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Imunidade à infecção pelo novo coronavírus dura ao menos 6 meses, diz estudo

18/01/2021 15h43

Madri, 18 jan (EFE).- A imunidade à infecção do coronavírus Sars-CoV-2, causador da covid-19, pode durar ao menos seis meses, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira pela revista "Nature" e realizado com 87 pessoas que tinham sido infectadas por esse tipo de vírus.

O estudo indica que os níveis de células B de memória específicas (cuja missão é defender o organismo de futuras agressões do mesmo patógeno gerando anticorpos contra o Sars-CoV-2) se mantiveram constantes durante o período do estudo.

Os resultados sugerem que as pessoas que foram infectadas antes podem gerar uma resposta rápida e eficaz ao vírus se voltarem a se expor a ele.

O sistema imunológico humano responde à infecção produzindo anticorpos que podem neutralizar específicamente o agente infeccioso. Foi demonstrado que os anticorpos humanos contra o Sars-CoV-2 protegem contra a infecção em modelos animais.

Os níveis desses anticorpos podem diminuir com o tempo, mas as células B de memória, como o nome sugere, "se lembram" do agente infeccioso e podem estimular o sistema imunológico a produzir os mesmos anticorpos ao ser reinfectado.

Michel Nussenzweig e os demais colegas, da Rockefeller University de Nova York, avaliaram 87 personas com um diagnóstico confirmado de covid-9 depois de 1,3 e 6,2 meses da infecção pelo Sars-CoV-2, e descobriram que, embora a atividade dos anticorpos neutralizantes diminua com o tempo, o número de células B de memória permaneceu sem mudanças.

Os autores do estudo observaram que os anticorpos produzidos por essas células são mais potentes do que os originais, e podem ser mais resistentes às mutações na proteína do vírus que permite a entrada à célula.

Essas observações mostram que as células B de memória têm a capacidade de evoluir na presença de pequenas quantidades de antígeno viral persistente (pequenas proteínas do vírus que podem ser detectadas pelo sistema imunológico).

A presença e evolução contínuas das células B de memória sugere que as pessoas podem ser capazes de produzir rapidamente potentes anticorpos neutralizantes do vírus ao serem reinfectadas pelo Sars-CoV-2, concluem os autores.