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Reconhecimento facial em rede social checa amigos e faz rosto virar dados

Pontos usados no reconhecimento facial. Fonte: Paulo Rodrigues, professor da FEI - Arte/UOL
Pontos usados no reconhecimento facial. Fonte: Paulo Rodrigues, professor da FEI Imagem: Arte/UOL

Rodrigo Loureiro

Do UOL, em São Paulo

28/08/2014 06h00

É uma situação comum: você coloca uma fotografia com um grupo de amigos no Facebook. Quando a publica, o site pergunta se deseja marcar as pessoas na imagem. Vai além: a rede social sugere o nome dos seus amigos. “Deseja marcar Fulano na foto?”, pergunta. A sugestão, que não é aleatória, tem a ver com um software de reconhecimento facial e acerta que “você é você” em grande parte dos casos.

Programas de reconhecimento facial já estão presentes em diversas redes sociais que trabalham com imagens. De acordo com especialistas entrevistados pelo UOL Tecnologia, a técnica utilizada por esses softwares transforma as fotos em dados computacionais, que são analisados e comparados eletronicamente.

Basicamente, o processo de reconhecimento facial é realizado em três etapas. Primeiro, o programa recolhe amostras de imagens da face de todos os amigos da pessoa que postou a foto.

Depois, o software utiliza técnicas de visão computacional para extrair características das fotos e transformá-las em dados. Diversas informações são recolhidas, como posição do rosto, tamanho da ponta do nariz, contraste de cores e brilho facial.

O último passo é comparar as informações da foto postada com outras que o sistema já possui no banco de dados. Entre todos os seus amigos na rede social, o programa procura por fotos de pessoas semelhantes àquela que você acabou de publicar.

Problemas

Reconhecimento facial Facebook - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Reconhecimento facial do Facebook também erra
Imagem: Reprodução/Facebook
O Facebook acerta boa parte de suas sugestões quando o assunto é reconhecimento facial. Não há, entretanto, 100% de acertos. Diversas características das fotos ou dos fotografados podem complicar a análise do programa.

“Quando há imagens de pessoas com o rosto coberto, o software tem mais dificuldade de comparar”, conta Paulo Sérgio Rodrigues, especialista em visão computacional e professor de engenharia elétrica da FEI (Fundação Educacional Inaciana). “Óculos, chapéus e até mesmo barba podem confundir o programa. Eles tampam parte do rosto e inserem novas informações.”

Ser marcado em fotografias antigas, utilizar fotos de desenho animado e de personagens fictícios também contribuem para as falhas. Para tentar minimizar o problema, é possível “treinar” o software da rede social. Basta que o usuário marque corretamente os amigos nas fotografias postadas. O site terá mais informações para colher e passará a contar com uma base maior de dados comparativos.

DeepFace

Recentemente, o Facebook divulgou que está trabalhando em um software de reconhecimento facial chamado DeepFace, ainda não presente no site. De acordo com a empresa, ele é tão bom quanto o desempenho humano, com um índice de 97,25% de acertos. Isso seria possível porque, entre outras facetas, o DeepFace corrigiria a posição dos rostos e também os mapearia em 3D, para aumentar a precisão.

Isso seria, entretanto, somente o início. De acordo com Ricardo Rodrigues, professor de tecnologia da Universidade Anhembi Morumbi, o reconhecimento facial pode abrir portas e aumentar a interface entre máquina e humanos. “No futuro, ao reconhecer alguém, computadores poderão interagir de forma personalizada com esse usuário. A marcação em fotos é apenas o começo.”   

Procurado pelo UOL Tecnologia para comentar o funcionamento de seu sistema de reconhecimento facial, o Facebook informou que não dispunha de porta-vozes para falar sobre assunto.