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Crisis Core: Final Fantasy VII

11/04/2008 19h30

"Final Fantasy VII", lançado em 1997 para o Playstation original, foi um dos RPGs de maior sucesso de todos os tempos e até hoje é lembrado com muito carinho por uma legião de fãs devotos. Eles são tantos na verdade que a Square-Enix resolveu revisitar o universo do jogo muitos anos depois, no que ela chamou de "Compilation of Final Fantasy VII", um apanhado de produtos relacionados como jogos para outras plataformas, um anime e até mesmo um filme para o mercado de vídeo, "Advent Children", que chegou a ser lançado no Brasil.

Nenhum desses títulos chegou a ser memorável e todos falharam em dois aspectos fundamentais: não conseguiram resgatar o clima trágico da aventura original e nem deram respostas às muitas perguntas deixadas pelo roteiro há mais de uma década. Felizmente, a Square-Enix conseguiu acertar neste "Crisis Core: Final Fantasy VII", um jogo honesto que apresenta uma mecânica fresca, com uma trama bem amarrada, que deve agradar não só os fãs da série.

Origens

Se você nunca jogou "Final Fantasy VII" e não sabe quem é Cloud, Tifa ou Sephiroth, saiba que o jogo é considerado um clássico, não só por suas qualidades técnicas na época, mas também pela forte presença de seus personagens. O roteiro era truncado, construído em volta de muitos clichês e situações comuns de RPGs japoneses, com muitos elementos inseridos sem maiores explicações. Mas de alguma maneira tudo funcionava bem pois o jogo conseguiu o mais difícil: fazer você se importar com os personagens. Todos, talvez sem exceções, eram extremamente carismáticos e era impossível não torcer pela vitória ou chorar pela morte de algum deles.

Animações ressaltam dramaticidade
Então vem a grande sacada de "Crisis Core", que conta uma história que se passa antes do original, focada na figura de Zack Fair, amigo de Cloud Strife, protagonista do jogo principal. A trama consegue, na maioria das vezes, explicar uma série de detalhes e motivações dos personagens de "Final Fantasy VII" e, o que é melhor, passando batidos por aqueles que não fazem idéia do que aconteceu no jogo de 1997.

Com os exageros típicos da Square-Enix, Zack é mostrado como um SOLDIER de segunda classe da Shinra, companhia de energia elétrica que abastece a cidade de Midgar. Ele e seu mentor Angeal são enviados em uma missão para investigar o desaparecimento de outros SOLDIERs e logo seu caminho cruza com o de Sephiroth, que em "Final Fantasy VII" se tornou um dos vilões mais amados da história do videogame. Ir mais adiante é querer contar detalhes que podem estragar boas surpresas dos fãs, mas é bom falar novamente que eles não se decepcionarão com as revelações da trama.

Nova mecânica

Ao contrário do que se espera de um jogo da grife, "Crisis Core" não funciona como um RPG tradicional. Ele é mais voltado para a ação, com tudo ocorrendo em tempo real. Mas os puristas não devem reclamar muito uma vez que os elementos clássicos continuam presentes como as magias tradicionais da série e o sistema de customização de Materias, que dão novas habilidades e poderes a Zack, que é o único personagem jogável.

Pense na ação como em "Kingdom Hearts", em que você ataca e se movimenta livremente, ao mesmo tempo em que gerencia suas outras habilidades através de um menu no canto da tela. Há ainda o Digital Mind Wave, um sistema que lembra uma máquina caça-níqueis que libera um ataque devastador contra o oponente.

Pequeno notável

Nunca subestime um "SOLDIER"
Mesmo para um jogo derivado, "Crisis Core" tem um clima de grande produção. Ele tem alguns dos melhores gráficos já vistos no portátil da Sony, sem grandes problemas técnicos. As únicas coisas realmente chatas são alguns momentos de loading entre as transições e a impossibilidade de pular as animações, que se tornam extremamente repetitivas e causam até certo desespero na segunda metade do jogo.

O áudio também segue o padrão de qualidade da série, com uma dublagem competente e temas imponentes, que pontuam a ação e o drama como poucos, com alguns temas remixados do jogo original, criados pelo célebre Nobuo Uematsu.

Mesmo em se tratando de um jogo para portátil, há bastante conteúdo no pacote. Além da história principal, o jogo conta com muitas missões paralelas e alguns minigames que, embora não sejam essenciais ou mesmo muito inteligentes, são suficientes para deixar os fãs ocupados por muitas e muitas horas.

Nota: 9 (Excelente)

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