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OPINIÃO

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'Harry Potter': como a saga mudou a minha vida e moldou quem sou hoje

O trio principal de Harry Potter - reprodução/Warner
O trio principal de Harry Potter Imagem: reprodução/Warner

Fernanda Talarico

De Splash, em São Paulo

24/11/2021 04h00

"Harry Potter e a Pedra Filosofal" entrou na minha vida pouco tempo depois de chegar aos cinemas brasileiros, há 20 anos. À época, meus pais frequentavam uma determinada religião que não os deixava consumir nenhum tipo de conteúdo que envolvesse bruxaria. Com os meus 8 anos — quase 9 —, não entendia o porquê da decisão de banir esses títulos da minha vida, mas aceitava.

Por alguns desentendimentos, meu pai acabou se afastando da tal religião e, em 2001, pegou emprestado na biblioteca que frequentávamos o segundo título da saga, "Harry Potter e a Câmara Secreta". Ele não sabia que havia mais de um livro sobre o menino bruxo e pegou sem se ater aos detalhes. Tentei ler e, é claro, não entendi nada. Deixei de lado.

No entanto, em novembro daquele ano, "Harry Potter e a Pedra Filosofal" foi lançado e começou a ser assunto em todo o mundo. Por puro entretenimento familiar, fomos assistir ao filme no final de semana posterior à estreia. Era uma sessão à tarde, dublada, no shopping SP Market, na zona sul de São Paulo.

Ter a experiência de assistir a um filme como "Harry Potter" quando se é criança é um caminho sem volta.

Lembro que, assim como o pequeno Harry interpretado por Daniel Radcliffe, fiquei encantada com aquele mundo que estava sendo apresentado. Sonhava em fazer 11 anos e receber uma carta de Hogwarts para pode estudar magia e me tornar uma bruxinha tão inteligente quanto Hermione. Fantasiava em ganhar a taça de quadribol. Me imaginava jogando xadrez com Rony e passeando pelo castelo.

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Conseguia me ver representada por aqueles três meninos vivendo aventuras e descobrindo uma nova vida, que envolvia magia, poções, inimigos, perigos e laços de amizade.

Mas Harry Potter fez mais do que isso para mim.

Aos 9 anos, no entanto, eu já sabia que se tratava de uma história fictícia, é claro, mas a possibilidade de sonhar e imaginar como as coisas poderiam ser caso aquele mundo de bruxos fosse de verdade me levou por outros caminhos. Foi no Natal daquele mesmo 2001 que ganhei o livro "Harry Potter e a Pedra Filosofal". Li o mais rápido possível para uma criança da minha idade e, desde então, não parei mais.

Consumia tudo o que era lançado da franquia. Livros — os sete —, filmes — os oitos —, derivados, fanfics... Tudo (sem exceção) passava por mim. Mas, gosto de brincar que "Harry Potter" foi a porta de entrada para "coisas mais fortes" e, a partir do amor que eu desenvolvia pela franquia, comecei a me interessar por cinema e literatura no geral.

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Vinte anos se passaram e é impossível pensar na minha trajetória até aqui sem pensar em "Harry Potter". Trabalho com entretenimento porque lá atrás, fui apresentada à franquia do menino bruxo e, assim como ele, fui introduzida a um mundo de aventuras e novidades. No caso do personagem, o universo da magia; no meu caso, as diferentes histórias vividas ao consumir um produto cultural.

A importância da saga na minha vida está tatuada na minha pele com o símbolo das "Relíquias da Morte" — objetos relevantes para a trama do menino bruxo. Para mim, esta é a maneira de lembrar sempre que, se tenho um amor e uma curiosidade por este mundo mágico do entretenimento, a culpa é de "Harry Potter".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL