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Mauricio Stycer

Volta de "Sex and the City" sem Samantha deveria se chamar só "The City"

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

13/01/2021 13h13

Volta e meia os fãs pedem a volta de séries muito queridas que já terminaram há anos. E a indústria, em crise de criatividade, dá corda para estes desejos embalados por saudosismo.

Foi assim, por exemplo, com a volta de "Gilmore Girls", em 2016, patrocinada pela Netflix. O serviço de streaming desenvolveu quatro longos episódios inéditos, protagonizados por Lorelai Gilmore (Lauren Graham) e sua filha, Rory Gilmore (Alexis Bledel). O título deixou claro o aspecto saudosista: "Gilmore Girls - Um Ano para Recordar".

A Netflix também é responsável (culpada?) pela volta de "Arrested Development", uma série cult, exibida originalmente em 2003 e cancelada em 2006, após três temporadas. O serviço de streaming resgatou a série em 2013 e não funcionou muito bem. Em 2018, uma nova leva de episódios foi lançada, igualmente sem maior repercussão.

Há anos lemos sobre planos (ou sonhos, melhor dizendo) de ver o sexteto de "Friends" reunido para uma nova safra de episódios. Em 2020, finalmente, a Warner anunciou que faria um especial, mas o projeto foi adiado por causa da pandemia de coronavírus. Gosto da série, mas espero, com todo respeito aos fãs, que este projeto seja cancelado.

O mesmo ocorre com "Seinfeld", "The Office" e tantas outras séries queridas. Em nome da minha memória afetiva, espero que esses projetos não vinguem.

Esta semana a notícia é a da volta de "Sex and the City". A HBO Max (Warner) anunciou o projeto "And Just Like That...", que vai seguir as protagonistas agora na faixa dos 50 anos. A série original, exibida entre 1998 a 2004, acompanhava as protagonistas em seus 30.

"Sex and the City" é um dos marcos da era de ouro da TV americana no início deste século. Por meio do quarteto de protagonistas, quatro mulheres independentes, mas muito diferentes entre si, abordou temas que a TV ainda não tratava de forma tão aberta.

A volta agora me parece uma péssima ideia. Prefiro uma reprise. Como disse, acho melhor guardar na lembrança a qualidade da série e das personagens no contexto da exibição original.

Sex and the city  - Reprodução - Reprodução
O quarteto de 'Sex and the City' em cena da série exibida entre 1998 e 2004
Imagem: Reprodução

Para piorar, Kim Catrall, a Samantha, não vai participar do projeto de reencontro. Apenas Sarah Jessica Parker (Carrie), Kristin Davis (Charlotte) e Cynthia Nixon (Miranda) estão envolvidas. Ora, como brincaram alguns fãs, "Sex and the City" sem Samantha é apenas "The City".

Na minha lembrança, a personagem de Catrall era quem encarnava de forma mais radical o mote feminista "meu corpo, minhas regras". Samantha fazia sexo com quem ela queria e não dava a menor bola para quem recriminasse as suas relações.