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Brasil faz acordo internacional para diminuir spams e roubos de celulares

Ministro Paulo Bernardo anunciou assinatura de um memorando de cooperação durante o MWC 2014 - Ana Ikeda/UOL
Ministro Paulo Bernardo anunciou assinatura de um memorando de cooperação durante o MWC 2014 Imagem: Ana Ikeda/UOL

Ana Ikeda

Do UOL, em Barcelona (Espanha)*

25/02/2014 05h57Atualizada em 25/02/2014 08h55

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, anunciou nesta terça-feira (25) a assinatura de um memorando de cooperação com a GSMA, associação de empresas de tecnologias móveis que organiza o MWC 2014, evento referência no setor. O objetivo da iniciativa é ampliar o acesso às redes de banda larga móvel e difundir medidas de proteção ao consumidor.

Anne Bouverot, diretora geral da GSMA, enfatizou que o objetivo é beneficiar os consumidores de tecnologias móveis. "Promover a segurança das crianças, diminuir o spam e a redução do roubo de aparelhos estão entre as nossas metas", destacou.

Em relação à redução de spams, foi criado um número para que usuários denunciem a prática: o *7726 (já em funcionamento). Ao enviar um texto para este número (que tem as mesmas teclas da palavra *spam), as mensagens serão “agregadas, analisadas e incorporadas” para facilitar a identificação e bloqueio de conteúdo indesejado.

“O serviço permite que as operadoras isolem ataques à sua rede e ajuda a evitar que o ataque se espalhe para outra rede, restringindo, assim, a propagação do spam no Brasil”, diz material de divulgação da iniciativa.

Já o roubo de celulares será tratado com a criação de uma "lista negra" de aparelhos bloqueados no Brasil, integrada à base de outros países (esse banco internacional é mantido pela GSMA). A identificação dos telefones é feita pelo IMEI (International Mobile Equipment Identity), número com o qual é possível bloquear um aparelho, e esse processo de integração deve ser concluído em seis meses.

O Brasil tem 1 milhão de celulares roubados por ano e só fica neste ranking atrás da Índia, de acordo com a GSMA. “Essas estatísticas alarmantes levaram as operadoras móveis brasileiras a ampliar sua atual colaboração nacional e a  trabalhar com seus parceiros internacionais para reduzir as possibilidades de se exportar ilegalmente e reconectar dispositivos roubados ao redor do mundo”, diz a organização.

O acordo com a GSMA também prevê iniciativas para impedir o uso de redes móveis na exploração de crianças. Em parceria com a organização Safernet, de defesa dos direitos humanos na internet, será lançada a campanha "Disque 100". Essa linha gratuita da Secretaria de Direitos Humanos da presidência da República servirá de canal para denúncias (como consumir, distribuir ou lucrar com abuso sexual infantil), e as informações serão difundidas via SMS pelas próprias operadoras. 

Conexão
"A adoção de tecnologias móveis é um fenômeno no Brasil, com cada vez menos terminais 2G e uma base de mais de 277 milhões de conexões móveis. Portanto, medidas para aprimorar e difundir essas tecnologias são essenciais", disse Bernardo.

O ministro das Comunicações citou a necessidade de elaboração de um novo plano de conexão das escolas brasileiras, que ele considera "insuficiente" para atender à atual demanda. O redimensionamento do programa de conectividade será feito em conjunto com o Ministério da Educação. No entanto, Bernardo não detalhou quando nem como isso será feito.

Anne Bouverot afirmou que a internet móvel é um recurso primordial, principalmente para os jovens, não só na educação, como citou Bernardo, como também nas áreas de saúde e administração pública. "A GSMA traz o conhecimento de trabalho em países ao redor do mundo, com entendimento melhor das necessidades do Brasil com pesquisas locais e projetos com operadoras brasileiras", disse.

*A jornalista viajou a convite da Ericsson