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Cientistas que descobriram o grafeno vencem Nobel de Física

Andre Geim e Konstantin Novoselov são professores da Universidade de Manchester - AP
Andre Geim e Konstantin Novoselov são professores da Universidade de Manchester Imagem: AP

05/10/2010 10h26

ESTOCOLMO, 5 outubro 2010 (AFP) - O Prêmio Nobel de Física de 2010 foi atribuído nesta terça-feira a dois cientistas de origem russa, o holandês Andre Geim e o russo-britânico Konstantin Novoselov, que com um pedaço de fita adesiva e um lápis comum e corrente descobriram o grafeno, uma forma revolucionária do grafite, que promete transformar a eletrônica.

A partir de um elemento tão comum como o grafite, encontrado nos lápis, Geim e Novoselov isolaram o grafeno, um novo material que "supera consideravelmente em rapidez os transistores clássicos de silício, o que permitirá fabricar computadores mais eficazes", explica o Comitê Nobel da Academia de Ciências da Suécia.

"Como é praticamente transparente e bom condutor, o grafeno é compatível para produzir telas táteis (touch screens), painéis luminosos e talvez também captores de energia solar", destaca o comunicado.

O grafeno é uma forma de carbono, que é o melhor condutor de calor conhecido até o momento.

Novoselov, 36 anos, e Geim, 51, nasceram na então União Soviética e são professores na Universidade de Manchester, Grã-Bretanha. O primeiro tem passaporte britânico e o segundo cidadania holandesa.

Sob o impacto da notícia, Novoselov, um dos mais jovens vencedores da história do Nobel, ainda não comentou a notícia.

Geim declarou a um canal de televisão sueca que a notícia do prêmio não vai alterar seu dia a dia.

"Vou para o trabalho. Meus planos não mudaram", declarou o físico.

Em um artigo publicado em 2004, Geim e Novoselov anunciaram a descoberta de um novo material bidimensional, reduzido à espessura de um átomo, composto por uma lâmina única de grafite com uma estrutura de colmeia.

Ao contrário de outros materiais bidimensionais conhecidos até o momento, o grafeno apresenta propriedades físicas que o tornam muito resistente, embora flexível, e um excelente condutor.

Um dos aspectos mais destacados da descoberta é a simplicidade e empirismo.

Com uma fita adesiva normal, conseguiram obter uma pequena lâmina de carbono com a espessura de um átomo", destacou o comitê.

Muitos cientistas consideram que o grafeno terá um grande papel fundamental na eletrônica.

"Combinado com plásticos, o grafeno pode transformá-los em condutores de eletricidade e, ao mesmo tempo, torná-los mais resistentes ao calor e mais robustos mecanicamente", completa o comunicado da Academia.

Geim e Novoselov são os cientistas de número 187 e 188 a receber o Prêmio Nobel de Física desde sua criação.

Etapa revolucionária na miniaturização eletrônica, o grafeno pode ser utilizado também por suas propriedades mecânicas, já que, apesar da espessura extremamente fina, é muito resistente, 200 vezes mais que o aço.

O principal obstáculo para a utilização industrial do grafeno é o altíssimo custo de produção.

A Universidade de Manchester parabenizou seus acadêmicos pela premiação. O grafeno foi descoberto no centro de ensino em 2004.

"É uma notícia fantástica. Estamos muito felizes de que o trabalho de Andre e Konstantin sobre o grafeno tenha sido reconhecido no mais alto nível pelo Comitê do Prêmio Nobel 2010", declarou a reitora da Universidade de Manchester, Nancy Rothwell.

"Este é um magnífico exemplo de uma descoberta fundamental baseada na curiosidade científica, com importantes benefícios práticos, sociais e econômicos para a sociedade", completou.

A Universidade de Manchester tem agora quatro vencedores do Prêmio Nobel.