Topo

Ocorrido em maio, maremoto mais intenso até hoje é mistério para cientistas

Do UOL, em São Paulo

25/09/2013 06h00Atualizada em 25/09/2013 15h54

O mais intenso sismo submarino (fenômeno popularmente chamado de maremoto) conhecido aconteceu em 24 de maio deste ano, a 609 quilômetros abaixo da superfície da Terra, na costa da Rússia, mas suas causas permanecem um mistério para cientistas.

A ocorrência do maremoto é destaque de edição da revista Science divulgada na última quinta-feira (19). A publicação atribui ao fenômeno, ocorrido sob as águas do mar de Okhotsk, uma magnitude de 8,3 graus na escala Richter.

O choque entre placas que compõem a estrutura da Terra teria se dado a uma velocidade de 14.400 quilômetros por hora e, a mesmo com 600 quilômetros de rocha acima do ponto de choque, o tremor foi sentido em solo russo (contudo sem causar ferimentos a pessoas nem maiores transtornos).

Análise de dados sismológicos globais apontou aos cientistas que esse se tratou do maior maremoto já documentado, à frente de outro grande terremoto ocorrido na Bolívia, em 1994, que teve a mesma magnitude, mas que liberou menos energia.

"É o maior evento deste tipo que já vimos, muito similar a maremotos ocorridos em menores profundidades. É difícil compreender como ele teria ocorrido", diz o sismologista Thorne Lay, da Universidade da Califórnia, Santa Cruz.

Água x tipo de rocha

Uma das hipóteses é de que substâncias como água ou dióxido de carbono líquido tenham adentrado por uma fenda aberta anteriormente nas placas, lubrificando-as e intensificando a velocidade com que elas se tocam, permitindo um deslizar mais veloz e propiciando, assim, esse grande atrito entre elas. Entretanto, pesquisadores acham difícil que um líquido consiga penetrar tão profundamente, chegando ao ponto em que se deu choque.

Outra possibilidade aventada por cientistas remete ao tipo de rocha encontrado nessa profundidade da Terra, a olivina. Esse material passa por uma transformação mineral devido à enorme pressão do ambiente e acabaria, portanto, permitindo o contato de rochas com diferentes composições, sendo um gatilho para o maremoto.

Ambas as possibilidades vem sendo estudadas, mas há argumentos contrários às duas. Por isso, pesquisadores envolvidos na investigação do maremoto afirmam que mais pesquisas serão necessárias para apontar com exatidão as causas do sismo ocorrido no local. 

Mais Tilt