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Excluir ex das redes sociais ajuda a superar o fim de relacionamento, dizem psicólogos

Embora não seja mais doloroso terminar um relacionamento na ""era digital"" do que antigamente, a recuperação da pessoa pode ser mais lenta - Getty Images
Embora não seja mais doloroso terminar um relacionamento na ''era digital'' do que antigamente, a recuperação da pessoa pode ser mais lenta Imagem: Getty Images

Ana Ikeda

Do UOL, em São Paulo

17/12/2012 06h01

Em um dia, “Maria está em um relacionamento sério com João”. No outro, “Maria está solteira”. Nas redes sociais, o término de um namoro, noivado ou casamento ganha uma dimensão diferente, principalmente porque o laço desfeito no mundo real acaba permanecendo no digital. Enquanto uns optam por continuar amigos do ex-parceiro online, outros decidem “apagar” os rastros digitais do antigo relacionamento. Ainda que radical, a atitude, segundo psicólogos, pode ajudar a superar a perda de um amor.

Katty Zúñiga, psicóloga pesquisadora do NPPI (Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática), explica que embora não seja mais doloroso terminar um relacionamento na “era digital” do que antigamente, a recuperação da pessoa pode ser mais lenta.  

A psicóloga afirma que a pessoa, durante esse processo, pode ficar confusa, às vezes tentando resgatar o relacionamento ou se sentindo culpada pelo que aconteceu. Isso permanece assim até que a ideia do rompimento seja finalmente assimilada. Dessa forma, nos casos em que a relação não terminou muito bem, tirar o antigo parceiro da lista de amigos do Facebook ou parar de segui-lo no Twitter, segundo a psicóloga, pode ajudar a superar o fim da relação.

“Se o relacionamento acabou mal, manter o ex nas suas redes sociais pode deixar a recuperação mais lenta, já que ele está continuamente 'presente' lá”, confirma Katty.

Um estudo da Universidade de Brunel, em Londres, confirma que excluir o ex da “vida digital” pode fazer bem. Feita com 464 participantes, a pesquisa revelou que um terço deles ainda acompanhava as atividades do antigo parceiro online – comportamento que, se levado ao extremo, é conhecido como o de “stalker” (perseguidor, em inglês).

Esse “monitoramento remoto” do ex, concluiu a pesquisa, levou ao aumento da angústia e da dificuldade das pessoas pesquisadas em conseguirem crescer pessoalmente e seguir em frente com suas vidas, encontrando novos parceiros. “A pesquisa sugere que a exposição a um ex-parceiro via Facebook pode obstruir o processo de ‘cura’ depois do término da relação”, afirmou Tara Marshall, pesquisadora-chefe do estudo, ao “Daily Mail”.

Da mesma forma que virar um stalker só torna as coisas mais difíceis, o contrário -- evitar o uso da internet para não “encontrar” com o ex online -- também pode ser prejudicial. “O que a pessoa tem que fazer é retomar a vida, fazendo coisas com outras pessoas, como os amigos e a família. Nessas horas, ficar sozinho deixa tudo mais difícil. E abandonar a internet pode até reforçar a solidão”, aconselha Katty. Se ainda assim a pessoa não conseguir sair dessa situação, deve então procurar a ajuda de um psicólogo.

Amigos (quase) para sempre

Já nos casos em que tudo acaba bem – mas acaba – manter contato com o ex nas redes sociais não é algo ruim, afirma Katty. “Não haveria nenhum problema em manter o ex na rede, supondo que ele ou ela continue sendo amigos.”

A atitude de "deletar" o ex nas redes sociais foi inclusive taxada como “infantil” por duas pessoas ouvidas pelo UOL Tecnologia que acabaram de terminar relacionamentos – e continuam amigas “online” de seus ex-namorados.

O analista de atendimento em marketing João (que pediu para não ter a identidade revelada), 25, diz ficar conectado “o dia inteiro” nas redes sociais e optou por manter a amizade “online” com o antigo namorado, mesmo com o término conturbado da relação.

“Tínhamos um relacionamento aberto. Eu podia ficar com outros rapazes e ele também. Mas existem certos códigos que ainda têm de ser seguidos. Ele acabou quebrando isso quando ficou com um dos meus melhores amigos”, conta João, que estava “ficando” há cinco meses com o parceiro.

Embora ainda mantenha como contatos no Facebook tanto o ex como o melhor amigo, João adicionou os dois à sua lista restrita (essas pessoas verão apenas publicações e informações do perfil que o usuário tornar públicas). “É a mesma reação que eu teria se encontrasse com ele numa balada. Não sairia fugindo, seria infantil”, critica. “Por mais que eu me sinta mal, tenho de aprender a conviver com isso. Saber lidar com a situação e não ‘tapar o sol com a peneira’”, conclui.

A jornalista Jaqueline de Oliveira, 29, que há um mês terminou um namoro de sete anos e também manteve o ex como amigo ''online'',  diz achar muito estranho as pessoas “saírem deletando” seus antigos parceiros de perfis online. “Conversava bastante com ele pelo chat, tenho muitos e-mails e mensagens desses anos todos. Guardei, porque são momentos que fazem parte da minha vida. Excluir isso seria algo infantil”, conta.

Outra motivação para não tirar o antigo namorado da lista de amigos ou “bloqueá-lo” nas redes sociais, segundo Jaqueline, é a grande quantidade de amigos em comum e familiares. “Mas, se começar a ver posts dele que me incomodarem de alguma forma, talvez eu passe a bloquear o conteúdo”, pondera.