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Estudo indica que variantes foram resistentes a anticorpos neutralizantes

04/03/2021 16h17

Redação Central, 4 mar (EFE).- Um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista científica Nature Medicine indicou que algumas das novas variantes do novo coronavírus, o SARS-CoV-2, se mostraram resistentes ao efeito dos anticorpos neutralizantes em experimentos de laboratório.

Isso, segundo os pesquisadores, poderia ter implicações no desenvolvimento de vacinas e tratamentos com anticorpos contra o patógeno que provoca a Covid-19.

Os anticorpos neutralizantes - produzidos pelo organismo como resposta à uma infecção ou a uma vacina -, bloqueiam a capacidade dos vírus para entrar nas células do hospedeiro e são importantes, porque ajudam a gerar imunidade a longo prazo.

No entanto, ainda não está claro se todos os anticorpos contra o SARS-CoV-2 podem neutralizar também as novas variantes do patógeno.

No estudo publicado, Michael Diamond y Ali Ellebedy, do Washington University School of Medicine, e Pei-Yong Shi, da University of Texas Medical Branch, ambas instituições nos Estados Unidos, avaliaram a capacidade dos anticorpos para neutralizar linhagens recentes do SARS-CoV-2, como a variante britânica (B.1.1.7).

Além disso, investigaram a capacidade dos anticorpos para neutralizar vírus quiméricos geneticamente modificados, contendo as proteínas 'spike' das variantes sul-africana (B.1.351) e brasileira (B.1.1.248), assim como a cepa Washington do novo coronavírus (Wash SA-B.1.351).

Para fazer o estudo, os autores recolheram anticorpos monoclonais e amostras de sangue (contendo anticorpos neutralizantes) de pacientes convalescentes da Covid-19 e pessoas que tinham sido vacinadas com o agente imunizado produzido pela Pfizer-BioNTech.

Em seguida, testaram a capacidade neutralizante frente a um painel de variantes naturais do SARS-CoV-2 e de variantes sintéticas criadas em laboratórios.

A maioria das amostras apresentaram uma "atividade inibidora reduzida" contra os vírus com a proteína 'spike' B.1.351 e outras variantes do novo coronavírus nas posições 484 e 501, o que sugere que os anticorpos neutralizantes "podem ter menos eficácia" contra as variantes sul-africana ou outros vírus com mutações nas posições 484 e 501.

As descobertas podem ter implicações terapêuticas, já que o plasma imune das pessoas infectadas ao princípio da pandemia poderia não proteger os pacientes que deram positivo para algumas das novas cepas do patógeno.

Ainda segundo o estudo, é possível que seja necessário ajustar alguns tratamentos de anticorpos terapêuticos existentes, assim como as sequências das vacinas, mas os autores advertem que são necessárias mais pesquisas para respaldar as conclusões. EFE

ecg/bg