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Prisão preventiva para magnata pró-democracia de Hong Kong

03/12/2020 21h43

Hong Kong, 4 dez 2020 (AFP) - O magnata de Hong Kong Jimmy Lai, figura de destaque na luta pró-democracia, foi colocado em prisão preventiva nesta quinta-feira (3), como parte de uma investigação por fraude, em um dos vários processos judiciais contra dissidentes e críticos de Pequim na ex-colônia britânica.

À noite, outra figura da oposição de Hong Kong, o ex-deputado Ted Hui, ameaçado de processo por sua participação em protestos em favor da democracia, anunciou que havia decidido "partir para o exílio", depois que um tribunal autorizou que participasse de uma conferência na Dinamarca.

Outros líderes pró-democracia já haviam fugido da repressão chinesa, o que não foi o caso de Lai, 73 anos, dono do tabloide "Apple Daily", conhecido por seu compromisso com o movimento pró-democracia e por suas críticas ao Executivo de Hong Kong, alinhado a Pequim.

Nesta quinta-feira, o empresário e dois de seus principais executivos, Royston Chow e Wong Wai-keung, compareceram a um tribunal por acusações de fraude. De acordo com os documentos judiciais, a sede do jornal seria utilizada para fins que não estariam previstos no contrato de aluguel do edifício.

Centenas de policiais realizaram uma operação de busca em agosto no edifício, incluindo a redação do Apple Daily.

Vários funcionários do grupo de comunicação, incluindo Lai, foram detidos sob suspeita de "conluio com forças estrangeiras", com base na lei de segurança nacional imposta em junho por Pequim na região semiautônoma. Até o momento, nenhum deles foi acusado formalmente com base nessa lei, mas há uma investigação em andamento.

- Na prisão -

Nesta quinta-feira, o tribunal que examinava as acusações de fraude rejeitou o pedido de fiança de Lai, mas concedeu o benefício a Wong e Chow, com a próxima audiência programada para abril. Isso significa que o empresário milionário, fotografado com as mãos algemadas, passará os próximos meses na prisão.

"Os Estados Unidos estão consternados com a perseguição política do governo de Hong Kong contra os bravos defensores da democracia", declarou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, sem anunciar novas punições.

Pequim aumentou nos últimos meses a pressão para retomar o controle da ex-colônia britânica, em particular com a lei de segurança promulgada em junho. Em 2019, Hong Kong viveu sua crise política mais grave desde a devolução para a China, em 1997.

Vários nomes importantes da oposição foram impedidos de disputar as eleições legislativas, adiadas em um ano, sob a alegação do risco relacionado à pandemia de coronavírus. Além disso, vários membros do Parlamento perderam seus mandatos, e o restante da oposição renunciou em solidariedade.

Dezenas de ativistas pró-democracia também foram acusados ou detidos. Ontem, três figuras de destaque do movimento em favor da democracia, entre elas Joshua Wong, foram condenadas a penas de prisão por sua participação nas manifestações de 2019. Lai também é processado por sua participação nessa mobilização, em um processo diferente do caso desta quinta-feira.

Há alguns meses, vários países ocidentais criticaram outra detenção de Lai, proprietário do grupo de comunicação Next Digital, e denunciaram um ataque à liberdade de expressão.

Os meios de comunicação estatais chineses consideram Lai um "traidor" e o apontam como o instigador dos protestos de 2019.

Lai chegou clandestinamente a Hong Kong com sua família, aos 12 anos, a bordo de um barco procedente de Cantão. Trabalhou em uma fábrica, aprendeu inglês e abriu o próprio negócio têxtil.

Após a repressão aos protestos de Tiananmen (Praça da Paz Celestial), em 1989, que, segundo ele, transformou sua visão política, Lai fundou a Next Media, em 1990.

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