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Leitor de e-books com tela colorida é rápido, mas peca por complexidade

Leitor de e-books da Barnes & Noble é um dos primeiros a ter tela colorida e sensível ao toque - Michael Nagle/Getty Images/AFP
Leitor de e-books da Barnes & Noble é um dos primeiros a ter tela colorida e sensível ao toque Imagem: Michael Nagle/Getty Images/AFP

DAVID POGUE

Do The New York Times

09/12/2010 11h14

Os leitores de livros eletrônicos como o Kindle da Amazon poderão ser altamente procurados nestas Festas. Mas daqui cinco anos, eles parecerão tão risivelmente primitivos quanto um Commodore 64.

“Cara, você se lembra daqueles leitores de livros eletrônicos Cro-Magnon?” nós diremos. “Eles usavam telas e-ink – com textos em preto em cinza. Sem cor. Sem tela sensível ao toque. E toda vez que você virava uma página, você tinha aquele estranho flash preto-branco-preto. Dá pra acreditar que alguém comprava aquilo?”

Bem, é hora de algum progresso. O novo Nook Color (US$ 250) da Barnes & Noble é o primeiro leitor de livros eletrônicos de uma grande empresa com tela de toque colorida. Ele possui aspectos confusos, mas é anos-luz melhor do que o lento, desajeitado e preto-e-branco Nook do ano passado. (A empresa diz que o novo Nook foi projetado por uma nova equipe do Vale do Silício, composta em grande parte por ex-funcionários da Palm.)

O hardware é incrível. É uma tábua de 20 x 13 centímetros, 1,3 centímetro de espessura, borda de alumínio e traseira emborrachada. Você pode espetar seu dedo no recorte triangular no canto inferior esquerdo. É apenas um capricho de design, apesar de que você poderia prender seu chaveiro nele.

Este Nook pesa 450 gramas, algo entre o Kindle (240 gramas) e o iPad (680 gramas). A tela de toque significa que você terá que recarregar a bateria em intervalos de poucos dias, em vez de em algumas semanas. As animações são um pouco espasmódicas e a tela frequentemente não entende seu toque da primeira vez. Mas fora isso, o Color Nook é bem rápido.

Leitor colorido de e-books

  • Michael Nagle/Getty Images/AFP

    Custando US$ 250 nos EUA, o Nook Color permite visualizar, além de livros, jornais e revistas

Display colorido e sensível ao toque

Quanto à tela de toque – bem, sabe de uma coisa? Todos os leitores de livros eletrônicos deveriam ter uma. Após você passar pela experiência de tocar para abrir um livro, virar uma página, ou arrastar seu dedo no botão deslizante de brilho, usar um joystick para mover o cursor na tela e-ink parece indireto e antiquado.

A tela colorida é brilhante e bonita. Revistas, por exemplo, parecem espetaculares. É possível assinar entre 70 revistas (as duas primeiras semanas são gratuitas) ou comprar edições individuais. Você recebe todo o layout, incluindo as propagandas; é ótimo.

É claro, não dá para ler uma página de revista em tamanho natural quando ela precisa caber em uma tela de 7 polegadas. Então você navega como se estivesse em um iPhone: você abre os dedos para dar um zoom, arrasta o dedo para mover a página.

Você também pode usar uma barra de rolamento com miniaturas de páginas coloridas na base da tela, para facilitar a navegação. Algumas revistas até mesmo possuem uma Visão do Artigo: uma coluna vertical, de rolamento, com texto em preto-e-branco que é fácil de ler. O layout original da revista permanece ao fundo como contexto.

Os livros infantis também se beneficiam enormemente com a cor e recebem tratamento especial no Nook Color. É possível tocar no texto de qualquer página e ampliá-lo. Alguns títulos –300 até o final do ano, diz a empresa– oferecem um botão Leia para Mim, para que seu leitor jovem possa acompanhar uma voz gravada. Meu filho de 6 anos adorou o efeito e implorou por mais.

Como em outros leitores de livros eletrônicos, é possível assinar jornais; se você estiver em um hot spot Wi-Fi, o jornal aparece automaticamente em seu leitor no meio da noite, pronto para leitura no trem a caminho do trabalho. As fotos ficam ótimas coloridas. Mas o restante do jornal fica bizarramente espartano e sem imaginação, especialmente em comparação ao modo elaborado das revistas. Não há senso de layout; a coisa toda parece um blog de iniciante.

Teste com leitores eletrônicos

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    UOL Tecnologia testou o Positivo Alfa, o Kindle 2, e os tablets GalaxyTAB e iPad como e-readers

A cor não acrescenta muito aos livros comuns. (A Barnes & Noble diz que sua loja online atrativamente redesenhada oferece dois milhões de livros. Mas cerca de 1,5 milhão deles são livros gratuitos, muito antigos e frequentemente obscuros escaneados pelo Google.)

