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Marca de energéticos fantasma entra na F-1 e deve fazer time mudar as cores

Haas anuncia parceria com a Rich Energy para 2019 - Divulgação
Haas anuncia parceria com a Rich Energy para 2019 Imagem: Divulgação

Julianne Cerasoli

Do UOL, na Cidade do México (MEX)

27/10/2018 11h37

O dono de uma marca de bebidas energéticas obscura na Inglaterra e que já espalhou boatos de que tinha fechado um contrato com a Fórmula 1 e que estaria prestes a comprar a Force India acaba de ser confirmado como o novo patrocinador máster da equipe Haas. Mas o mistério sobre a Rich Energy e seu dono, Williams Storey, continua.

Segundo os dados publicados pelo governo do Reino Unido, a companhia de Storey tem pouco mais de 1,7 milhão de libras, somando-se os ativos tangíveis e intangíveis. E, em caixa, a empresa tem declaradas pouco mais de 500 libras, embora o comunicado distribuído à imprensa informe que a bebida é feita em instalações que valem mais de 50 milhões de libras. Apesar de os valores do negócio com a Haas não terem sido divulgados, todo o patrimônio da empresa representa cerca de um quinto do valor de um patrocinador máster geralmente cobrado por uma equipe média como a Haas.

Mas as histórias no mínimo estranhas que cercam a Rich Energy não param por aí. Mesmo dois anos depois de seu lançamento, a bebida não é comercializada na Inglaterra e a única maneira de comprá-la é por meio de seu website. No entanto, o UOL Esporte não encontrou registros de pessoas que tenham efetivamente sequer visto uma lata de Rich Energy, que declarou ao governo britânico ter tido uma média de três funcionários durante o ano de 2017.

Matemático de formação, Storey batizou a bebida energética de Rich em homenagem à região de Londres onde mora, Richmond. E o logo representa a cabeça de um cervo, animal comum nos parques do local. A bebida é anunciada como um energético "premium", que levou dois anos para ser desenvolvido, com produtos orgânicos. Ao jornal britânico "Telegraph", Storey disse que "entrou no meio das bebidas energéticas depois de encontrar um cientista maluco".

A relação com o automobilismo vem da paixão do britânico pelo esporte. "Acompanho a Fórmula 1 desde o final dos anos 80 e ando de moto todo dia", disse Storey ao Motorsport.com. "Lembro dos dias de Prost, Mansell e Senna, quando os pilotos tinham caráter de verdade. A Rich Energy tem a ver com um produto britânico de alta performance e não há nada com mais performance do que Fórmula 1, então a união faz sentido."

Não é de hoje que a Rich Energy tenta emplacar na F-1. Em dezembro de 2016, Storey anunciou que tinha fechado "um contrato multianual" com a Fórmula 1 "com uma marca de alcance mundial que nos comissionou com exclusividade para ser sua ponte no esporte, aconselhando ações já em andamento e maximizando o valor de mídia dentro da elite do automobilismo". Isso jamais se confirmou.

No começo deste ano, o britânico iniciou outro boato, de que estaria por trás de um grupo de empresários que compraria a Force India por 280 milhões de euros. Quantia muito superior ao que a Rich Energy declara ter ao governo britânico. O negócio, mais uma vez, esteve longe de se concretizar.

No paddock da Fórmula 1, o que se imagina é que Storey esteja tentando aumentar o valor de sua marca antes de ter efetivamente um produto. Porém, o caso parece semelhante ao da Leopard Energy Drink, que patrocinou equipes de ciclismo e de turismo, mas depois foi desmascarada como falsa. Ao invés de vender energéticos, a empresa servia como laranja para lavagem de dinheiro. E, para piorar, as contas demonstram que o patrimônio caiu de 2016 para 2017.

No México, onde a Fórmula 1 faz sua 19ª etapa neste final de semana, o chefe da Haas, Guenther Steiner, reconheceu que ainda falta alinhar detalhes com o novo patrocinador e disse que a pintura do carro vai mudar para a próxima temporada por conta da parceria. "Estamos trabalhando nos detalhes porque as coisas aconteceram muito rapidamente. Ainda há algumas coisas para acertar, mas as coisas estão indo bem e estamos animados para trabalhar com eles ano que vem."

A Haas vem em plena ascensão na Fórmula 1 e está lutando pela quarta colocação no Mundial de Construtores. O time é o "caçula" da categoria, tendo estreado em 2016. Antes de fechar com a Haas, Storey estava negociando com a equipe Williams.