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Por que é considerado racista escurecer a pele como Marina Ruy Barbosa?

Marina Ruy Barbosa escureceu a pele para publi de bronzeador e iluminador corporal - Reprodução/Instagram
Marina Ruy Barbosa escureceu a pele para publi de bronzeador e iluminador corporal Imagem: Reprodução/Instagram

De Splash, em São Paulo

14/12/2021 13h16

Marina Ruy Barbosa foi acusada de fazer blackface em uma foto na qual aparece com a pele mais escura para divulgar um bronzeador. Ela se defendeu dizendo que o produto "deixa a pele dourada e com iluminador", mas a polêmica continua.

Mas, afinal, o que é blackface e por que é ofensivo?

A prática é utilizada na Europa há muitos anos, e tomou uma nova dimensão nos Estados Unidos do século 19. Na época, atores brancos pintavam a pele com tinta escura para realizar os chamados "minstrel shows" (em português, "espetáculos de menestréis") — espetáculos de comédia baseados na ridicularização de pessoas negras.

Na época, o racismo já era apontado: em texto publicado em 1848, o autor abolicionista Frederick Douglass descreveu os espetáculos como "a escória imunda da sociedade branca, que nos roubou a pele que a natureza lhes negou para ganhar dinheiro e agradar aos gostos corruptos de seus colegas brancos".

As apresentações reforçavam estereótipos racistas utilizados para justificar a escravidão, retratando pessoas negras como preguiçosas, ignorantes, hipersexualizadas e criminosas. No entanto, o público branco assistia aos espetáculos com normalidade e humor.

Os espetáculos eram tão populares que influenciaram outras formas de arte: no século 19, quando a segregação impedia pessoas negras de acessarem os mesmos locais que os brancos, atores brancos utilizavam a mesma caracterização dos minstrel shows para retratar personagens negros.

Os estereótipos também tiveram sua influência na cultura brasileira: a Tia Anastácia, do "Sítio do Picapau Amarelo", é uma reprodução fiel da personagem "Mammy" presente em diversos espetáculos de menestréis. O arquétipo foi utilizado para criar a falsa narrativa de que mulheres negras escravizadas gostavam de realizar serviços domésticos para famílias brancas.

Diversas produções brasileiras também utilizaram o blackface nos últimos anos, sob protestos do movimento negro. Mesmo quando a intenção não é ridicularizar a população negra, a caracterização continua exagerando seus traços e reforçando os estereótipos racistas.