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Cansaço e estresse afetam desejo sexual masculino, diz pesquisa

Homens entre 30 e 39 anos são os que mais reconhecem a diminuição do desejo (24,1%) - Getty Images
Homens entre 30 e 39 anos são os que mais reconhecem a diminuição do desejo (24,1%) Imagem: Getty Images

Em Lisboa

14/01/2013 21h01

O cansaço e o estresse no trabalho são as causas que mais minam o "mal compreendido" desejo sexual masculino, segundo um estudo realizado por pesquisadores europeus e apresentado em Lisboa, capital de Portugal.

A pesquisa, feita a partir de entrevistas pela internet com 5.255 homens heterossexuais em países de "grandes diferenças culturais" (como Portugal, Croácia e Noruega), oferece dados empíricos sobre um campo dominado por mitos, explicou Ana Alexandra Carvalheira, coordenadora do estudo.

"Estamos cheios de crenças, por exemplo, de que o homem está sempre pronto ou que tem mais desejo sexual que a mulher; assim a sociedade acredita, apesar de não haver avaliações científicas suficientes para dar aval", declarou.

Após o cansaço e o estresse, os problemas na relação (casais pouco disponíveis, conflitos, entre outros) são os fatores mais comuns para 14,4% de entrevistados, que admitiram falta de desejo sexual durante pelo menos dois meses no último ano, o que gerou situações como ejaculação precoce ou, sobretudo, incapacidade para manter a ereção.

Por grupos de idade, os homens entre 30 e 39 anos são os que mais reconhecem esta diminuição do desejo (24,1%), um caso que, segundo Ana, se explica por se tratar da época em que mais eventos estressantes se concentram. 

"Nesse período da vida é quando se casam, têm filhos, se divorciam ou realizam um maior investimento na carreira profissional", afirmou a pesquisadora que também é presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica.

Do lado oposto, apenas 10% dos homens com mais de 60 anos reconheceram perda de interesse sexual, seguido do grupo entre 18 e 29 anos (16,7%), de 50 a 59 (21,4%) e de 40 a 49 (21,5%).

De acordo com a pesquisadora, que realizou o estudo junto com Aleksandar Stulhofer, da Universidade de Zagreb (Croácia), e Bente Traem, da Universidade de Oslo (Noruega), a crise econômica pode afetar a vida sexual masculina ou encontrar no sexo "a maneira de aliviar o estresse que ela produz".

Além disso, a especialista portuguesa encontra na banalização do papel do sexo na sociedade um aspecto que condiciona muitos destes fatores, como a diminuição do desejo em casais de longa duração, razão também presente no estudo junto com a masturbação excessiva ou o uso de muita pornografia.

"O erotismo é o que mobiliza o desejo, é o motor e desaparece com a banalização do sexo. Temos que 're-erotizar', colocar mais erotismo em nossa vida individual e em nossa relação de casal", aconselhou Ana. Mas, ela admite, isso requer um esforço que "não é igual para todo mundo".