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Além da Síria: conheça armas químicas e biológicas já usadas em guerras

Protesto contra uso de armas químicas na Síria - LLUIS GENE/Reuters
Protesto contra uso de armas químicas na Síria Imagem: LLUIS GENE/Reuters

Aretha Yarak

Colaboração para o UOL

28/04/2017 04h00

Após o ataque sírio que matou 87 pessoas com gás sarin (ou substância similar), líderes mundiais convocaram esta semana todas as nações a colaborar com a tentativa de proibir para sempre as armas químicas

Com o acirramento dos ânimos no Oriente, o Japão declarou ter receio de que a Coreia do Norte lance mísseis equipados com algum tipo de arma química, estratégia que não é novidade do mundo moderno --apesar de acordos internacionais para eliminar seu uso.

Armas químicas e biológicas são usadas desde a Antiguidade. Em períodos de conflitos, não era incomum a contaminação de fontes de água, a dissipação de germes de doenças e o envenenamento do ar com gases como o cloro.

Para evitar que substâncias químicas e biológicas sejam usadas criminalmente, foram criadas a Convenção sobre Políticas de Armas Químicas e a Convenção sobre a Proibição de Armas Biológicas e Toxínicas – o Brasil é signatário de ambas. Os dois órgãos proíbem o desenvolvimento, a produção, a aquisição, a estocagem, a retenção, a transferência e o uso desse tipo de armamento.

De acordo com Camilla Gomes Colasso, gerente da área de Segurança e Saúde Ocupacional da Intertox, infelizmente, esse tipo de arma possui um baixo custo de aquisição. E, por ser mais simples de manusear, as químicas acabam sendo as usadas com mais frequência. “Como são de uso industrial, é mais fácil entrar em contato com essa substância.”

A seita Verdade Suprema, por exemplo, usou gás sarin nos atentados realizados no metrô de Tóquio em 1995, 13 pessoas morreram. Agentes químicos tendem a afetar as pessoas que estão na região do ataque – uma cidade, um vagão de trem, um prédio público.

“Já o biológico, dependendo do processo de contaminação, pode atravessar fronteiras”, comenta

Confira algumas das armas químicas e biológicas usadas em conflitos pelo mundo e saiba como elas agem no organismo:

Soldados alemães usam máscara durante Primeira Guerra Mundial - Reprodução/Wikicommons - Reprodução/Wikicommons
Soldados alemães usam máscara durante Primeira Guerra Mundial; Exército usava gás cloro
Imagem: Reprodução/Wikicommons

Gás Cloro

O que é: gás de coloração verde-amarelada com odor muito irritante

Ação: é agente sufocante, por causar secreção exagerada de fluidos dentro do pulmão

Sintomas: aperto no peito, ardor no nariz, garganta e olhos, vermelhidão e bolhas na pele e falta de ar. Duas horas após exposição pode resultar em lesão pulmonar aguda e edema pulmonar.

Arma de guerra: Foi usado na Primeira Guerra Mundial. Mais recentemete, usado internamente pela Síria e Iraque (2014) e na fronteira entre os dois países (2015). Em 2015, o Iraque fez uso contra os curdos do norte do país. Em 2016, o gás foi lançado de um helicóptero em Saraqeb, na Síria.

Bélgica (1915) - Em 22 de abril de 1915, perto da cidade belga de Ypres, a Alemanha usou 180 toneladas de ácido clorídrico contra as tropas inimigas na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O ataque causou intoxicação grave em 15 mil pessoas, 5.000 morreram. Dois anos mais tarde, em 13 de julho de 1917, outro ataque de gás mostarda, agente que causa bolhas na pele, foi disparado pela Alemanha. Cerca de 2.000 pessoas ficaram feridas, das quais 87 morreram - Reprodução/I5tube - Reprodução/I5tube
Vítima de ataque de gás mostarda na Primeira Guerra feito pela Alemanha
Imagem: Reprodução/I5tube

Gás Mostarda

O que é: agente irritante absorvido pela via respiratória e pele.

Ação: formação de bolhas na pele

Sintomas: edema nas pálpebras, danos na córnea, vermelhidão e sensação arenosa nos olhos; queimadura e dor severa na região ocular; eritema e queimaduras na pele; rouquidão, espirros, tosse, dispneia.

Arma de guerra: Guerra Itália e Etiópia (1935-36), Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-45), Guerra da Coreia (1950-53), Guerra Iraque/Irã (1981-1989), no Iraque (2016).

