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Faz mal para a saúde? Veja como micro-ondas funciona e salva nosso tempo

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt, em São Paulo

05/09/2019 04h00

Ele é um verdadeiro anjo da guarda das pessoas que estão com fome e não têm tempo - ou habilidade - para cozinhar. Sim, falamos aqui do forno de micro-ondas, item que, com o tempo, se tornou praticamente indispensável na cozinha. E saiba que, por trás do seu funcionamento, tem bastante tecnologia.

Apesar de parecer algo super moderno, esses eletrodomésticos foram inventados antes da metade do século passado. O crédito da sua criação, geralmente, é dado ao engenheiro norte-americano Percy Spencer, que se aproveitou da tecnologia dos radares desenvolvidos durante a Segunda Guerra Mundial.

O primeiro aparelho do tipo foi vendido em 1946 e era chamado de "Radarange", mas versões para uso doméstico começaram a ser vendidas apenas em 1955, por uma empresa chamada Tappan. Esses primeiros aparelhos eram excessivamente grandes e caros, algo que só mudou no final dos anos 1970, quando os fornos de micro-ondas se popularizaram após a japonesa Sharp lançar uma versão de baixo custo do eletrodoméstico.

Micro-ondas
Imagem: Arte/UOL

Mesmo tendo evoluído em diversos aspectos ao longo do tempo, o princípio básico dele é o mesmo. Tudo começa com o aparelho convertendo a corrente alternada da rede elétrica em corrente contínua de alta tensão, algo em torno de 4 mil volts.

Essa tensão é responsável por alimentar um item chamado magnetron, que gera ondas eletromagnéticas (as tais micro-ondas) em uma frequência de 2,45 GHz. O magnetron possui dois terminais que recebem corrente elétrica: enquanto um fica fixo e emite uma nuvem de elétrons, outro permanece em rotação ao redor do primeiro, recebendo essa nuvem de elétrons.

Essa 'dança' dos elétrons induz uma carga positiva, gerando uma corrente elétrica alternada em sua parede. Essa alternância se repete 2.450.000.000 vezes por segundo e gera campos magnéticos e elétricos variáveis que emitem micro-ondas.

Essa radiação, então, é captada por uma antena e chega até o interior do forno por meio de um tubo de metal, que pode ser retangular ou cilíndrico.

Como os alimentos são aquecidos?

O que ocorre é o fenômeno da ressonância. As micro-ondas fazem com que as moléculas da água girem sobre si 2,45 bilhões de vezes por segundo, acompanhando aquela frequência de 2,45 GHz do magnetron. Esse movimento gera o calor que aquece o alimento. É importante lembrar que apenas moléculas de água, gordura ou açúcar podem entrar em ressonância com as micro-ondas.

Isso acaba gerando uma grande eficiência energética, já que não se gasta energia aquecendo o ar, vasilhas e pratos nos quais os alimentos estão contidos.

Os alimentos chegam a qual temperatura?

Há um limite de temperatura que os alimentos podem chegar. Uma vez que apenas água, gordura e açúcar podem entrar em ressonância com as micro-ondas, a temperatura máxima atingida pelos alimentos dentro do forno fica próxima da temperatura de ebulição da água, ou 100ºC no nível do mar.

Esse calor gerado será transferido às demais partes dos alimentos por processos de condução e convecção. Então a temperatura final do alimento dependerá muito da quantidade de água, tempo, tamanho e material que ele possui.

Qual é a melhor maneira de se aquecer um alimento?

O fato do micro-ondas só afetar moléculas de água, gordura ou açúcar também explica o motivo de certos alimentos serem aquecidos com mais ou menos eficiência. Dependendo da densidade do alimento, as micro-ondas conseguem penetrar mais ou menos além da sua superfície. No pão, que é menos denso, elas penetram de 5 a 7 centímetros, enquanto na carne, mais densa, elas penetram entre 2 a 3 centímetros.

Sendo assim, caso você vá aquecer alimentos mais densos, o ideal é cortá-los em pedaços menores, o que permite que eles sejam aquecidos de maneira mais rápida e uniforme.

Micro-ondas traz risco para a saúde?

Quem nunca ouviu que ficar perto de fornos de micro-ondas enquanto eles funcionam pode ser prejudicial à saúde? Bem, considerando que ele esteja funcionando corretamente, não há qualquer risco. A caixa interna metálica e a grade na porta do forno, que fica junto ao vidro e se parece com uma tela, blindam o produto, impedindo que a radiação de micro-ondas escape do forno.

O sistema que não permite que o forno de micro-ondas funcione com a porta aberta também é mais uma camada de segurança.

E se fôssemos atingidos pelas tais "micro-ondas"?

Mas, hipoteticamente, o que aconteceria se seres humanos fossem expostos a esse tipo de ondas? Esse tipo de radiação poderia causar graves queimaduras.

De qualquer forma, tirando uma exposição direta, a radiação produzida pelo micro-ondas não causa qualquer mal à saúde. Afinal, estamos em contato diariamente com outras fontes de radiação eletromagnética, como celulares, lâmpadas, rádios e até mesmo o Sol e o universo em si.

A diferença é a intensidade da radiação que é emitida pelo forno no seu interior, que é maior que a emitida, por exemplo, por um rádio ou telefone celular. E é importante ressaltar que ele gera radiação a partir da energia elétrica, não tendo nenhum material radioativo em seu interior.

O que acontece se eu colocar metais dentro do forno?

Sempre ouvimos que metais não devem ser colocados em um forno de micro-ondas e há uma razão bem específica para isso. O campo eletromagnético gerado pelo micro-ondas, se exposto a um metal, causará elevadas correntes elétricas. O metal irá superaquecer e cargas elétricas escaparão pelo ar, causando faíscas que podem danificar o forno.

Ou seja: vai ser um show pirotécnico nada agradável.

Fonte: Rudolf Buhler, professor do departamento de Engenharia Elétrica da FEI

Toda quinta, Tilt mostra que há tecnologia em (quase) tudo que nos rodeia. Tem dúvida sobre algum objeto? Deixe nos comentários que vamos investigar.

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Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, a "dança" dos elétrons se repete 2.450.000.000 vezes por segundo. O valor publicado de 2.450.000 foi corrigido.

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