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Fernando Calmon


Fiat e Jeep vão anunciar motores 1.0 e 1.3 com turbo para 2020

Murilo Góes/UOL
Jeep Renegade, Fiat Toro e mesmo os futuros "baby Jeep" e SUV da Fiat poderão usar novos motores Imagem: Murilo Góes/UOL
Fernando Calmon

Fernando Calmon, engenheiro, jornalista e consultor, dirigiu a revista Auto Esporte e apresentou diversos programas de TV. Escreve às terças-feiras.

Colaboração para UOL Carros, de São Paulo (SP)

2019-05-14T13:58:49

2019-05-15T00:33:34

14/05/2019 13h58Atualizada em 15/05/2019 00h33

Resumo da notícia

  • Motor menor terá cerca de 120 cv
  • Motor maior vai gerar algo em torno dos 150 cv
  • Nenhum deles tira o conhecido E-torq de linha
  • Anúncio formal será feito na próxima semana
  • Ideia é aproveitar incentivos e cumprir exigências do "Rota 2030"

A FCA (Fiat Chrysler Automobiles) prepara grande anúncio para a próxima semana, em Betim (MG). Investimento tem cifras ainda secretas, mas servirá para entregar nova linha de motores com turbo, de três e quatro cilindros, não apenas para a marca Fiat, mas principalmente para lançamentos da Jeep. Havia dúvida entre importação dos componentes já montados ou a fabricação local, mas o martelo foi batido em favor da nacionalização.

A motorização turbinada não é uma implementação 100% nova: ela será derivada dos atuais aspirados Firefly de 1 litro e de 1,33 litro (este vendido comercialmente como "1.3"), mas com boas inovações em construção.

Assim, esses novos motores serão unidades sofisticadas e disponíveis para 2020. A fabricação dos novos motores vai acontecer em Betim. Espera-se que a unidade de 1 litro e três cilindros com turbo renda algo próximo a 120 cv, com torque na casa dos 20 kgfm -- algo próximo ao que a Volkswagen faz com a linha 200 TSI (128 cv, 20,4 kgfm com etanol), de Polo, Virtus, Golf e T-Cross.

Já o 1,3 l turbinado, quatro cilindros, tem dupla especificação, sendo que a inicial deve render mais do que na Europa, onde entrega 150 cv (gasolina). Também neste caso, alvo é o 250 TSI da Volks, que rende 150 cv e 25,5 kgfm. A mais potente, que deve ficar para o futuro, chega aos 180 cv e pode ser opção para a família Compass (o atual e o novo para sete passageiros).

Apenas para comparar a linha turbo com a aspirada, a família vendida como "1.0" (77 cavalos, 10,9 kgfm com etanol) equipa modelos como o Fiat Mobi, Uno e mesmo o Argo; já a "1.3" (109 cv; 14,2 kgfm com etanol) equipa Uno, Argo, Strada e Cronos, por exemplo.

Os novos motores também complementam a atual linha "1.8" (na verdade, 1,75 litro) de aspiração natural E-Torq, que gera até 139 cv e 19,2 kgfm com etanol. Atenção ao "complementam": mais barato de produzir (informações apontam um custo até 50% menor que o da linha turbo), o motor E-Torq não será tirado de circulação mesmo com a chegada dos novos motores turbo.

Hoje oferecido em modelos como Jeep Renegade e Fiat Argo e Toro, também receberá atualizações e continuará em linha no mínimo até 2023 -- quando seria retirado "a contragosto" por conta da regra para o novo Proconve L7 (Resolução Conama 490/2018), que vai vigorar em 1º de janeiro daquele ano. Porém, esta motorização 1.8 poderá seguir em exportação a outros mercados, mesmo que não atenda mais ao Brasil. Além disso, o motor 1.6 da mesma família também continuaria à venda em mercados com normas menos exigentes de emissões e consumo.

O que muda nos motores

Em relação à família Firefly, os novos motores com turbocompressor, terão novo cabeçote com quatro válvulas por cilindro e variação de fase, além de injeção direta de combustível. Estarão sintonizados à linha existente na Itália.

A Fiat investe ainda na tecnologia que controla a admissão de ar do motor, chamada pela empresa de MultiAir. Desenvolvido pela alemã Schaeffler sob denominação UniAir, trata-se de um sistema engenhoso, mas que não atraiu ainda outros clientes.

Essa estreia de novos motores está diretamente relacionada ao programa "Rota 2030", que estimula a fabricante a atingir níveis de consumo energético superiores à meta compulsória, mas dá benefício com prêmio de até dois pontos percentuais no IPI, justificando investimentos.

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