Green Hill Zone" e "Chemical Plant", até as mais modernas "Escape from the City", tema da fase City Escape de "Sonic Adventure 2".

Para complementar o pacote, os mais nostálgicos – e atentos -, notarão que a trilha da galeria foi extraída da coletânea para Sega Saturn, "Sonic Jam", enquanto a corrida contra o Knuckles em um dos desafios é o tema central de "Sonic R" do mesmo console, mas há uma infinidade de outras canções não menos memoráveis que complementam esse fantástico catálogo musical.

Mecânica variada

"Sonic" é essencialmente um jogo rápido e de mecânica variada. Pensando nisso, "Generations" manteve tudo o que era bom nas duas eras da franquia e uniu em um só pacote.

Enquanto as fases clássicas mostram progressão lateral do início ao fim e movimentos mais simples como o Spin Dash (arrancada enquanto parado) e Spin Attack (ataque com os espinhos), os estágios modernos mesclam visão em terceira pessoa e plataformas de progressão lateral com movimentos mais avançados, como o Homing Attack - em que ele pula de inimigo a inimigo para atingir locais mais distantes -, e o Sonic Boost, uma espécie de "turbo" que serve para planar sobre a água e destruir tudo o que aparece pela frente.

O interessante é que as mecânicas acontecem em fases tão distintas que é impossível se 'confundir' com os movimentos mesmo após muitas horas de jogo. Além disso, os controles respondem com eficiência e dificilmente deixam o jogador em apuros nos saltos de plataformas.

Fases inéditas

A versão para Nintendo 3DS não se limita a replicar a fórmula das versões maiores e brilha com recriações próprias de fases clássicas. Assim, encontramos aqui a Casino Night Zone (de "Sonic 2"), a Mushroom Hill Zone (de "Sonic 3") e a emblemática Emerald Coast (aquela fase com a baleia, de "Sonic Adventure").

Mesmo para quem já jogou de cabo a rabo as versões de PC, PS3 e X360, a edição de Nintendo 3DS chama a atenção por essas novidades.

B?´nus e multiplayer

Uma reclamação constante de quem jogou "Sonic Generations" é a falta de fases de bônus para coletar as famosas Esmeraldas do Caos. Para alegria da turma do portátil elas aparecem no 3DS, imitando o estilo de "Sonic 2" - um imenso tubo a percorrer com bolinhas para coletar.

As fases são fáceis, é verdade, mas ao menos fazem um trabalho melhor de homenagear o legado do ouriço, pontuado por estágios de bônus dos mais malucos, e ainda propicia uma boa variedade ao game.

Outra coisa que faltou nas versões maiores e aparece aqui: partidas multiplayer ao estilo corrida, como apareceu pela primeira vez em "Sonic 2", seja em rede local ou online.

Pontos Negativos

Ausência de multiplayer

Quem se divertiu com as corridas em tela dividida de "Sonic 2" e "Sonic 3" certamente sentirá falta de uma modalidade como essa, que não está disponível nem em multiplayer local e nem via internet.

A única função online de "Generations" mostra apenas um ranking de pontuação entre os melhores jogadores nos modos '30 Second Trial', um desafio de 30 segundos que premia os que chegam mais longe no cenário e 'Ranking Attack', que premia os melhores tempos de conclusão das fases. É muito pouco para uma série que já proporcionou muita diversão para 2 jogadores simultâneos.

Muito curto

A trama é legal, os cenários são muito interessantes, mas infelizmente, "Sonic Generations" tem um tempo de vida muito pequeno em seu modo história. No total, são nove fases, com dois atos cada, mas nem a caça pelas esmeraldas é feita em cenários próprios, já que as pedras são entregues após a finalização de chefes e de outros desafios.

Há uma série de desafios obrigatórios contra o relógio e tarefas específicas para Sonic, como terminar uma fase com a ajuda de Tails ou disputar uma corrida contra outro herói, mas a repetição exagerada de algumas delas faz com que a experiência não seja tão divertida e nem capaz  de manter o interesse do jogador.

Poucos chefes e sem busca por Esmeraldas

O clássico sistema de batalha contra os chefes após o fim das fases foi ignorado. São apenas 4 chefes no jogo todo, com destaque para Death Egg (de "Sonic 2") e o monstro de água Perfect Chaos, de "Sonic Adventure". Para compensar, há alguns sub-chefes, que Sonic enfrenta nas "Rival Battles", que são confrontos com rivais clássicos do ouriço velocista.

Outro detalhe que vai chatear os fãs de "Sonic" é a mudança no sistema de esmeraldas. Ao invés de buscar as pedras preciosas em estágios próprios - e geralmente com mecânicas diferentes do jogo normal - em "Generations" as esmeraldas são entregues ao herói após finalizar os chefões e cumprir alguns outros desafios.

Efeito 3D ruim

A leva mais recente de títulos para o 3DS apresenta um efeito 3D estereoscópico caprichado, que pouquíssimo incomoda a vista, mas este não é o caso de "Sonic Generations": o título se assemelha aos cartuchos de primeira geração do aparelho, embaralhando um pouco a vista na intensidade máxima.

Ao menos, ele acompanha bem o visual e ajuda a discernir os vários planos de elementos. Ou seja, com o efeito 3D ligado é mais fácil discernir o caminho a percorrer.

Chefes chatos

Além de fases, "Sonic Generations" para 3DS apresenta alguns chefes únicos - mas isso não quer dizer que seja uma boa notícia. A maioria apresenta mecânicas chatas e nada empolgantes, obrigando a repetir por quatro ou mais vezes esquemas que em nada aproveitam a velocidade do Sonic. Há também disputas de velocidade contra figurinhas conhecidas - como o Metal Sonic - mas de maneira geral basta sentar o dedo no botão de turbo e tomar cuidado para não bater nos obstáculos para se dar bem. Desafio zero.

Heróis muito parecidos

Nas versões maiores Sonic clássico e moderno são bem diferentes. Um tem fases tradicionais em 2D, outro tem estágios tridimensionais que mais parecem passeios de montanha-russa.

Aqui no 3DS a linha que os divide fica embaçada já que ambos possuem fases de progressão lateral. Para piorar, sabe-se lá por qual motivo o Sonic gordinho aprende a habilidade Homing Attack (aquele em que o herói mira automaticamente no inimigo mais próximo, investindo contra ele), um dos movimentos mais icônicos do Sonic moderno.

No final das contas, os dois ficam muito parecidos e não estranhe se, eventualmente, você tentar usar a habilidade de um quando estiver com o outro - e vice-versa.

Nota: 9 (Excelente)