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Procuradora conta como amizade com colega virou agressão: 'Nos dávamos bem'

Procurador Demétrius Oliveira de Macedo foi preso após agredir a chefe da repartição de Registro Imagem: Reprodução/Redes sociais

De Universa, em São Paulo

01/07/2022 10h07Atualizada em 01/07/2022 10h34

A procuradora Gabriela Samadello Monteiro de Barros, agredida por Demétrius Oliveira Macedo, 34, dentro da Procuradoria-Geral de Registro, no interior de São Paulo, conta que já chegou a ser amiga do agressor, antes de ele manifestar seu comportamento agressivo contra ela e outras colegas de repartição.

Segundo ela, o comportamento antissocial do procurador ficou mais explícito depois que ele se tornou servidor público e foi alojado na Secretaria de Assistência Social, e não na de Assuntos Jurídicos, pela então prefeita da cidade. Alguns anos depois, quando uma mulher assumiu a liderança da pasta, o homem teria passado "a tratar todos mal".

"Fizemos o mesmo concurso para a prefeitura na cidade de Registro, no interior de São Paulo, lá se vai uma década. Ele entrou imediatamente e eu, dois anos mais tarde. Nos dávamos bem. Frequentávamos bares, participávamos de happy hours depois do expediente e chegamos a viajar juntos para a praia. Ele até conheceu meu pai. Os colegas diziam: 'Ele só fala com você'. Logo entendi o motivo para tamanho espanto. Demétrius se revelava aos outros uma pessoa de difícil trato, principalmente com mulheres", detalhou Gabriela em entrevista à Veja.

"Publicamente, claro, ele não passava recibo, mas tratava a todos mal. Não cumprimentava ninguém, vivia trancado em sua sala e só reclamava", relembrou a procuradora-chefe, ao descrever o comportamento do agressor.

Segundo ela, Demétrius chegou a pedir demissão do cargo depois da morte do pai, mas se arrependeu e pediu para voltar ao trabalho alguns meses depois, quando a colega já tinha se tornado a procuradora-chefe do município.

"Fui conversar com ele fazendo um aceno de paz. 'Somos uma equipe, vamos deixar as mágoas para trás', enfatizei. Ele não retribuiu o gesto, a gentileza, e o clima foi se deteriorando. Démetrius falava comigo por meio de ofício ou bilhetes. Até que destratou uma auxiliar administrativa, lhe questionando aos berros, depois de um delicado bom dia dela: 'O que aconteceu? Agora ficou educada?".

O caso que a procuradora relatou à revista é o de Thainan Tanaka, a primeira funcionária a denunciar formalmente para a chefe o comportamento "mal-educado" do homem — o que a motivou a pedir a abertura de processo formal contra o servidor.

"No momento em que ele viu no sistema que uma comissão para investigar o caso tinha sido instaurada, resolveu recorrer à incivilidade. Recebi socos na cabeça, por pouco não desmaiei. Achei que fosse apanhar até morrer. Um colega felizmente conseguiu contê-lo e outra me puxou para uma sala, passando a chave", relatou.

Gabriela destaca que decidiu tornar o vídeo da agressão público depois que entrou em um estado de "pânico" com as agressões, passando a ficar trancada dentro de casa.

Com a exposição do caso, o procurador acabou preso por tentativa de feminicídio.

"Espero que seja exemplarmente punido. Em pleno século 21, ainda persiste, sim, uma cultura machista em que as mulheres não podem estar no comando. E, se estão, correm o risco de ser alvo de barbárie e voltar para casa como eu. Com o olho roxo, cheia de hematomas pelo corpo, um corte na cabeça e muita dor, física e psicológica", completou.

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