Gás Sarin

20.mar.2015 - Equipe de emergência participa de simulação contra ataque de gás sarin em estação de metrô de Tóquio, em ato para lembrar o 20º aniversário do atentado realizado no sistema de transporte da capital japonesa por membros da seita Verdade Suprema, que deixou 13 mortos e mais de 6.000 feridos - Kyodo/Reuters - Kyodo/Reuters
Simulação contra ataque de gás sarin em estação de metrô de Tóquio para lembrar aniversário de ataque que matou 13 pessoas e feriu 6 mil
Imagem: Kyodo/Reuters

O que é: um gás incolor e sem cheiro

Ação: age no sistema nervoso. É absorvido por inalação, ingestão, pelos olhos e pele.

Sintomas: contração das pupilas, salivação em excesso, sudorese, dificuldade respiratória, visão turva, náusea e vômito, espasmos e dor de cabeça. Sua principal ação, no entanto, é no sistema nervoso. Ele inibe uma enzima que age na musculatura, o que leva à paralisia muscular (e à parada respiratória e cardíaca).

Arma de guerra: Guerra Iraque/Irã (1981-1989), ataque terrorista no Japão (1994), ataque ao metrô de Tóquio (1995), guerra civil na Síria (2012), ataque na Síria (2017).

Agente Laranja

"World Press Photo 2010" -  A menina Nguyen Thi Ly, de 9 anos, sofre de deficiência causada pelo Agente Laranja (mistura de herbicidas usada como desfolhante pelos EUA na Guerra do Vietnã). Seu retrato ficou com o segundo lugar na categoria "Questões Contemporâneas" - Ed Kashi/VII Photo Agency - Ed Kashi/VII Photo Agency
A vietnamita Nguyen Thi Ly, de 9 anos, sofre de deficiência causada pelo agente laranja
Imagem: Ed Kashi/VII Photo Agency

O que é: originalmente, usado como um herbicida

Ação: mutação genética

Sintomas: pode causar linfoma de Hodgkin, leucemia linfocítica crônica, adenocarcinoma de próstata e malformação do feto em grávidas.

Arma de guerra: usado na Guerra do Vietnã pelos Estados Unidos.

Antraz

Antraz - Reprodução/Anthrax - eMedTV - Reprodução/Anthrax - eMedTV
Imagem: Reprodução/Anthrax - eMedTV

O que é: doença causada pela bactéria Bacillus anthracis

Ação: existem três tipos, o cutâneo, o gastrintestinal e o pulmonar (a forma mais grave)

Sintomas: feridas na pele; febre e dores abdominais; dificuldade respiratória e dores respiratórias

Arma de guerra: em 2001 e 2002, esporos de antraz foram enviados como pó dentro de envelopes para diversas figuras públicas americanas.

Peste

Peste bubônica, a forma mais comum da doença, afeta os nódulos linfáticos e causa gangrena - Public Health Image Library-CDC - Public Health Image Library-CDC
Peste bubônica, a forma mais comum da doença, afeta os nódulos linfáticos e causa gangrena
Imagem: Public Health Image Library-CDC

O que é: doença bacteriana (Yersinia pestis), normalmente transmitida por ratos

Ação: bubônica, pneumônica e septêmica, com sintomas de dois a três dias após a infecção

Sintomas: febre alta e dores nos nódulos linfáticos, seguido de pneumonia. Complicações podem levar à forma septêmica, que resulta em febre, calafrios, dores abdominais e hemorragia interna e na pele.

Arma de guerra: na Segunda Guerra Mundial, usada pelo Japão contra a China.

Varíola

Varíola - Reprodução/CDC - Reprodução/CDC
Imagem: Reprodução/CDC

O que é: doença grave causada por vírus. Apesar de erradicada na década de 1970, Rússia e Estados Unidos ainda possuem amostras em laboratório

Sintomas: aparecem de 12 a 14 dias após a infecção. Causa febre, desconforto geral, fadiga severa, dores nas costas, vômitos, manchas vermelhas no rosto, mãos, antebraço e tronco. Com o passar dos dias surgem bolhas cheias de líquido claro que se transformam em pus e, depois, crostas.

Arma de guerra biológica: Por britânicos no século 18 contra tribos indígenas da América do Norte

Ricina

O que é: proteína tóxica extraída da mamona extremamente letal

Sintomas: inicialmente, os sintomas são parecidos com uma gripe. Mas, em até três dias, vários órgãos entram em colapso e o indivíduo morre.

Arma de guerra biológica: foram conduzidos estudos para seu uso durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.


Fontes: Camilla Gomes Colasso, gerente da área de Segurança e Saúde Ocupacional da Intertox; Convenção sobre a Proibição de Armas Biológicas e Toxínicas (CPAB)