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Fórmula 1

Como ligação despretensiosa fez piloto de 27 anos estrear na F-1

Do UOL, Austin (EUA)

21/10/2017 04h00

Imagine um piloto já com 27 anos, que foi demitido do programa de jovens da Red Bull no final de 2010, e que desde 2012 não pilotava um carro de fórmula. Não é exatamente alguém que esperaria ter uma chance na Fórmula 1, certo? Mas Brendon Hartley resolveu fazer uma ligação para o consultor da Red Bull, Helmut Marko, e se colocou à disposição. Poucas semanas depois, está fazendo sua estreia na principal categoria do automobilismo.

A aposta de Hartley fazia sentido: a Red Bull passa por um momento difícil em seu programa, pois emprestou Carlos Sainz para a Renault, tem Pierre Gasly dividido entre a F-1 e a Super Fórmula, campeonato que pode inclusive vencer neste final de semana, e vive um processo de separação litigiosa com Daniil Kvyat. Hartley, por sua vez, vinha tendo bons resultados no Mundial de Endurance pela Porsche, e com isso tinha pontos suficientes para manter sua superlicença como piloto de F-1.

“Estava um pouco de olho. Liguei para Marko para dizer que estaria pronto caso houvesse alguma chance, não acreditava realmente que iria dar certo. Já tinha pensado que o sonho tinha acabado há alguns anos”, revelou o neozelandês ao UOL Esporte em Austin, onde corre no lugar de Gasly neste final de semana. “Mas ao mesmo tempo sabia que estava pilotando em alto nível no Mundial de Endurance e melhorando como piloto, trabalhando com caras como Mark Webber e isso é algo que conta muito.”

Hartley é o primeiro a admitir, contudo, que não está totalmente preparado para assumir o cockpit da Toro Rosso. Nas últimas semanas, o piloto correu nos Estados Unidos e no Japão pelo WEC e, na volta, passou por Londres para fazer algumas horas no simulador da Red Bull antes de retornar à América. Seu assento só foi feito na quarta-feira já em Austin e o piloto conheceu seus engenheiros apenas um dia antes de entrar no carro para fazer os treinos livres.

“Liguei para ele porque sabia que eles estavam com poucos pilotos, mas liguei mais para ver se conseguiria um teste. Se eu achava que estaria aqui? Tenho que dizer que não”, disse. “Claro que sei o que fazer, porque correr é o que fiz nos últimos 20 anos da minha vida. Mas é claro que em termos de pilotar um carro de F-1 não estou preparado. Estou aqui para aproveitar a oportunidade e fazer o melhor trabalho que eu puder.”

Nos primeiros treinos livres, Hartley fechou na 17ª colocação, ficando a 1s2 do companheiro deste final de semana, Kvyat, em treino liderado por Lewis Hamilton.

Neste sábado, o neozelandês disputa a classificação a partir das 19h pelo horário de Brasília.

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