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Alok e Supla provam que Brasil deveria ter sua versão de Mortal Kombat

Mortal Kombat com lutadores brasileiros - Reprodução
Mortal Kombat com lutadores brasileiros Imagem: Reprodução
Kaerre

Kaerre Neto, 24 anos, é um farmacêutico generalista do interior da Bahia que em 2013 fundou o LDRV, um conjunto de 12 comunidades do Facebook fomentadas por pautas de cultura pop e histórias de vida dos seus próprios membros que possui um total de 3 milhões de adeptos. Por sua experiência em administração de comunidades, ele entrou na frente de Dark Social da SOKO, onde cria histórias de marca com potencial de mídia espontânea e táticas de influência por redes não rastreáveis. Devido ao seu background na área de biológicas, Kaerre sempre busca pautar comportamento para criar suas estratégias, usando da neurociência tanto para justificar a cultura quanto para tentar hackeá-la.

Colunista do UOL

17/07/2020 12h00

Como um bom internauta nacional, gosto de fazer as correlações mais improváveis que você pode imaginar. Já viralizei uma foto da Fátima Bernardes com legenda "cantora Enya", criei uma comunidade de humor com o nome Lana Del Ray Vevo (sigla para LDRV) e, em menos de um parágrafo da minha estreia no UOL, trouxe coisas legais que vocês podem não conhecer para poder fazer um paralelo de comparação comigo - que vocês provavelmente não conhecem.

Além de criador de conteúdos, como memes, eu sou curador. Isso significa que muitas das coisas que vocês vão ver nessa coluna não são exatamente criação minha, mas frutos das associações, perspectivas e paralelos malucos que eu formulo aqui nessa cabecinha de uma forma divertida, como você mesmo deve fazer com seus amigos, falando sobre os assuntos do momento em um grupo do WhatsApp, tipo este tema de hoje: brasileiros que seriam facilmente personagens de luta em videogames.

Mas o que é um personagem de luta?

Me refiro a todos aqueles que a gente escolhe para triunfar dentro de um jogo. De Street Fighter a Mortal Kombat, do Playstation ao Xbox, eles são as pessoas que salvam o dia com sangue, perseverança e muitos botões.

Os looks são um ponto alto para escolhermos nossos avatares. Eles precisam estar elaborados, para nos conquistar, e excêntricos, a ponto de poucos serem capazes de testá-los enquanto desfrutam presença em parques, restaurantes ou padarias.

Eles precisam dizer muito sobre personalidade, representar uma reação por si só e emanar uma energia agressivamente única daqueles que o interpretam. A prova foi uma foto viral dessa semana, a própria definição de "uma imagem vale mais do que mil palavras":

Afinal, existe algo mais Supla do que isso? Um personagem de game completo.

Supla e seu visual lutador - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Imagem: Reprodução/Twitter

A combinação cirúrgica de acessórios e linguagem corporal são essenciais para sanar os arquétipos majestosos que vemos desde crianças na nossa tela e que projetam atitudes que fazem parte da gente, ou pelo menos gostaríamos que fizessem, claro, dentro de uma seleção de personagens específicos?

...Como o sábio Doutor Estranho, do Universo Marvel, ou simplesmente o Alok servindo looks - Imagina uma luta dele com o Supla?

Você não pode dormir sem saber: o que ele está vestindo realmente virou uma versão real de uma Skin (nome dado a roupas virtuais) de um jogo muito popular, que você deve conhecer como Free-Fire.

Alok - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Alok e seu visual de lutador
Imagem: Reprodução/Twitter

A Joelma também foi outra que não escapou dos internautas em comparações. Podemos citar inúmeros pontos altos da cantora nos últimos meses, mas o maior deles com certeza foi o look icônico revelado momentos antes de entrar em sua primeira live durante a quarentena.

Mais misteriosa que isso? Ela daria um sticker perfeito para reagir a mensagens do zap.

Além de ousar figurino, outro traço muito marcante nos personagens de luta são suas personas fervorosas e encorajadoras. E quem melhor que Joelma e Supla para representarem isso? Personalidades sempre prontas para vencer todos os desafios e triunfar com coragem em seus objetivos com estilos e habilidades próprias.

E aí entramos na cereja do bolo: Thiê Rock!

Não conhece? Não se preocupe, virão outros prováveis desconhecidos em colunas próximas. Como disse, meu papel aqui também será apresentar muita gente que a internet consome, mas que não faz a menor ideia de onde vem, e contar um pouco dessa raiz maluca que são os memes, esclarecendo o que você provavelmente já viu vez ou outra na sua bolha digital.

Mas, voltando? Thiê é o vocalista da Banda Lion Hearts, responsável por um vídeo viral gravado em 2015 e revivido em plena pandemia, no qual ele convida os fãs para um show no Saloon.

O vídeo foi reproduzido inúmeras vezes, e conquistou pela sua atitude alto astral e desbravada. Eu já posso até ouvir o grito de guerra "HEY ROCKERS" depois de um fatality ou K.O., Vocês não?

Mas sabe um brasileiro que facilmente seria um personagem de luta? Eu. Baiano, que saí de uma cidadezinha 20 vezes menor que um bairro paulista, que me formei em Farmácia porque não fazia ideia do que fazer da vida, que atendi dezenas de velhinhos risonhos em um hospital antes de me descobrir como comunicador e vir parar em São Paulo. Aqui trabalho com publicidade junto a marcas que nem nos meus devaneios mais loucos sonhei em trabalhar. Daqui do meu cantinho, eu luto porque passo o tempo criando e espalhando felicidade e reflexão através de histórias como memes, tornando o dia de outras pessoas mais fácil e fluido, pessoas que também são personagens de luta. Talvez, não com roupas excêntricas e posturas "fashionistas", mas que lutam o dia inteiro, quebrando obstáculos e testando os próprios limites dentro de um país brasileiramente problemático, e que vão do feed do Instagram até a home da UOL em busca de uma pausa, um alívio, capaz de fazê-las sorrir antes de voltarem a travar suas batalhas únicas.

Enfim, este sou eu, que além de ter minhas próprias lutas, também espera, sinceramente, que você triunfe nas suas depois de ter me dedicado esse tempo livre de leitura. Sejam bem-vindos à minha coluna.

Dedico essa matéria a @cursedflavia que eu nunca nem vi e conversei na vida, mas que apareceu aleatoriamente na linha do tempo do meu Twitter com um conteúdo que me inspirou a escrever essa pauta.