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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Se Joga tenta se reinventar como Vídeo Show semanal, mas deixa a desejar

A alegria de Fernanda Gentil na estreia do novo "Se Joga", agora aos sábados - Reprodução / TV
A alegria de Fernanda Gentil na estreia do novo "Se Joga", agora aos sábados Imagem: Reprodução / TV
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

06/03/2021 16h28Atualizada em 07/03/2021 14h07

"Pior que tá não fica", ensinou Tiririca na campanha eleitoral que o transformou no deputado federal mais votado do país em 2010. O lema parece ter servido de inspiração ao "Se Joga". O mal sucedido programa diário lançado em setembro de 2019 não tinha muito a perder ao promover uma reformulação total para voltar à grade da Globo em formato semanal, aos sábados.

Pouco sobrou do antigo "Se Joga". Do trio de apresentadores, só Fernanda Gentil continua na função. Fabiana Karla foi cuidar de outras coisas e Erico Brás foi encaixado numa função de "repórter" (o quadro que ele apresentou, totalmente encenado, ficou longe do campo da reportagem).

Gentil se consagrou como uma repórter e apresentadora de programas esportivos descontraída, bem-humorada e sagaz. Lendo teleprompter é apenas mais uma, sem maiores diferenciais. Neste novo "Se Joga", continua bastante presa ao roteiro, como ficou claro na entrevista sem maiores novidades com Sandy e seu marido Lucas.

O novo programa se parece mais ainda com o "Vídeo Show", atração que teve a responsabilidade de suceder. A pauta do primeiro episódio teve promoção de "Amor de Mãe" em dose dupla, resumo da semana no "BBB 21", divulgação de série no Globoplay e lembrança das novelas "Por Amor" (1997), "Estrela Guia" (2001) e "O Outro Lado do Paraíso" (2017).

Sobrou pouca coisa fora desta pauta de evocação da própria Globo. Um quadro chamado "Cartas na Mesa" colocou três pessoas dentro de um supermercado (???) respondendo a perguntas sobre assuntos aleatórios.

Reviver o "Vídeo Show" talvez seja o melhor caminho mesmo. Mas dá para melhorar bastante. Fernanda Gentil podia ter mais liberdade e a pauta sobre a própria Globo pode ser apresentada de forma menos burocrática e apressada. Nem mesmo o sempre divertido quadro com erros de gravação teve impacto na estreia.

A participação de Eliane Giardini e Suzana Vieira falando de mães de novelas apontou um caminho. Foi simpático e escapou do óbvio ao convocar os filhos das atrizes para falar sobre "loucuras" delas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL