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Brasileiro conta que descobriu maior cometa do sistema solar 'por acaso'

Cometa foi identificado pelo cosmólogo brasileiro Pedro Bernardinelli - Dark Energy Survey/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/P. Bernardinelli & G. Bernstein (UPenn)/DESI Legacy Imaging Surveys
Cometa foi identificado pelo cosmólogo brasileiro Pedro Bernardinelli Imagem: Dark Energy Survey/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/P. Bernardinelli & G. Bernstein (UPenn)/DESI Legacy Imaging Surveys

Colaboração para o UOL

14/10/2021 17h15

O cosmólogo brasileiro Pedro Bernardinelli, de 27 anos, descobriu "por acaso" o maior cometa do sistema solar já identificado, enquanto pesquisava objetos distantes que orbitam o sol para sua tese de doutorado.

Com diâmetro estimado de 150 km, o astro possui cerca de 2,5 vezes o tamanho do detentor do último recorde e é considerado em torno de mil vezes mais maciço do que outros já descobertos.

Para se ter uma ideia, o cometa Hale-Bopp, que pôde ser visto a olho nu em 1997, tinha um diâmetro de 60 km. O Halley, observado em 1986, 10 km.

Cosmólogo Pedro Bernardinelli - Reprodução/Instagram/@pedrohbernardinelli - Reprodução/Instagram/@pedrohbernardinelli
Bernardinelli, de 27 anos, descobriu 'por acaso' o maior cometa do sistema solar já identificado
Imagem: Reprodução/Instagram/@pedrohbernardinelli

O cosmólogo é Integrante do projeto Dark Energy Survey (DES), que reúne 400 cientistas de diversos países com o objetivo de estudar a distribuição de galáxias no Universo.

Com o auxílio do cientista Gary Bernstein, seu orientador de doutorado, Bernardinelli encontrou em junho, em meio às milhares de imagens analisadas, o astro de tamanho incomum. Embora já tivesse sido registrado em 2014, somente agora os cientistas puderam, de fato, identificá-lo.

"Nessa brincadeira, a gente achou esse cometa, mas não estávamos procurando. Projetos que buscam cometas têm estratégias muito diferentes das nossas. Foi um negócio meio que por acaso. Ele estava nos nossos dados e calhou nos nossos limites de detecção", explicou o cosmólogo em entrevista à Revista Época.

O Bernardinelli-Bernstein, batizado com os sobrenomes dos pesquisadores, é também conhecido como C/2014 UN271. Ele é cerca de 31 vezes maior que os geralmente avistados pelos astrônomos e pode demorar milhões de anos para dar um giro completo em torno do sol.

Aproximação com a Terra

Os cientistas disseram que o corpo celeste recém-descoberto está se aproximando da Terra. Mas que não há motivo para preocupação. A proximidade máxima se dará em 2031, a 1,5 bilhão de quilômetros de distância, o que equivale a um pouco além da órbita de Saturno.

Pesquisadores em todo o mundo já estão de olho no astro, para estudar como é o comportamento de um corpo celeste que está distante da estrela central do sistema.

"A gente não sabe qual é o comportamento típico de um cometa longe do Sol. Todo mundo está trabalhando para tirar mais imagens e entender um padrão desse objeto: quanto material ele está sublimando, o que existe na superfície e outras informações, declarou à Época".