Reflexo da luz na tela

Mas todos os livros se beneficiam da tela estilo notebook do Nook. A rotina da hora de dormir de muitos proprietários do Kindle – colocar uma lanterna atrás de uma orelha – é coisa do passado.

Sob a luz solar, ainda é possível ler o Nook Color, apesar de não ser tão fácil quanto em uma tela e-ink. (Às vezes a claridade também é um problema.) A pergunta é, onde você costuma ler com mais frequência: em plena luz do sol ou à noite? Apenas você pode responder essa pergunta.

Essa não é a única decisão que não posso tomar por você. Outra é, qual é sua posição na questão das funções contra complexidade?

O Nook Color está repleto de funções. Anotações, destaques, marcadores, definições instantâneas de dicionário, acesso rápido à Wikipedia ou consulta de palavras no Google. Você pode selecionar passagens de texto e postá-las na sua conta no Twitter ou Facebook. (O Nook Color só se conecta online em hot spots Wi-Fi.)

Há um navegador de internet básico incluído. Um tocador de música. Um programa para imagem e vídeo. Há um slot para cartão de memória MicroSD, para que você possa ampliar a capacidade do Nook de 8 gigabytes (6 mil livros) para 40 gigabytes (35 mil livros, o suficiente para guardar a coleção inteira de James Patterson).

A função “Empreste-me” do primeiro Nook ainda está aqui, mas ainda é risivelmente restritiva. Você só pode emprestar um livro uma vez, para uma só pessoa, por duas semanas, período durante o qual você não pode lê-lo. (Você não pode lê-lo enquanto sua oferta de empréstimo estiver pendente – apenas na outra semana.) Você só pode emprestar livros cujos editores autorizam o empréstimo, que são poucos. Dentre os 15 best sellers de ficção do “New York Times” desta semana, apenas dois podiam ser emprestados.

E assim como todos os livros eletrônicos comerciais, você ainda não pode vendê-los ou mesmo dar um livro após terminar de lê-lo.

Complexidade e personalização

Este Nook pode ser desconcertantemente personalizado. Você tem três telas “home”, para onde você pode arrastar os ícones de livros e revistas, e também uma estante de biblioteca, onde pode instalar, batizar e encher novas prateleiras. Você pode mudar a fonte (dos livros), assim como seu tamanho, largura da margem, espaçamento entre as linhas e até mesmo a cor de fundo. Alguns dos padrões de cores são surpreendentemente tranquilizantes.

Há até mesmo aplicativos. Sim, o Nook Color funciona com o sistema operacional Android do Google, gratuito; mas não, ele não roda os aplicativos desenvolvidos para os telefones Android. Ele vem com alguns aplicativos básicos como Sudoku, palavras cruzadas e rádio Pandora. A empresa diz que programadores em breve poderão desenvolver programas adicionais para o Nook.

O preço que você paga é a complexidade. O Nook Color oferece controles pop-up demais. Há a nova barra de Navegação Rápida, barra de Status, barra de Mídia, os menus de Biblioteca, Prateleira Diária e Itens Recentes. Levará algum tempo até você dominar onde estão os itens.

O maior problema, na verdade, é a enorme inconsistência das funções. É como se a Barnes & Noble tivesse entregue o aplicativo de leitura de revistas para uma equipe, o de livros para outra e o de jornais para uma terceira.

Por exemplo, a imagem na tela roda quando você vira o Nook 90 graus – mas apenas em revistas e páginas de Internet, não em jornais e livros. Os livros infantis aparecem apenas no modo horizontal; os livros adultos, apenas no modo vertical.

Você pode apertar com o dedo uma palavra para adicionar uma anotação ou procurar sua definição – mas apenas em livros e jornais, não em revistas. Um simples toque chama uma fileira de miniaturas de páginas na base da tela – mas apenas em revistas, não em livros ou jornais. Você pode abrir dois dedos para dar um zoom na página de uma revista – mas não em uma página de Internet, livro ou jornal. Você passa o dedo horizontalmente para virar a página de uma revista, mas verticalmente para virar as páginas dos documentos em PDF.

Resumindo, o Nook Color não possui nada perto do requinte e consistência do iPad ou mesmo do Kindle. Ao mesmo tempo, o Nook Color parece mais moderno e poderoso do que o Kindle. Ele também parece mais um computador do que o Kindle, o que é tanto uma bênção quanto uma maldição.

Sim, daqui cinco anos, nós também riremos desse leitor – mas não zombeteiramente. Ao desembrulharmos nossos leitores de livros eletrônicos com tela colorida, de toque, sob a árvore de Natal de 2015, nós lembraremos que foi esse aparelho que mostrou o caminho.