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Maconha provoca 'inflamação' em área do cérebro que cuida dos movimentos

24/06/2013 10h55

Um grupo de pesquisadores da Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona, na Espanha, afirmou ter descoberto o mecanismo cerebral que altera a coordenação motora pelo consumo crônico de cannabis.

O estudo, que foi publicado nesta segunda-feira (24) na revista Journal of Clinical Investigation, demonstra que a exposição crônica à principal substância psicoativa da cannabis, o delta9-tetrahidrocannabinol (THC), ocasiona uma inflamação no cerebelo, a área do cérebro que coordena os movimentos e é responsável pela aprendizagem motora.

Segundo explicou à Agência Efe um dos pesquisadores do projeto, Andrés Ozaita, até agora se sabia que o consumo crônico da maconha causa uma diminuição dos receptores de cannabis que estão presentes em quase todas as partes do cérebro e realizam funções diferentes.

Com esta nova pesquisa foi possível demonstrar que esta diminuição dos receptores provoca um "ambiente neuroinflamatório" no cerebelo, já que ativa a micróglia, um conjunto de células consideradas o "sistema imunológico" do cérebro.

A micróglia, que normalmente está latente, é ativada perante o THC do mesmo modo quando há um dano cerebral, produzindo uma inflamação que impede o correto funcionamento do cerebelo.

O estudo da Universidade espanhola foi realizado com ratos de laboratório que, após a exposição à cannabis, manifestaram problemas "leves" de coordenação motora, segundo explicou Ozaita.

Estes danos são reversíveis porque a pesquisa demonstrou que quando é interrompido o consumo de cannabis e são utilizados fármacos inibidores da micróglia, os problemas de coordenação motora reduzem ou desaparecem completamente.

Segundo os cientistas, este mecanismo cerebral poderia funcionar igualmente com os humanos já que foi demonstrado que o consumo crônico elevado de cannabis gera, também, problemas de coordenação fina e um diminuição do número de receptores de cannabis, de modo que o único que falta demonstrar é que a micróglia é ativada também.

O trabalho de investigação foi elaborado pelos cientistas Laura Cutando, Arnau Busquets-Garcia, Emma Puighermanal, Maria Gomis-González, José María Delgado-García, Agnès Gruart, Rafael Maldonado e Andrés Ozaita.

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