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O seu voo atrasou? A culpa pode ser de Elon Musk

Empresas espaciais estão atrapalhando a aviação civil, segundo relatório - Nasa/AFP
Empresas espaciais estão atrapalhando a aviação civil, segundo relatório Imagem: Nasa/AFP

Lucas Baranyi

Colaboração para o UOL Tecnologia

01/07/2018 04h00

Norte-americanos que precisarem lidar com atraso de voos e o aumento no preço de passagens aéreas já podem culpar outro agente além das companhias aéreas: Elon Musk.

O motivo é simples: segundo a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (a U.S. Federal Aviation Administration), em relatório publicado na última terça-feira (26) e realizado em parceria com a Associação de Pilotos de Companhias Aéreas (Alpa), a corrida espacial de empresas como Space X, Virgin Galactic e Blue Origin criou um impacto negativo na aviação civil.

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O motivo tem a ver com a decolagem dos foguetes – e, mais especificamente, o tempo que elas passam dentro do espaço aéreo que pertence à aviação civil: aviões de uso comercial tem direito a ocupar um espaço aéreo que gira em torno de 18 mil a 60 mil pés – e as criações de Musk e outros empreendedores do ramo, obviamente, transitam neste espaço enquanto decolam.

Um bom exemplo é o teste realizado pela SpaceX com o foguete Falcon Heavy, em 6 de fevereiro deste ano (aquele que colocou um Tesla em órbita): a Falcon passou 2,5 minutos na altura que pertence aos aviões, somando sua decolagem e pouso.

O problema é que, segundo o relatório da Alpa, o impacto causado pelo teste foi de 5 mil milhas náuticas de espaço aéreo, resultando em 4,645 minutos de atraso em 563 voos nos Estados Unidos. Considerando que cada minuto de atraso pode custar US$ 68,48 para as empresas, o prejuízo total girou em torno de US$ 318 mil – sem contar, é claro, o gasto adicional com combustível gasto no ar, enquanto as aeronaves que voavam precisavam aguardar o final do teste para seguirem seu percurso normal.

Entra também na conta o impacto ao meio ambiente, já que uma quantia de combustível que não era necessária para a realização dos voos comerciais acabou utilizada.

Ainda que US$ 318 mil pareça uma quantia ínfima se comparada ao setor que, apenas em 2017 e nos Estados Unidos, gerou US$ 15 bilhões – é preciso lembrar que a corrida espacial comercial está apenas começando e, em dois anos, o número de lançamentos na órbita do planeta passou de 8 (2015) para 21 (2017) – e a estimativa é que eles continuem aumentando cada vez mais.

No fim das contas, resta torcer para que as duas indústrias consigam entrar em um acordo – ou viajar de avião poderá tornar-se (ainda mais) estressante nos próximos anos.