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Emoções podem ter papel no desenvolvimento do câncer, diz pesquisadora

Por Carla Prates

Especial para o UOL Ciência e Saúde

01/03/2011 07h00

Comum no imaginário popular, a relação entre as emoções e o surgimento do câncer é vista com mais cautela pelos médicos. Todos apontam os aspectos multifatoriais para o surgimento da doença. “Não se pode ter uma visão reduzida, não é só pelas emoções que alguém ficou com câncer, há outros fatores que implicam no surgimento da doença”, explica o psiquiatra Mario Alfredo de Marco, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

No entanto, evidências mostram que os sentimentos podem ser um fator importante no desenvolvimento da doença. Alguns estudos nessa linha estão publicados no livro “Psico-Oncologia: Caminhos e Perspectivas”, organizado pela psicóloga Carmen Maria Bueno Neme, pesquisadora na área da saúde e desenvolvimento humano da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.

“O estresse é atualmente reconhecido por seus efeitos imunodepressores e potencialmente relevantes para a gênese das neoplasias malignas (nome científico do câncer)", afirma ela no livro. “As pessoas interpretam e enfrentam os fatores de estresse de forma diversa e podem prolongar ou não sua exposição a esses fatores. Como conseqüência, pode manter ou não profundas alterações psicofisiológicas desencadeadas, como a imunodepressão."

Algumas pesquisas sugerem que a ação do estresse sobre o organismo humano pode provocar modificações funcionais em células, diminuição de linfócitos e de imunoglobina, atuando na redução das defesas do corpo.

As relações familiares e conjugais são as mais potentes geradoras de estresse, de acordo com pesquisas realizadas por Neme comparando mulheres com e sem câncer de mama, útero e ovários. “Também descobri nas pesquisas que as mulheres com câncer tinham mais dificuldade em lidar, resolver e superar mágoas, contrariedades (com filhos ou maridos drogados), perdas e culpas (por aborto, morte dos filhos), além de dividir sentimentos e emoções”, revela.

Portanto, para Neme, o mais importante é como lidamos com os eventos adversos da vida, pois isso determina nosso estado emocional, assim como pensamentos e sentimentos, agindo na manutenção ou não de fontes internas de estresse.

A pesquisadora, contudo, reconhece o caráter multifatorial das doenças. “Hoje já sabemos que a maioria das doenças é multideterminada e que há uma confluência de fatores (genéticos, biológicos, psicológicos, ambientais, alimentares, de comportamentos e hábitos, etc.) envolvidos em seu surgimento”.