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Menina de 11 anos transforma lixo em arte na Paraíba

Maria Clara Oliveira, 11 anos - Acervo Pessoal
Maria Clara Oliveira, 11 anos Imagem: Acervo Pessoal

Ed Rodrigues

Colaboração para Ecoa, em Recife (PE)

23/07/2021 06h00

Maria Clara Oliveira tem 11 anos e já mostra jeito para educação financeira com sustentabilidade e valorização cultural. A estudante dá exemplo de como funciona o empreendedorismo consciente, reaproveitando materiais e transformando retalhos que iriam para o lixo em acessórios de couro. As peças são vendidas na comunidade onde mora, em Cabaceiras (PB), cidade a 190 km de João Pessoa (PB).

O interesse da menina pelo reaproveitamento de matéria-prima começou após Maria Clara participar de uma atividade pedagógica do projeto de educação financeira na escola onde estuda. Maria ficou fascinada por um jogo de tabuleiro que apresentava os caminhos para poupar e reutilizar recursos com foco em garantir o melhor resultado no fim da partida.

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Menina de 11 anos transforma lixo em arte na Paraíba
Imagem: Acervo Pessoal

Ela levou os conceitos da atividade para a vida. Ao observar o trabalho do pai, que é artesão, pensou em uma estratégia para reaproveitar as sobras de couro que seriam descartadas. Maria Clara transformou lixo em pulseiras e outros acessórios estilosos feitos por ela mesma à mão.

"Fui procurar uma pulseira em uma loja e achei muito cara. Aí, na oficina, vi um monte de couro que me pai jogaria fora. Pensei assim: meu Deus, quanta coisa vai para o lixo. Pedi para meu pai separar umas tirinhas, peguei outras sobras de material e fiz minha pulseira", contou Maria Clara a Ecoa.

Quando chegou ao colégio com o acessório, as amigas elogiaram e perguntaram onde ela havia comprado. "Eu disse que eu mesma tinha feito. Aí, começaram a encomendar. Percebi que poderia unir os aprendizados de reciclagem e reaproveitamento sustentável que aprendi na escola com a possibilidade de fazer uma rendinha para mim", disse.

Depois das atividades de educação financeira que ela teve no colégio, percebeu quanto desperdício havia na oficina de seu pai. "Aí pensei nos acessórios. Eu mesma penso as peças, mas tenho a ajuda do meu pai e de minha mãe. Meu pai me ajuda nos corte com a faca e minha mãe, na colocação dos preços", disse.

O negócio da estudante está prosperando. Ela tem uma página de vendas online e já recebe pedidos dos clientes do pai dela. "Tudo que dá para reutilizar, eu uso. Potinhos de requeijão, baldinho de margarina... Reaproveito tudo que posso e transformo em presilhas, tiaras, cordões e pulseiras. Eu imagino o modelo e começo a fazer", acrescentou.

A menina vislumbra um futuro dentro de negócios sustentáveis. "Espero fazer cursos e seguir aprendendo, vou estudar para estimular minhas ideias para essa área."

Segundo Marília Michele Oliveira, mãe da estudante, ela está mudando hábitos da família e influenciando seus parentes com dicas de reaproveitamento de materiais. "Maria Clara já mostra ao pai onde ele pode aproveitar materiais e ele tem respondido bem às observações dela. Maria já deu até dica para avó, que estava fazendo ovos de páscoa. Mostrou como ela poderia fazer com as embalagens etc. Eu notei esse interesse dela depois as atividades da escola", disse

Projeto Escolar

Rosilene Nunes Albuquerque de Oliveira é coordenadora de educação financeira na cidade de Cabaceiras e também embaixadora do Instituto Brasil Solidário, na Paraíba. A Ecoa, ela explicou que a cidade firmou parceria com o instituto em 2009 e que as ações foram tão significativas que a parceria continua até hoje.

"Em 2019, fomos convidados pelo IBS para fazer uma formação para a implantação da educação financeira com os jogos Piquenique e Bons Negócios. A Escola Maria Neuly Dourado já havia implantado o JEPP (Programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos pelo Sebrae com a Educação Empreendedora), que foi um sucesso", disse.

A educadora ressaltou que conhecimento é interdisciplinar, com várias habilidades de vários componentes curriculares. "O professor usa uma sequência didática, sempre com objetivos definidos porque o jogo não é um jogo de tabuleiro convencional, mas sim um jogo pedagógico onde o aluno aprende a poupar, economizar, tomar decisões, respeitar regras, além do próprio componente curricular. Os jogos também enfatizam a questão do meio ambiente, da sustentabilidade e principalmente da relação com o outro", destacou.