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Super-resistente: veja como vidros blindados conseguem resistir a projéteis

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt

12/09/2019 04h00

Carros blindados estão por aí há algum tempo - e, no Brasil, são um mercado cada vez mais procurado devido à (in)segurança pública. Mas como essa tecnologia protege as pessoas que estão no interior dos veículos?

De acordo com a Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem), o Brasil é o maior mercado de blindagens automotivas do mundo, sendo que no final do ano passado o número de veículos blindados estava próximo dos 220 mil.

Um dos itens cruciais para a segurança de um veículo blindado são os vidros. Afinal, é preciso que eles sejam capazes de resistir a impactos de projéteis de diversos calibres e, mesmo assim, precisam manter a transparência para que o carro possa ser conduzido no dia a dia.

Tec por trás - vidros blindados
Imagem: Arte/UOL

O vidro blindado é, na verdade, um "sanduíche" que envolve, além de vidro comum em si, materiais como polivinil butiral (um tipo de borracha), policarbonato (um plástico muito resistente) e poliuretano (outra borracha).

Cada fabricante de blindagem combina esses materiais de maneira diferente, mas o intuito é sempre o mesmo: aumentar a resistência do vidro. Conforme cada "receita", o vidro é mais ou menos resistente.

Para que o vidro blindado seja construído, os fabricantes empilham camadas dos materiais citados, embalam esse "sanduíche" a vácuo e levam-no para uma autoclave, que é uma espécie de panela de pressão industrial.

Esse "cozimento" se dá com temperaturas e pressões extremamente controladas e faz com que os materiais se fundam. O resultado é o vidro blindado. O processo de fabricação é similar tanto para vidros utilizados em carros quanto para outras aplicações.

Como os vidros blindados são capazes de parar projéteis?

A construção de vidros blindados é feita levando em consideração a função de cada camada. A mais externa deve ser a mais dura, já que recebe maior quantidade de energia e fragmenta projéteis. Já a segunda camada é a responsável por absorver essa energia, por isso há o uso de borracha. Novamente, cada fabricante utiliza uma receita distinta para obter resultados satisfatórios.

Um vidro danificado mantém a mesma eficiência?

Não. Caso um vidro blindado seja danificado por um projétil ou outro tipo de impacto e surjam rachaduras, o ideal é que ele seja substituído, já que o dano pode comprometer a capacidade do material de absorver novos impactos.

Um vidro blindado tem prazo de validade?

Ainda que haja a estimativa de que vidros levem até um milhão de anos para se decomporem, no caso de vidros blindados é recomendado que seja feita uma revisão frequente para garantir que eles estejam com sua integridade preservada. Isso é ainda mais relevante no caso de vidros automotivos, uma vez que eles sofrem torções e vibrações e é comum que, com o passar dos anos, suas camadas se descolem e acabem comprometendo o nível de proteção.

Esses vidros podem resistir a qualquer tipo de impacto?

Depende da especificação. No caso de uso civil, a categoria III-A é a mais resistente, podendo suportar até cinco disparos de projéteis .44 Magnum. Já no caso de blindagens de uso restrito do Exército, caso da categoria III, a resistência é de até cinco disparos de projéteis de fuzis como o AK-47, o FAL e o AR15.

Toda quinta, Tilt mostra que há tecnologia por trás de (quase) tudo que nos rodeia. Tem alguma dúvida sobre algum objeto? Deixe nos comentários que vamos atrás.

Fonte: Guilherme Lebrão, professor do curso de Engenharia Mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia

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