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Divisões cada vez mais profundas na COP25 para alcançar um acordo climático

14/12/2019 18h17

Madri, 14 dez 2019 (AFP) - A comunidade internacional, reunida na COP25 de Madri, está mais dividida do que nunca neste sábado, após uma noite de negociações para tentar alcançar um consenso sobre com que urgência e firmeza enfrentar a ameaça do aquecimento global.

A ministra chilena do Meio Ambiente, Carolina Schmidt, cujo país preside a conferência da ONU, apresentou um novo rascunho de acordo aos quase 200 países participantes.

"A solução que propomos é equilibrada em seu conjunto", disse.

Muitos países, no entanto, expressaram oposição ao texto, incluindo membros da União Europeia, Brasil, Arábia Saudita, Colômbia, México, Argentina e Uruguai.

Ante a urgência climática anunciada pelos cientistas, a comunidade internacional precisa demonstrar em Madri sua disposição a elevar a "ambição" em 2020, ou seja, as metas de cada país de redução de emissões de gases do efeito estufa.

Os objetivos determinados no Acordo de Paris em 2015 são insuficientes para conseguir limitar o aquecimento a +1,5 ºC, um limite que de acordo com os cientistas permitira conter os efeitos devastadores.

Mas o rascunho do acordo não reflete a necessidade de reforçar as metas de redução das emissões em 2020.

"É impossível sair desta COP sem uma mensagem forte sobre a ambição", afirmou a União Europeia.

Os países insulares e mais vulneráveis à mudança climática denunciaram que, "ao invés de avançar", a comunidade internacional está "dando um passo atrás".

David Waskow, especialista em negociações climáticas do World Resources Institute, afirmou que "se o texto for aprovado no atual estado, a coalizão da pequena ambição vence".

México, Argentina e Uruguai denunciaram que o rascunho atual retirou as referências à importância de levar em consideração os direitos humanos e os dos indígenas na luta contra o aquecimento.

No ritmo atual, a temperatura mundial poderia aumentar até 4 ou 5 ºC no fim do século em comparação com a era pré-industrial e comprometer o futuro das jovens gerações.

A ONU considera que é necessário reduzir as emissões em 7,6% ao ano entre 2020 e 2030, mas estas registraram alta em 2019 no mundo.

app/bl