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Uncharted 3: Drake's Deception

RODRIGO GUERRA e CLAUDIO PRANDONI

da Redação

03/11/2011 15h33

“Uncharted 3” mostra o retorno do aclamado game cinematográfico do PlayStation 3. A aventura de Nathan Drake consegue mais uma vez surpreender o jogador com belíssimos efeitos visuais, combates emocionantes e um modo multiplayer de arrebentar.

Por mais bacana que seja o game, não é possível deixar passar batido alguns problemas, principalmente com a localização, que tem palavrões de sobra e sendo que alguns são completamente gratuitos e ausentes na versão original.

O esmero da produtora do jogo e o nível de qualidade está muito acima do que vemos nos jogos de hoje em dia. No final das contas, “Uncharted 3” não surpreendeu tanto quanto o seu antecessor, mas digamos que ambos estão em pé de igualdade. É inegável que este é um jogo essencial para quem tem o console da Sony e um forte candidato a jogo do ano.

Introdução

“Uncharted 3” tem a difícil missão: superar “Uncharted 2”. Dá para ver que a briga aqui é das boas, pois estamos falando de um game que tem um forte apelo cinematográfico estrelando um dos protagonistas mais marcantes da atual geração de videogames. Desta vez o segredo é encontrar Ubar, a Atlantis do Deserto, mas no caminho Drake tem confrontar seu passado e da lealdade de seus amigos.

Pontos Positivos

Gráficos fantásticos

Parecia impossível, mas a Naughty Dog conseguiu mais uma vez fazer com que todos os limites conhecidos do PS3 fossem superados. Tudo em “Uncharted 3” é muito, muito bonito, cheio de detalhes e bem orgânico. Muitos dos “enfeites” dos cenários como cestas de frutas, tapeçarias e armaduras estão ali para transformar o ambiente mais natural.

A variedade de cenários também é bastante interessante, como um bar em Londres, um castelo na Síria, as ruas estreitas da Colômbia... lugares fantásticos que literalmente fazem o jogador viajar e conhecer novas culturas.

Andar por um cenário tão rico em detalhes pode parecer complicado, mas os produtores vão dando pequenas dicas do local que deve ser seguido. Às vezes isso é feito com pássaros empoleirados em fios, em outras é possível saliências que podem ser escaladas com uma cor um pouco diferente, mas sem destoar com o resto do ambiente. E se mesmo assim o jogador ficar perdido, o jogo vai mostrar o local que deve ser seguido depois de um tempo.

À primeira vista o jogo não parece ser muito melhor do que “Uncharted 2”, entretanto, os menores detalhes fazem a maior diferença. Os efeitos de luz, por exemplo, se mesclam com a jogabilidade seja ofuscando a visão, o que atrapalha o jogador, seja projetando as sombras dos adversários, o que dá ferramentas para calcular o próximo passo a ser dado. Tudo isso serve apenas para dar um aperitivo do que você encontrará no decorrer de 10 horas de jogo – e pode pegar um babador, pois será difícil não ficar com o queixo caído por todo esse tempo .

Em tempo, poucos jogadores vão perceber, mas existem alguns detalhes que foram mudados, como a cor dos olhos de Drake, que passaram do castanho para o azul. Um detalhezinho insignificante, mas mesmo assim curioso.

Trama evolvente

A história do jogo é muito emocionante e passa por diversos pontos como a lealdade de seus amigos, a ligação de Drake com Sullivan e a vilã do jogo, Marlowe. Sem estragar a história, dá para dizer que todos os amigos do protagonista aparecem e têm um motivo para ajudá-lo na aventura, sem forçar a barra. O game dá ainda a chance de conhecer os primeiros passos de Drake como caçador de tesouros - e isso é só a ponta do iceberg. O importante é que você saiba que “Uncharted 3” é um dos games mais emocionantes, não só pela porção interativa, mas também pelas cenas de corte que regem o jogo como uma orquestra muito bem afinada.

Mais variedade no combate

Os combates estão melhorados, seja na briga mano-a-mano, seja apontando um trabuco contra os inimigos. Agora Drake tem maior interação com o cenário. Durante a briga ele pega garrafas, usa cadeiras, pedras e quinas para acabar com a ameaça. Entre os novos truques de Drake está a possibilidade de puxar a granada que ficam nos cintos dos inimigos.

