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Estes 7 hubs tecnológicos em Pernambuco têm muito a ensinar sobre inovação

Estátua do músico Chico Science no Porto Digital, um parque tecnológico instalado no centro histórico de Recife - Zanone Fraissat/Folhapress
Estátua do músico Chico Science no Porto Digital, um parque tecnológico instalado no centro histórico de Recife Imagem: Zanone Fraissat/Folhapress

Rafaela Herrera e Rodolfo Zhouri*

Especial para Tilt

18/01/2020 04h00

A primeira coisa que nos vem à cabeça quando falamos de Pernambuco são as belas praias, mangues, riquezas culturais e atrações turísticas, não é mesmo? Mas estado do Nordeste brasileiro vai muito além da natureza, e se tornou um dos principais centros de empreendedorismo tecnológico do país.

O olhar diruptivo e o sucesso em empreender vêm de muito tempo. Foi lá que foi estabelecido o primeiro núcleo econômico do Brasil, que se destacou na exploração do pau-brasil, no desenvolvimento da cultura canavieira, além de ter sido a mais rica das capitanias durante o Ciclo do Açúcar. Então está explicado: esse DNA faz com que Pernambuco se destaque de outros estados do país.

Para beber dessa fonte, se inspirar e trocar conhecimento, uma missão, batizada de Cubo on the Road, foi visitar o ecossistema local, na primeira de uma série de visitas que o Cubo Itaú fará junto com Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A parceria visa o fomento do ecossistema empreendedor da América Latina, Caribe e Norte e Nordeste do Brasil.

Armazém da Criatividade, em Caruaru -
Armazém da Criatividade, em Caruaru

A primeira parada foi em Caruaru, no Armazém da Criatividade (AC), uma iniciativa do governo municipal gerida pelo Porto Digital. Por lá, o desafio é fazer com que os talentos não saiam da cidade —para isso foram criadas oportunidades de acelerar, conectar e criar novos empreendimentos digitais.

O segundo pit stop foi Recife. Capital do estado, com cerca de 1,5 milhão de habitantes, a cidade faz parte da terceira região com o maior número de startups no Brasil, representando uma fatia de 10% nos negócios, de acordo com dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups).

Um conceito muito presente em todo o ecossistema pernambucano e que foi essencial para sua formação é a Tríplice Hélice, que consiste em uma ação coordenada entre governo, universidades e setor privado para o fomento tecnológico —com uma troca constante de talentos, conhecimento e soluções entre esses 3 pilares.

Na visita, foi possível mapear atores de destaque do ecossistema de inovação de Recife. São eles:

Porto Digital, em Recife - JC Imagem
Porto Digital, em Recife
Imagem: JC Imagem

Porto Digital: Em Recife está localizado o primeiro bairro do país totalmente focado em tecnologia e inovação. Lançado há mais de 20 anos, hoje é um dos polos tecnológicos mais relevantes e bem estruturados do Brasil: o Porto Digital, um parque tecnológico que abriga mais de 300 empresas e instituições tecnológicas incluindo 3 incubadoras, 2 aceleradoras, 1 instituição de ensino superior e 6 institutos de pesquisa. Criado a partir de um projeto de revitalização do centro histórico antes desassistido, o espaço reúne atualmente mais de 9.500 profissionais altamente qualificados, sendo 850 deles empreendedores.

Centro de Informática UFPE (CIn): Poderia ser apenas mais um lugar de formação de talentos, mas além de estar entre os top 5 de excelência em graduação no Brasil, o CIn também desenvolve startups. Eles são super conectados com o mercado e promovem desenvolvimento de novos produtos com alunos da universidade. Empresas como Inloco, Tempest, Joy Street e Neurotech saíram desse processo. São o principal formador de talentos técnicos de Pernambuco e estão criando mais modelos de formação —apesar de formar 500 alunos por ano, apenas em Recife a demanda é de 2.000 profissionais/ano. Um desses modelos é a Residência em Software, cursos de 12 a 24 meses após a graduação, com base nas necessidades apresentadas pelas empresas. Alguns desses cursos geram certificação de mestrado profissional ou especialização. Além disso, eles têm uma iniciativa chamada Voxar, voltada para venture builder de produtos com foco em VR e AR.

CESAR: Um centro privado de inovação que utiliza Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e Design para solucionar problemas complexos. Eles têm uma estrutura de desenvolvimento de negócios, CESAR Labs (apoio a startups e novas tecnologias) e o CESAR School (com programas de graduação e pós) com operação em Recife, Sorocaba, Curitiba e Manaus.

Softex Recife: Centro de Excelência em Tecnologia de Software do Recife, é uma associação de empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) sem fins lucrativos. Eles fazem bastante intermediação governo, universidade e iniciativa privada, por meio de programas de inovação. Eles também têm um espaço bem legal lá no Porto e acolhem algumas startups no espaço. É interessante saber que eles são independentes da Softex Brasil (para quem não conhece, é legal conhecer aqui).

MP Labs: Uma iniciativa que surgiu do laboratório de inovação do Ministério Público a partir da provocação de que o MP se tornaria um grande Procon e que precisaria de uma iniciativa privada, tipo Reclame Aqui, para que os processos se resolvessem. Ele é gerido de forma voluntária por agentes do governo. Escolheram o Porto Digital como parceiro para conexão com startups e tem chamadas de desafios para que as empresas (de qualquer tamanho) proponham produtos voltados para solucionar problemas do setor público. Vimos soluções para amparo a crianças, para processos investigativos e transcrição de audiências.

Laboratório de Mobilidade: Outra iniciativa do governo, ainda em estágio inicial, mas para resolver problemas de mobilidade em Recife. Eles entenderam que para reter talento também precisa trabalhar na qualidade de vida.

Overdrives: Um hub fundado pelo Ser Educação e UNINASSAU, tem um programa de aceleração onde investem nas empresas por uma participação. Foram 8 startups aceleradas/investidas de diferentes portes e setores. Além de acelerar, eles também têm um programa de residência de 3 meses, no qual acompanham metas e dão mentorias, por um valor de R$ 1500/startup.

* Rafaela Herrera, head de relacionamento com startups do Cubo Itaú, e Rodolfo Zhouri, head de corporates do Cubo Itaú, que lideraram a visita

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