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Em testes, 5G é mais rápido, porém celular consome mais bateria que 4G

Pessoa segura iPhone 13 Pro na cor verde durante início das vendas do telefone nos Estados Unidos - Mike Segar/Reuters
Pessoa segura iPhone 13 Pro na cor verde durante início das vendas do telefone nos Estados Unidos Imagem: Mike Segar/Reuters

Aurélio Araújo

Colaboração para Tilt, em São Paulo

27/03/2022 14h46

O 5G, última novidade em tecnologia de internet móvel, pode ser até 20 vezes mais rápido que o 4G, mas essa velocidade toda não vem de graça: ele também consome bem mais bateria. A repórter Nicole Nguyen, do jornal americano "The Wall Street Journal", conduziu alguns testes utilizando iPhones para mostrar as diferenças de gasto de energia.

Se, no Brasil, as frequências de rádio para o serviço de 5G foram leiloadas no ano passado e só devem chegar ao público em geral daqui a alguns meses (e ainda assim, em locais muito restritos), nos Estados Unidos, já é possível usar essa tecnologia. Mas, segundo Nguyen, mesmo lá ela ainda não está disponível em todo lugar.

Antes de tudo, é preciso lembrar que, para navegar no 5G, é preciso ter um smartphone ou tablet que ofereça o suporte para a tecnologia. Já há vários desses modelos no Brasil, e eles são predominantes entre os novos lançamentos.

O 5G é mesmo muito rápido

A repórter afirma que, ao andar pela cidade de San Francisco, na Califórnia, ela encontrou diferentes velocidades de 5G para download, que variam entre 160 e 361 Mbps (sigla para "megabits por segundo", unidade de medida de velocidade de internet). As velocidades estão muito acima do que Nguyen encontrou quando fez downloads em 4G, quando elas ficaram em torno de 55 a 144 Mbps.

A rapidez é ainda mais impressionante quando se considera que a velocidade média da internet de todos os EUA foi de 99,3 Mbps ao longo de 2021.

Um detalhe: a variação na velocidade atestada pela jornalista se dá porque, ao andar, passamos por prédios altos, árvores e outros obstáculos que interferem no oferecimento do sinal. Todos nós já sentimos isso ao tentar usar o 4G, por exemplo, numa garagem subterrânea, onde o sinal chega de forma muito menos intensa.

Mas a bateria sofre

A repórter então fez uma comparação entre o 5G e o 4G usando dispositivos diferentes, cada um configurado para utilizar uma dessas tecnologias de internet móvel. Para isso, colocou ambos para reproduzirem um vídeo longo no YouTube, de imagens relaxantes do oceano, com a qualidade de vídeo configurada em "Auto" no player.

Esse é um detalhe importante: ao configurar a qualidade de vídeo para "Auto", o player do YouTube busca alguns fatores (como tipo de conexão e tamanho de tela) para encontrar a qualidade ideal de transmissão de vídeo ininterrupta, ou seja, sem ter que parar para carregar.

Os aparelhos escolhidos por Nguyen foram todos da Apple: no novo iPhone SE (2022) e no iPhone 13 Pro, ela fez o teste utilizando 4G e 5G oferecidos pela operadora T-Mobile. Já no iPhone 13 Mini e no novo iPad Air, ela fez o teste usando 4G e 5G de outra operadora, a Verizon.

Assim, o iPhone SE durou uma hora a mais no 4G do que no 5G, enquanto o iPad Air e o iPhone 13 Mini duraram uma hora e meia a mais no 4G.

O mais impressionante, porém, foi o resultado do iPhone 13 Pro: embora ele tenha sobrevivido a 12 horas e 50 minutos de vídeo no 5G, ele ainda assim durou duas horas e meia a mais no 4G.

Mas fica uma ressalva: esse tipo de teste, como a própria Nguyen admite, não diz tanto sobre o tempo de duração da bateria, já que ninguém fica por horas com a tela ligada assistindo um único vídeo. Ele ajuda a evidenciar, porém, como o desempenho da bateria é mais exigida pelo 5G do que pelo 4G.

O que fazer?

É claro que, para nós brasileiros, a preocupação com consumo de bateria no 5G ainda é uma questão de luxo — por aqui há apenas conexões 5G DSS, considerado um "5G de transição". Mas existe uma maneira de fazer com que seu telefone use menos bateria, alterando suas configurações.

No menu sobre uso de dados móveis do smartphone, é possível colocá-lo para alternar entre 4G e 5G, dependendo da tarefa a ser executada. Nos aparelhos da Apple, por exemplo, isso é conhecido como "Smart Data Mode" (modo de dados inteligente). Assim, para baixar um filme, ou seja, uma tarefa pesada, o smartphone usará o 5G.

Mas, para tarefas mais leves do dia a dia, como o envio de uma mensagem ou a checagem de um e-mail, o smartphone automaticamente busca usar o sinal 4G, que resolve o problema sem muito gasto de energia.

Agora, é claro, existe uma opção muito mais simples: desligar o 5G por conta própria e só ativá-lo quando for necessário. Seja como for, por enquanto, essa ainda não é uma preocupação em nosso país.