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San Francisco cresce para o alto sob incessante ameaça de grande terremoto

30/01/2019 06h02

Marc Arcas.

San Francisco (EUA), 30 jan (EFE).- A cidade americana de San Francisco vive uma época dourada de desenvolvimento econômico que está mudando sua silhueta com edifícios cada vez mais altos, mas sofre com a ameaça de um grande terremoto, tanto que o possível desastre levou a Câmara Municipal a tomar medidas preventivas.

Essa cidade californiana, situada nas imediações da falha de San Andreas na qual coincidem as placas Norte-Americana e do Pacífico, tem 72% de possibilidades de experimentar um terremoto de pelo menos 6,7 graus de magnitude antes de 2043, segundo estimativas do Serviço Geológico dos Estados Unidos.

"Sabemos que o próximo grande terremoto ocorrerá a qualquer momento e temos que trabalhar a cada dia para estarmos preparados para quando acontecer", disse a prefeita da cidade, London Breed, ao anunciar um novo pacote de medidas destinado à prevenção de danos diante de catástrofes sísmicas.

Apesar do risco permanente de um terremoto maior, San Francisco e seu entorno vivem um dos períodos mais prósperos da história graças à indústria tecnológica, o que levou dezenas de milhares de pessoas a se mudar para a região, com o consequente encarecimento do preço da moradia.

Para responder ao enorme aumento da demanda em uma cidade que não pode crescer mais em largura (San Francisco se encontra rodeada pelo mar a oeste, norte e leste, e por montanhas ou outros municípios ao sul), muitos sugerem crescer para o alto, embora isso implique em perder parte de sua histórica imagem como cidade de casas unifamiliares de estilo vitoriano.

Os edifícios de apartamentos de vários andares se multiplicaram durante os últimos anos, onde antes só existiam casas de apenas dois ou três níveis, e no ano passado foi inaugurada no centro uma torre de escritórios de 326 metros, a mais alta da cidade e que mudou substancialmente o perfil da mesma.

Trata-se da torre Salesforce, que abriga, entre outras, as sedes sociais desta próspera empresa tecnológica, o que a transformou em um símbolo perfeito da evolução vivida por San Francisco nos últimos tempos.

O colossal edifício se transformou também no representante de uma preocupação perene dos habitantes desta cidade: o que ocorrerá com os edifícios altos se houver um terremoto? Estão suficientemente protegidos?

Para tentar tranquilizar a população, a prefeita emitiu na semana passada uma ordem executiva para que várias agências do município elaborem um guia atualizado que indique "à cidade, às suas empresas e aos seus moradores" o que é preciso fazer para minimizar o dano de um sismo maior e garantir uma reconstrução completa.

Breed pediu especificamente aos seus subordinados que se centrassem na segurança dos edifícios altos, diante da expectativa de que a atual tendência de construção aumentará nos próximos anos, e que delineassem planos relativos a como avaliar danos nestas construções depois de um terremoto.

"Quero assegurar que as nossas áreas mais densamente ocupadas estejam tão preparadas quanto for possível e que nossos departamentos, empresas, grupos comunitários e residentes estejam prontos para responder", ressaltou a prefeita.

Uma das notícias que causou mais alarme durante os últimos anos na cidade foi quando, em 2016, uma inspeção revelou que a torre Millennium, construída em 2009 e que com seus 197 metros de altura é o edifício residencial mais alto da cidade, estava afundando e inclinando.

Os inspetores encontraram problemas nos alicerces do edifício de 58 andares que tinha afundado quase meio metro e inclinado 35 centímetros para o oeste, o que, além de gerar indignação entre os residentes do imóvel e da região próxima, aumentou os temores sobre o que ocorrerá em caso de terremoto. EFE