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Brasileira é premiada por descobrir 25 asteroides; um, em direção à Terra

A estudante Verena Paccola, de 22 anos, foi a Brasília receber os prêmios por suas descobertas - Arquivo Pessoal
A estudante Verena Paccola, de 22 anos, foi a Brasília receber os prêmios por suas descobertas Imagem: Arquivo Pessoal

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos

12/01/2022 14h40

A estudante de medicina Verena Paccola, 22, foi premiada pela descoberta de 25 novos asteroides, um deles considerado como muito importante para monitoramento, no programa de caça a asteroides da Nasa e do MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações) do Brasil. O corpo celeste, considerado um "asteroide fraco", será estudado pela agência espacial americana por seu risco de colisão com a Terra.

O "asteroide fraco" é um objeto celeste cujo movimento orbital é considerado mais lento que os asteroides comuns. Seu diâmetro e data de aproximação com a Terra agora serão estudados por cientistas da Nasa e também por astrônomos de todas as partes do mundo. "Para definir esses detalhes são necessárias várias observações ao longo dos anos, de diferentes partes da Terra", contou a estudante ao UOL.

Além do seu amor pela medicina e pela neurociência, Verena agora tornou-se uma astrônoma amadora apaixonada e famosa por suas descobertas - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Além do seu amor pela medicina e pela neurociência, Verena agora tornou-se uma astrônoma amadora apaixonada e famosa por suas descobertas
Imagem: Arquivo Pessoal

O interesse pela astronomia surgiu em 2020, enquanto a jovem se preparava para o vestibular de medicina da USP (Universidade de São Paulo). Com formação técnica em enfermagem pelo Colégio Técnico de Campinas da Unicamp (Universidade de Campinas) e após um intercâmbio no Canadá, ela voltou ao Brasil com o objetivo de prestar vestibular para o curso de medicina na USP. Mas, com bolsa garantida num curso preparatório, não se sentia tão estimulada a rever os conteúdos do ensino médio e acabou se deparando com o programa International Astronomical Search Collaboration, uma iniciativa da Nasa, em parceria com a Universidade de Harvard e o MCTI.

"Eu sempre fui uma menina muito curiosa e com desejo de aprender sempre coisas novas, interessantes. A astronomia surgiu por acaso. Quando soube da possibilidade de participar do programa, me inscrevi e fiz o treinamento para aprender a usar o software de monitoramento. A pandemia estava começando e o calendário do vestibular acabou atrasando, então decidi me engajar nesse programa".

Verena passou a receber pacotes de imagens tiradas de um telescópio localizado no Havaí para analisar. O programa possibilita a observação de vários corpos celestes, mas a estudante passou a se dedicar à detecção de asteroides. "Tinha uma programação que eu fazia no software, onde eu colocava as imagens. Cada pacote de imagens tinha quatro fotografias tiradas em sequência do espaço", revela.

As estrelas, ela conta, permanecem sempre fixas nas imagens. Já objetos celestes como asteroides e cometas, se movem, portanto, aparecem refletindo a luz em pontos diferentes em fotografias. Após analisar visualmente as fotos em busca de pontos "em movimento", ela gerava um relatório e enviava para os organizadores do programa. Esse material era então enviado para a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, para que os cientistas confirmassem se seria um asteroide ou outro corpo celeste.

A descoberta do "asteroide fraco"

Em suas análises, a estudante descobriu 25 asteroides e chegou a ser chamada a Brasília para receber do MCTI uma premiação por suas descobertas. Mas o que ela não sabia é que seria homenageada por algo ainda mais importante: um dos asteroides que ela descobriu possui uma trajetória diferenciada e está se aproximando da Terra.

A estudante Verena Paccola e o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
A estudante Verena Paccola e o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes
Imagem: Arquivo Pessoal

Por conta da descoberta do "asteroide fraco", de extremo interesse para a agência espacial americana, Verena recebeu um troféu das mãos do ministro Marcos Pontes. "Difícil dizer como me senti e como me sinto. Porque, na verdade, não sou astrônoma, meu interesse é pela medicina", afirma. "Mas agora, já estou pensando em conhecer mais sobre medicina espacial".

A jovem, que aos 4 anos ganhou um microscópio da madrinha e, em vez de brinquedos, levava para a escola o instrumento nos "dias de brincar", está agora preparando a documentação para batizar o asteroide raro com o nome da avó, Rochelle. Sua mãe, Nathalia, também será homenageada com o batismo de outro asteroide.

"Não conheci meu pai. Elas são meu exemplo de vida, a força que me move a aprender mais e mais", conta a estudante.

Meu sonho é um dia ser a primeira brasileira a ganhar um prêmio Nobel. Por enquanto, já estou feliz em poder contribuir para a divulgação científica no meu perfil do Instagram. E estimular outros jovens como eu a aprenderem a amar os estudos e as descobertas da ciência.