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Irmã Dulce: quem foi a 1ª santa brasileira que pode dar nome a novo feriado

Irmã Dulce Imagem: Acervo Memorial Irmã Dulce

Camila Brandalise

De Universa

23/11/2021 11h33Atualizada em 24/11/2021 11h03

Primeira brasileira a ganhar o título de santa pelo Vaticano, em outubro de 2019, Irmã Dulce poderá ser homenageada com um feriado nacional a ser celebrado em 13 de março, dia de sua morte. O projeto de lei que institui a data foi aprovado pelo Senado e, agora, segue para votação na Câmara dos Deputados. Se aprovado, vai para sanção presidencial. A proposta de criação do dia de Santa Dulce dos Pobres é do senador Angelo Coronel (PSD-BA).

De acordo com a Agência Senado, o parlamentar desistiu da proposta na terça-feira (23) para "evitar impactos econômicos e dificuldades na aprovação da iniciativa".

Nascida em Salvador em 1914, Irmã Dulce foi canonizada há dois anos, quando se deu o reconhecimento do segundo milagre da religiosa, a cura de um homem cego que rezou pedindo ajuda dela e, na sequência, acordou enxergando. Dulce já havia sido beatificada em 2011, quando foi confirmado seu primeiro milagre, a salvação de uma mulher de uma hemorragia pós-parto.


Relembre fatos marcantes da vida de Irmã Dulce:


"Mulher frágil" indicada ao Nobel da Paz

Dulce tinha 1,50, era magra e franzina. Sua aparência era motivo frequente de comentários machistas e de desconfiança. Quando foi indicada ao Nobel da Paz pelo presidente José Sarney, em 1988, a carta enviada à instituição começava com a descrição de Dulce como "uma mulher frágil e determinada".

Ajuda aos pobres começou na adolescência

Embora tenha pedido ao pai para entrar para o convento aos 13 anos, só se tornou freira aos 19 Imagem: Acervo Memorial Irmã Dulce

Batizada Maria Rita e chamada de Mariinha pelos familiares, a religiosa ia estádio aos domingos para assistir aos jogos de futebol ao lado dos homens da família. Aos 13 anos, foi convidada por uma tia para ir à igreja com ela e, depois, acompanhá-la em visitas à casa de pobres e doentes da periferia de Salvador, para levar remédios.

A menina aceitou o convite e deixou o futebol de lado: seus domingos eram reservados para o programa religioso. Ela ficou tão impactada ao ver pessoas miseráveis, acamadas e esquálidas que decidiu ajudá-los mais ativamente.

Levava mendigos para irem comer em sua casa, no bairro Nazaré, de classe média. O pai, o dentista Augusto Lopes Pontes e professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia), pediu à filha que continuasse com o trabalho, mas longe da casa da família.


Tentativa de entrar para o convento aos 13 anos

Com 13 anos, Dulce pediu para entrar para o Convento de Santa Clara do Desterro, mas foi recusada por ser muito jovem. O pai também pediu à filha que esperasse um pouco.

Aos 19, se formou professora na Escola Normal da Bahia e, no dia da colação de grau, o pai quis lhe dar um anel de presente. Ela recusou a joia e pediu a bênção para se tornar freira, que foi concedida por Pontes.

Arrombava casas desocupadas para abrigar necessitados

Irmã Dulce arrumou briga com proprietários de casas desocupadas de Salvador. No fim dos anos 1930, levou um menino de rua que apareceu com febre no convento até o bairro de Ilha do Rato, onde sabia haver casas desocupadas.

Arrombou uma delas e o deixou descansando lá. Levou para o mesmo lugar uma senhora à beira da morte e um homem com tuberculose. Outros doentes apareceram e ela arrombou mais duas casas. Quando os proprietários a processaram, desocupou as casas e levou os doentes para a rampa do Santuário Senhor do Bonfim, dessa vez atiçando a fúria do prefeito. O local é famoso por ser lá onde são distribuídas as fitinhas do Senhor do Bonfim. "A senhora colocou ali as fezes desta cidade", disse o prefeito. "Aqueles a quem o senhor chama fezes são nossos irmãos". E foi obrigada a tirá-los dali em uma semana.

Transformou um galinheiro em hospital

A religiosa acolhia necessitados em um albergue montado por ela em Salvador Imagem: Acervo Memorial Irmã Dulce

Dulce precisava de outro lugar para abrigar os doentes e pobres que ajudava. Em uma visita ao Convento Santo Antônio, olhou para o galinheiro e pediu à madre superiora que cedesse o espaço para construir um centro de assistência. O espaço foi concedido, e Dulce pediu ajuda para todos que conhecia para construir o prédio.

Conseguiu colchões, camas de madeira, cobertores e lençóis e, depois da construção finalizada, acomodou ali 60 pessoas, a maioria sofrendo de câncer, tuberculose, gangrena e anemia. Ela só não tinha dinheiro para pagar por todos os serviços.

Em 1948, o então presidente Eurico Gaspar Dutra visitou Salvador e se encontrou com a religiosa. Na conversa, ela disse estar endividada com a construção do albergue e pediu ajuda para sanar a dívida de seis milhões de cruzeiros. O pedido de financiamento foi concedido em 1950 e ajudou a criar o que hoje é conhecido como Hospital Santo Antônio, um dos maiores da Bahia.

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