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Pilotos veem ordens de equipe como mal necessário na Fórmula 1

Vladimir Putin entrega prêmio a Hamilton enquanto Bottas olha - Andrej Isakovic/AFP
Vladimir Putin entrega prêmio a Hamilton enquanto Bottas olha Imagem: Andrej Isakovic/AFP

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Suzuka (Japão)

06/10/2018 05h26

A ordem de equipe que decidiu o GP da Rússia continuou dando o que falar no Japão, onde Lewis Hamilton conquistou a pole position e largará na frente na corrida que tem largada às 2h10 da madrugada deste domingo, pelo horário de Brasília. Porém, mesmo com todas as críticas dos fãs, os pilotos foram unânimes na defesa à Mercedes, que pediu para Valtteri Bottas desistir da vitória para garantir mais pontos a Hamilton, que lidera o campeonato.
Até mesmo Sebastian Vettel, que viu o rival abrir 50 pontos com o episódio, apoiou a decisão da Mercedes.
“É muito claro. A Fórmula 1 é um negócio e também um esporte. Se você vence, tende a ter mais sucesso na pista e também em termos de negócio e isso está por trás de algumas decisões. Não é incomum que, em determinadas situações, você trabalha como uma equipe. Claro que é uma coisa que você não gosta de ver e não gosta quando acontece com você. Mas acho que é algo por que todos os pilotos já passaram em algum momento da carreira.”
Hamilton comparou o episódio com aquela que talvez seja a ordem de equipe mais famosa da história, quando a Ferrari ordenou que Rubens Barrichello abrisse passagem para Michael Schumacher no GP da Áustria de 2002.

“Lembro de assistir aquela corrida com Michael e Rubens e, como qualquer pessoa, senti por Rubens, que tinha feito uma boa corrida, mas, como piloto, sei como é preciso fazer para ganhar o campeonato. Enquanto, a curto prazo, seria bom para Rubens ganhar, no longo prazo, ele não tinha chance de ganhar o campeonato. Então temos de trabalhar como uma equipe para obter o resultado.”

Tal episódio chegou a fazer com que as ordens de equipe fossem oficialmente banidas, ainda que elas tenham sido usadas, de maneira codificada, em várias ocasiões. Após outra ordem famosa, também da Ferrari, para Felipe Massa abrir para Fernando Alonso no GP da Alemanha de 2010, a Fórmula 1 decidiu liberar de vez as ordens. E, para Hamilton, não há outra alternativa, já que sempre haverá um conflito de interesses entre a equipe e os pilotos. “Esse é o esporte mais incomum que existe no sentido de termos dois campeonatos. Ao invés de um esporte como futebol, em que todos trabalham para uma meta, aqui temos duas metas.”

Outro piloto que recebeu ordens de equipe durante o GP da Rússia foi Esteban Ocon. O francês disse que aceita ordens desde que exista uma razão.

“Quando elas são razoáveis e por um bom motivo, acho que são necessárias. Precisamos delas. Mas quando elas são bobas e não por um bom motivo, eu não entendo. No caso da Mercedes em Sochi eu entendo completamente. Sei que não é bom para os fãs e dita um pouco o resultado da corrida, mas já que eles queriam deixar Lewis mais sossegado na luta pelo título, era o que tinham de fazer.”

Também resignado com a situação, Bottas, que é terceiro no campeonato e está a mais de 100 pontos de Hamilton, reconheceu que a situação poderá se repetir nas cinco últimas corridas da temporada.

“Definitivamente poderia acontecer novamente. É claro que depende da situação. Saí da Rússia fortalecido em termos de confiança, sinto que fui o vencedor daquela prova e não vou deixar que essas coisas me atrapalhem emocionalmente.”

No Japão, Bottas vai largar ao lado do companheiro Hamilton na primeira fila. Depois da Ferrari errar na escolha dos pneus em uma classificação com períodos de chuva e sol, Sebastian Vettel vai sair só em nono.

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