Os adversários também estão mais espertos, usam proteção, se esquivam de disparos e usam novas táticas para cercar Drake. A variedade também está em alta, pois agora existem três tipos de capangas, sendo que um cara gigante e lento, um que usa uma roupa a prova de balas e os capangas normais que morrem com poucos socos e disparados.

Ação de tirar o fôlego

“Uncharted 3” não deixa o jogador parar para respirar um minuto sequer. Quando não é uma cena de combate incessante é uma fuga ou perseguição que toma conta da tela. O jogador sente que está em um filme de John Woo ou  outro diretor de cinema que teima em colocar uma cena de tensão mesmo nas partes mais tranquilas, como a resolução de um puzzle em uma caverna tomada por aranhas assassinas.

Tudo é pensado para que o jogador não desvie sua atenção e com isso fique excitado a cada novo cenário a ser descoberto ou a cada tesouro coletado. E isso coloca o título como um dos favoritos jogos do ano de 2011.

Multiplayer variado e competente

Não foi só na campanha single player que a produtora Naughty Dog conseguiu refinar ao extremo a fórmula de "Uncharted 3": as partidas multiplayer mostram também um capricho sem igual.

Nada de revoluções ou grandes novidades, as palavras de ordem aqui são competência e variedade. Tal qual "Uncharted 2", "U3" apresenta combates tradicionais (cada um por si ou equipes).

Aqui há também partidas de caça ao tesouro, em que se deve pegar itens e levar aos baús e a adição de jogos no modo Arena - nada menos que a versão de "Uncharted" para o aclamado Horda, de "Gears of War". Trabalhando em equipe, o objetivo é vencer legiões de inimigos ou realizar outras missões - ou até mesmo enfrentando também outras equipes de jogadores humanos.

A qualidade de conexão é rápida e excelente - não tem mais aquela conexão super demorada como acontece no início do multiplayer de "Uncharted 2" - e ainda há grande variedade de opções de personalização, seja no visual do personagem ou armas e habilidades em uso.

Outro ponto empolgante das partidas online é que praticamente toda ação rende dinheiro e pontos de experiência. Ou seja, mesmo que você não seja muito bom de mira e no gatilho, saber se defender, auxiliar companheiros nos ataques e roubar tesouros também permite evoluir tranquilamente.

Para completar, o game privilegia também aqueles que tem outro colega para jogar em casa, permitindo multiplayer em tela dividida.

Pontos Negativos

Dublagem e palavrões de sessão da tarde

A Sony está se esforçando para trazer jogos localizados para o Brasil, mas isso não quer dizer que devemos fechar os olhos para alguns problemas como a qualidade duvidosa da dublagem do jogo e os erros de português nas legendas.

A primeira impressão é que os dubladores nem chegaram perto do jogo, não sacaram qual era a situação que estavam lendo os textos, por isso, muitas vezes a entonação da voz não combina com o que está sendo exibido na tela. Na verdade, muitas vezes a impressão é que eles estão mais lendo um texto do que interagindo uns com os outros.

Além disso, existem alguns pontos na localização para o português que merecem ser destacados, como a quantidade de palavrões, sendo exagerados e, em algumas ocasiões, desnecessários.

Outro ponto sensível está nas legendas, onde é possível ver que o também não existiu contato do tradutor com o jogo. Em uma passagem em específico, quando Nathan está acompanhado apenas por Elena ele fala para ela “Eu vou subir o muro e vocês se escondam”. Outros erros podem ser notados na tradução de expressões e gírias. Um exemplo é “I got it!” que foi traduzido como “Eu consegui!”, no lugar de “Saquei” ou “Entendi”.

Gráficos mais simples no multiplayer

As missões cooperativas são uma das adições mais legais de "Uncharted 3", conseguindo transportar o carisma dos heróis e as missões elaboradas do single player para o ambiente multiplayer.

Contudo, é triste ver como isso vem ao altíssimo custo de gráficos mais simples. Nesta opção, "U3" perde muitos de seus arrojados efeitos de luz, partículas e texturas e até os modelos dos heróis e inimigos ficam mais simples.

De maneira geral, a experiência é quase a mesma, já que os controles não sofrem alterações, mas quem se acostumou com o brilho da campanha single player vai estranhar bastante o visual simplificado aqui.

Nota: 9 (Excelente)