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Documentário sobre a São Silvestre honra a tradição da corrida em SP

Luis Augusto Símon

Do UOL, em São Paulo

24/12/2013 06h00

A São Silvestre já tem uma campeã em 2013. É a brasileira Lina Chamie, com seu documentário sobre a corrida, que será lançado no dia 27. Com 88 minutos, ele tem a participação do ator Fernando Alves Pinto e trata não só da corrida, mas de sua relação com a cidade de São Paulo, de quem é um dos símbolos. O título? “São Silvestre”, é claro.

“O filme é muito sensorial, é imagem e som”, define Lina Chamie. Não há diálogos, apenas uma ou outra frase-desabafo de Fernando Alves Pinto, que completou a corrida de 2011 em 1h47min. “Poderia ser bem menos tempo porque parei duas vezes para trocar o chip da câmera que eu carregava”. A câmera, de sete quilos, era presa em Fernando e colocada em frente a seu rosto , mostrando suas reações diante do cansaço, da corrida e da cidade.

Os corredores e a cidade são os coadjuvantes do ator, que é casado com a atriz Leticia Sabatella . Ou será o contrário, pois ele aparece bem menos?  Quem nunca viu uma São Silvestre saberá como é a corrida ao ver o filme. E quem já conhece a corrida vai saber, sem se cansar, como é correr a São Silvestre, com suas dificuldades, com o apoio dos torcedores, com o respirar cansado de quem não vê a hora de terminar o desafio.

“Não li a Divina Comédia de Dante , mas já sei como é transitar do Inferno ao Paraíso”, disse o ator, que surpreendeu a todos 20 dias antes da corrida ao se apresentar para os primeiros treinos vestindo tênis de rapper e bermuda de sarja. “Eles perguntaram se eu já havia corrido e eu respondi que apenas para  atravessar a rua, eles se assustaram, mas deu certo”.

Fernando se emociona ao falar do filme. “A Lina transformou uma corrida em um poema sobre a cidade. É maravilhoso”. Mas um poema, com música clássica e sem palavras, tem lugar no atual momento do cinema brasileiro, em que o sucesso é algo exclusivo de comédias com atores da Globo?

“Bem, uma vez eu caí de cinco metros de altura e quase morri. Mas estou aqui. Então, se todo mundo caminha por um lado, vamos na contramão, vamos buscar um espaço para cinéfilos e para quem gosta da São Silvestre”, diz Fernando.

Ele se refere a um acidente sofrido em 1996, quando participava da filmagem de Tônica Dominante. Ficou em coma por alguns dias e perdeu a memória. Durante a recuperação, teve aulas de clarinete com a diretora de Tonica Dominante. Depois de recuperado, voltou às filmagens em 1999. A diretora de então era Lina Chamie. O início de uma parceria que ela define de forma bem-humorada. “Fernando é meu ator-fetiche”.

O filme é todo instigante, mas tem algumas cenas marcantes. A câmera pega de muito longe a largada. Em vez de closes no rosto, o que se vê é a multidão multicolorida ganhando forma e movimento, como um balé urbano em meio à rua.

Também se destaca a cena quando os corredores passam em frente ao Pacaembu. A música se funde e depois dá lugar à narração de um gol do Santos. “Não é por acaso, sou santista roxa”, diz Chamie.

E há o final, libertador. Em todo o filme, as cenas de Fernando Alves Pinto são em preto e branco e com o rosto contrito . No final, quando termina a prova, passa a sorrir e ganha cor, ao som de música empolgante. Ali, fica a certeza que Lina Chamie ganhou a São Silvestre. Mas a São Silvestre também ganhou. Ganhou Lina Chamie e um documentário à altura de sua história.

INFOGRÁFICO

  • O percurso da São Silvestre - acompanhe os detalhes do percurso da prova

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